segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Lamentável São Silvestre de 2012


A Corrida de São Silvestre virou agora uma prova de Rua como outra qualquer. 
Perdeu de vez o charme - que já tinham conseguido quase acabar com a mudança da largada na virada do ano para o final da tarde, anos atrás - com a realização de manhã cedo, este ano.  

Procurei uma explicação para a mudança e só encontrei uma vaga menção a “razões logísticas” da organização, sem entrar em detalhes. Mas desconfio que foi a Globo, detentora da exclusividade da transmissão, que impôs o novo horário, para não atrapalhar a programação do 31 de dezembro, principalmente o show da virada do ano.

Li declarações de atletas elogiando o novo horário, principalmente os quenianos, que acabaram mais uma vez sendo os vencedores. E também do técnico brasileiro que prepara a maioria deles aqui no Brasil, Moacir Marconi. A alegação é que esse tipo de prova é sempre disputado pela manhã, que o organismo responde melhor ao esforço no início do dia e que, por isso, não é preciso um treinamento especial, já que seus atletas estão acostumados a correr pela manhã o ano inteiro pelo mundo afora.

Mas isso não é uma unanimidade. Claro que os quenianos são os maiores beneficiados, como ficou claro na corrida de hoje. Mas há quem discorde e é justamente o brasileiro Giovani dos Santos, que foi 4º colocado nesta São Silvestre de 2012. Vencedor da Volta da Pampulha há três semanas, seu técnico, Henrique Viana, reclamou: “A prova perde com esta mudança. No aspecto de performance, o atleta vai muito melhor no fim da tarde ou à noite. Há uma desvalorização da São Silvestre”.

O fato é que pelo jeito, o horário matutino vai tornar mais difícil ainda uma vitória brasileira nos próximos e a quebra da hegemonia queniana. Mas, para mim, o pior mesmo é mais uma tradição que a gente perdeu, de saudar o Ano Novo, acompanhando a São Silvestre pela TV e, eventualmente, comemorando vitórias brasileiras dos atletas e das atletas brasileiras, que há muito tempo não fazem a festa na capital paulista.

E por mais que a turma da Globo se esforce, não dá pra torcer por queniano (a), gente!

Agora, só falta, pelas mesmas “razões logísticas”, passarem a corrida para o dia 30 ou apenas gravarem para exigir o teipe no horário que mais convier à Globo.
E para marcar mais ainda essa corrida de 2012, tivemos a morte do cadeirante Israel Cruz Jackson de Barros, que se chocou com um muro do Pacaembu, ao perder o controle de sua cadeira de rodas na descida de uma ladeira.
O paratleta Israel Cruz Jackson de Barros momentos após a largada na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta (Foto: Ricardo Biserra/VC no G1). 
Foi uma fatalidade, mas contribuiu para tornar São Silvestre de 2012 ainda mais lamentável!

domingo, 30 de dezembro de 2012

O que nos aguarda em 2013

 - Por Jorge Wamburg - 
2012 se despede dentro de algumas horas e 2013 chega ao futebol brasileiro com boas e más previsões. 

No primeiro caso, estão os clubes que representarão o país na Taça Libertadores da América, com boas chances de conquistar mais um título para o Brasil: Fluminense, Atlético Mineiro, São Paulo, Grêmio e Corinthians. O primeiro, com a credencial de campeão brasileiro de 2102 e o último como último campeão da Libertadores e o prestígio do bicampeonato mundial conquistado em Tóquio este mês, são os dois favoritos, enquanto os outros tentarão surpreender.

No segundo caso, o das más previsões, estão clubes que, apesar de grandes, como Vasco, Botafogo, Flamengo e Palmeiras, enfrentam dificuldades até para montar os times que disputarão os campeonatos estaduais. Também acho nebuloso o futuro da seleção brasileira sob o comando de Felipão e Parreira em substituição a Mano Meneses, que foi sacado pela CBF justamente quando começava a acertar a mão (sem trocadilho).

Não me incluo entre os admiradores de Felipão. Muito ao contrário, apesar de seu passado de glórias e do Mundial que conquistou com a seleção, não vejo nenhuma novidade tática ou técnica nos times que dirige, mas apenas velhos esquemas que deram certo no passado, mas hoje estão superados, como aconteceu com o Palmeiras, rebaixado para a série B este ano e que ficou sob seu comando a maior parte do tempo.

Penso o mesmo com relação a  Parreira. Por isso, acho que a seleção que será formada para disputar a Copa das Confederações pode acabar em fiasco, até porque também o técnico terá pouco tempo para trabalhar e montar o time para a competição, que será realizada em seis capitais brasileiras, entre 15 e 30 de junho de 2013, e será um evento-teste para a Copa do Mundo. A escolha de Felipão – e de Parreira – contrariou o bom senso e só se justifica pelos nomes e não pelos resultados, pois Felipão vinha muito mal e Parreira já estava até aposentado do futebol.

Na verdade, os melhores técnicos do país no momento são Abel Braga e Tite, e um dos dois deveria ter sido o escolhido. A escolha de Felipão veio  com um ranço de passado e tem tudo para dar errado, mas vou torcer para que os fatos provem o contrário na Copa das Confederações. Até lá, vou  ficar sempre com um pé atrás. É bom não esquecer que só faltam seis meses para esta Copa e não temos time definido, pois Felipão, naturalmente, não vai querer apenas assinar embaixo do que Mano vinha fazendo.

Enfim, só resta aguardar 2013 e desejar que todos tenham um ano melhor do que 2012. Inclusive Felipão.

sábado, 22 de dezembro de 2012

“A violência é tão americana quanto a torta de Maçã”


“A violência é tão americana quanto a torta de Maçã”Stokely Carmichael
 - Por Jorge Wamburg - 
Noite de insônia, recorro ao controle remoto da TV. Primeiro, uma partida de futebol americano, um dos esportes (se é que se pode chamar aquilo de esporte) mais boçais que existem, só superado pelo vale-tudo apelidado de MMA e outras siglas. É só aquele empurra–empurra, agarra-agarra, mergulhos nas pernas do adversário e outras agressões, em que a bola é o menos importante: o que importa é parar o cara que está com ela, custe o que custar, literalmente: ossos quebrados, pancadaria, o diabo. Só falta sacar o revólver ou uma faca para abater o rival em pleno campo, para delírio da torcida, que urra e baba de satisfação o tempo todo.
Foi então que me lembrei da frase de Stokely Carmichael, um ativista negro nos Estados Unidos dos anos 60/70, nascido em 1941 em Trinidad y Tobago e que morreu em 1998, e percebi que o futebol americano é uma paixão nacional porque exprime fisicamente exatamente a outra grande paixão daquele país: a violência contra o próximo, perpetrada por toda e qualquer forma, mas principalmente contra os mais fracos e os estrangeiros de um modo geral, dentro e fora dos EUA, numa forma pervertida de afirmação da supremacia nacional pela força e pelas armas.
Então, enquanto procurava outro canal, entendi que a violência está enraizada na cultura e na vida americana desde suas origens, na revolução contra os colonizadores ingleses,  e essa cultura vem sendo disseminada e propagada pelo mundo há décadas, primeiro pelo cinema, depois pela televisão e agora pela internet, mas tudo se somando para construir o caldo cultural que levou um maluco a matar a própria mãe e 27 crianças numa escola, para em seguida se suicidar.
Depois da tragédia, que chocou os próprios americanos, mas foi apenas mais uma de uma interminável sequência de atos semelhantes ao longo dos anos naquele país, o presidente Barack Obama fala em discutir a liberdade da compra e venda de armas que impera no país desde que ele existe. Ora, logo o Obama, que mandou executar Bin Laden no Afeganistão por um comando de militares assassinos, como vingança pelo 11 de setembro, e depois foi para a televisão se gabar e ainda dizer que mandou jogar o corpo no mar!
Isso seria chocante se antecessores de Obama não tivessem também uma longa história de crimes impunes contra a humanidade, como o bêbado Bush 2, mentindo para o mundo que o Iraque tinha armas nucleares para justificar a invasão do país e a execução do antigo aliado Saddam Hussein, com a cumplicidade da ONU e de países árabes inimigos de Saddam e aliados dos Estados Unidos, como a Arábia Saudita, o principal deles, graças ao comércio do petróleo com os norte-americanos.
Aliás, por falar em antigo aliado, é bom não esquecer que Bin Laden também foi um bom e fiel aliado dos Estados Unidos quando o país usou os muçulmanos para expulsar os russos comunistas do Afeganistão, que na época, ainda na Guerra Fria, eram o inimigo da vez a derrotar na disputa pelo poder mundial. Mas isso foi antes de Bin Laden virar o inimigo nº 1, depois de mandar jogar aviões americanos sequestrados por seus seguidores contra o World Trade Center e o Pentágono.
Antes dos Bush (o pai foi o primeiro a invadir o Iraque), tivemos Johnson e Nixon, líderes da matança no Sudeste Asiático, até o pontapé no rabo dado pelos norte-vietnamitas que tomaram Saigon dos americanos e puseram fim à guerra do Vietnam. Mas é bom não esquecer que quem começou essa guerra foi o “santinho” Kennedy, que tinha em seu currículo também o patrocínio da fracassada invasão da Baía dos Porcos para derrubar Fidel Castro em Cuba. Mas de todos, ninguém foi pior do que Truman, que deu a ordem para os bombardeios atômicos a Hiroshima e Nagasaki, preferindo matar traiçoeiramente mais de 150 mil civis japoneses do que perder mais soldados para acabar com a Segunda Guerra Mundial. Isso choca, mas é bom não esquecer que a Segundo Guerra foi marcada pelas atrocidades de lado a lado, e não apenas dos nazistas, como costuma mostrar até hoje a propaganda americana. Um dos exemplos mais cruéis foi o bombardeio da cidade alemã de Dresden, que matou quase 100 mil pessoas numa só noite com bombas incendiárias.
Enquanto pensava em tudo isso, sintonizei o National Geographic, um dos muitos canais que fazem a propaganda do “American Way of Life” disfarçada de documentários. E assisti a um programa incrível, que tinha como tema os “Preparadores”, malucos americanos que se preparam para o fim do mundo ou catástrofes ambientais, como terremotos, tsunamis, etc.
O que me espantou nesse documentário,não foram as maluquices e excentricidades dessa gente, mas a liberdade absurda com que portam e usam armas quer só se vê em filmes de guerras. São fuzis, metralhadoras e outras armas moderníssimas, mantidas dentro de casa e usadas livremente até por adolescentes para “treinar” contra possíveis inimigos.  E não é uma ou duas armas, mas dúzias que cada um tem e utiliza como bem quer. Perto deles, os traficantes do Rio de Janeiro são uns pobres coitados que parecem usar armas de brinquedo. Um casal, dono de uma loja de aparelhos de som, chega a trabalhar com pistolas à mostra na cintura, atendendo os fregueses. Imaginem se um deles reclamar do troco!Tem um milionário que ensina à filha adolescente a atirar facas e comprou manequins que, quando atingidos por tiros, que ela também pratica, parecem abrir feridas e jorrar sangue. Outro sujeito, que emigrou de Israel para os Estados Unidos há dez anos, agora é candidato a vereador em uma cidadezinha da Califórnia e quer convencer todo mundo a usar armas na cinta para se defender de um “iminente” ataque terrorista.
Numa terra dessas, um maluco como o que cometeu o último massacre escolar nos Estados Unidos é apenas mais um entre milhares que, podem, a qualquer momento, se tornar assassinos de massas indefessas. Porque a violência, como disse Stokely Carmichael, é tão americana quanto a torta de maçã.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ESPORTE ON-LINE
Por Jorge Wamburg

Corinthians foi Cássio e mais 
o resto  do time
O Corinthians ganhou o jogo e o título por uma simples razão: tem um goleiro melhor do que o do Chelsea. Se não fosse o Cássio, com aquele cabelão anos 80, a vaca podia ter ido pro brejo. Ele estava numa noite fora do comum, até pela sorte de pegar aquele frango que ia entrando por baixo dele pelo rabo. Merece o bicho em dobro. Foi ele

Mesmo tendo mais chances claras de gol, como essa de que falei e aquela defesa do Cássio desviando a bola que ia entrar com a ponta dos dedos, o Chelsea foi um time sem brilho, que no início do segundo tempo já parecia cansado e ficou assistindo o Corinthians jogar, só começando a correr depois que levou o gol.  Aí, era tarde demais. O Corinthians caiu na defesa e garantiu o resultado até o fim. Nem dá pra discutir o gol anulado do Fernando Torres porque foi impedimento mesmo.

O Chelsea não merecia mesmo o título, com um técnico burro como o paraguaio Rafa Benitez, que só botou o Oscar em campo, como já estava claro que ia fazer, depois que estava perdendo, talvez pra queimar um jogador de quem ele não gosta. Aliás, o tal de Benitez tem uma cara de pateta e não de admirar que seja mesmo uma besta quadrada.

Agora, também não vamos entrar no oba-oba dos caras da TV, como o Milton Leite e o Villaron, do Sportv, que a toda hora diziam que tavam vendo um jogão, de alto nível e outras besteiras. Jogão coisa nenhuma, Foi um jogo até chato algumas vezes, devido ao estilo cauteloso do Corinthians e à falta de categoria do Chelsea, que nunca mostrou um futebol de campeão. Mereceu, por isso, a chinelada que levou.

Quero deixar claro que o futebol do Corinthians não é encantador, muito ao contrário. Seu corte é a marcação e foi assim que ganhou o campeonato brasileiro do ano passado. É o chamado futebol de resultado. Faz um gol ou dois e cai na defesa, que o time arma bem e tem bons jogadores, contando com um ótimo meio campo. Lá na frente, perde mais gols do que faz, mas depois que faz é difícil o adversário virar o placar.

Agora é esperar pela próxima Libertadores, pra ver se vamos chegar lá de novo, com Fluminense, Atlético Mineiro, São Paulo, Grêmio ou Palmeiras. É óbvio que o Palmeiras, rebaixado pra segundona, mas campeão da Copa do Brasil, é o que parece ter menos possibilidades, mas também ninguém garante que os outros vão arrebentar contra argentinos, uruguaios, colombianos, equatorianos, chilenos e sei lá quem mais da Libertadores.

O bom é que a festa do Corinthians já acabou e vem aí Natal e Ano Novo. O futebol, em 2012, já encheu o saco. Que venha 2013, com os velhos e bons campeonatos regionais pra gente matar a saudade. Depois brasileiro de novo e Copa das Confederações. Vamos botar futebol pelo ladrão.


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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Ranking da Fifa é ridículo: Brasil em 14º lugar!

 - Por Jorge Wamburg -  
É simplesmente ridículo esse “ranking” da Fifa que coloca o Brasil em 14º lugar entre as seleções mundiais, atrás de timecos como Colômbia (9), Grécia (10), Croácia (11), Rússia (12) e França (13).
Do oitavo (Itália) pra cima, se pode aceitar, com restrições, que a gente fique atrás de Uruguai (7), Holanda (6), Inglaterra (5), Argentina (4), Portugal (3), Alemanha (2) e Espanha (1). Mas do 9º ao 13º, os que estão na nossa frente não dá pra engolir.

Pra se ter uma idéia, o Brasil está com apenas 1001 pontos, enquanto a líder Espanha soma 1611 e a Colômbia tem 1102. Com essa classificação, o Brasil desceu duas posições em relação ao último “ranking” e fica na frente da Suíça, o 15º (983 pontos) por uns míseros 18 pontos.

Como tudo que a Fifa faz, essa é apenas mais uma merda. Que entidadezinha escrota! Esse ranking é bom pra servir de papel higiênico, porque não tem validade técnica nenhuma e lógica, muito menos. E sabem por que? Porque só valem os pontos de competições oficiais e como o Brasil não está disputando as eliminatórias da Copa de 2014, porque tem vaga garantida como país-sede, vai ficando pra trás, porque a Colômbia, por exemplo, ganhou do Uruguai (4 a 0) e do Chile (3 a 1) em jogos das eliminatórias sul-americanas.

Assim, as últimas vitórias do Brasil em amistosos sobre a Argentina (2 a 1), China (8 a 0) e África do Sul (1 a 0), não adiantaram nada pra melhorar a nossa posição. E vamos continuar caindo, à medida que os outros forem jogando pelas vagas no Mundial que vamos sediar daqui a dois anos.

É ou não é um critério ridículo? Até parece que é feito de propósito pra sacanear a seleção brasileira. Não é que o time do Mano seja grande coisa, pelo menos até agora, mas melhor do que a maioria dos 13 que estão na nossa frente, lá isso é.

Pior do que o “ranking” da Fifa, só o voto do Lewandowski no Supremo pra absolver o Zé Dirceu do Mensalão. Por essas e outras – como também a absolvição do Genoíno – é que o ministro, agora, passa a ser conhecido como Ricardo LEVIANOdowski.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Demitida do COB diz que só cumpriu ordens em Londres

 - Por Jorge Wamburg -
Bem que eu estava achando muito mal contada essa história de que dez funcionários do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) teriam “roubado” informações confidenciais das Olimpíadas de Londres, aproveitando-se de estarem trabalhando lá,  justamente para...colher informações sobre o evento.

A pressa do COB em demitir todos sumariamente e tirar o seu da reta, dizendo que o Comitê brasileiro não tem nada com isso, pois eles agiram por conta própria, tava cheirando mal. Eu já estava achando que alguém lá de cima sabia, ou mandou, ou as duas coisas juntas. Se não foi o Nuzman, presidente do COB e do Comitê Organizador da Rio 2016, deve ter sido algum dos seus aspones, pois havia 200 – eu escrevi – D U Z E N T O S S... – enviados do COB “trabalhando” em Londres durante as Olimpíadas.

O meu faro não me enganou. Um dos demitidos – mais exatamente uma – tinha 12 anos de COB – e resolveu não ficar calada, no que fez muito bem. Divulgou no blog do jornalista Juca Kfouri carta que mandou ao Nuzman, deixando claro que foi bode expiatório da merda feita pelo COB, ou pelos próprios ingleses, que lhe deram senha e acesso ao sistema para copiar dados, ou seja, não roubou nada e foi até instruída a copiar informações que são de domínio público sobre Londres 2012, durante o trabalho na capital inglesa, para futuro aproveitamento na Rio 2016.

Agora quem fica mal na parada é o COB – leia-se Nuzman - que vai ter que se explicar. Afinal, até o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, se apressou em pedir desculpas aos ingleses, num momento de bajulação explícita que é típica de sua vida política, como bom “comunista” que é.  Sempre foi um puxa-saco de primeira hora, que vivia rezando quando era presidente da Câmara só pra ficar bem com a galera que não gosta do seu partido, o PC do B.

Mas vamos ao que interessa: reproduzo a seguir a carta da ex-funcionária do COB, Renata Santiago, e vocês tirem suas conclusões. Eu já tirei as minhas: os ingleses também não nunca foram flor que se cheire – lembram-se do covarde assassinato do brasileiro Jean Charles pela polícia de Londres? – e podem ter armado essa pra cima dos brasileiros pra encobrir alguma sujeira interna. Tudo é possível.

Eis a carta da Renata Santiago:      

“Prezado Dr. Nuzman,

Antes de mais nada gostaria de agradecer por ter tido a oportunidade de trabalhar com o senhor durante todos estes quase 12 anos.

Tenho plena consciência de que me dediquei ao máximo e sempre cumpri minhas tarefas, e muito além das minhas tarefas, com excelência.

Nunca, em momento algum, os meus colegas, chefes ou os seus clientes se queixaram do meu trabalho, pelo contrário, sempre elogiaram e sempre mostraram satisfação devido ao meu comportamento impecável e ao meu desempenho profissional.

Em relação ao ocorrido em Londres com os secondees Rio 2016, não sei até que ponto a informação correta e completa chegou até o senhor.

Não falo por nenhum deles, mas falo por mim, que sempre trabalhei com um cargo de confiança e nunca lhe decepcionei.

No entanto, na terça-feira, dia 18 de setembro, fui chamada para assinar minha carta de demissão e a explicação que me deram foi que a ordem veio de cima, de nosso presidente, para demitirem a todos os secondees pela acusação de violação de informações confidenciais e comerciais por parte do LOCOG.

Eu era uma das secondees, trabalhei em Londres desde o dia 11 de junho até o dia 15 de agosto no Centro de Serviços aos CONs, na Vila Olímpica.

Ao longo das primeiras semanas, fui instruída a acessar o sistema do LOCOG para estudar alguns documentos necessários para a realização do meu trabalho lá em Londres, já que eu era uma dos NOC Services Team Member.

Outras vezes, acessei o sistema para visualizar e tentar aprender como eles planejaram, desenvolveram e iriam executar o projeto para a Área de NOC/NPC Relations and Services, sempre pensando em adquirir mais conhecimento e poder desenvolver melhor a minha Área de NOC/NPC Relations and Services no Rio 2016.

Afinal de contas nós fomos enviados ali para observar, aprender e reunir informações que nos dessem a capacidade de melhorar nosso planejamento.

Hora nenhuma me apropriei de informações confidenciais ou comerciais.

Sabemos bem que estas informações confidenciais ou comerciais não estariam ao acesso de todos nós secondees da Rio 2016, que recebemos login e senha do próprio LOCOG.

Todas as informações (arquivos eletrônicos, documentos impressos, fotos) reunidas e trazidas ao Rio 2016 por mim, ratifico, não eram confidenciais e muito menos comerciais e foram fruto de um trabalho árduo visando uma melhor organização para os nossos Jogos, sem nenhuma pretensão diferente desta.

Estou muito decepcionada e profundamente triste de ter sido envolvida e nivelada aos demais que realmente podem haver apropriado-se de muitas informações confidenciais e/ou comerciais de suas áreas e de outras.

Não consigo realizar que o senhor tenha acreditado que eu fosse ou que eu seja capaz de cometer atos fraudulentos e criminosos já que sempre demonstrei-lhe minha honestidade e fidelidade e às instituições das quais o senhor é ou foi presidente como o Comitê Olímpico Brasileiro, o Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos Rio 2007, a Organização Desportiva Sul-americana e, por fim, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Nunca estive nesses projetos por motivos financeiros e sim por um ideal. Por acreditar no senhor e no seu discurso sobre Movimento Olímpico e Paralímpico.

Não foram apenas 12 dias, foram 12 anos.

E doze anos de muito amor, muita abdicação, muita determinação, muita dedicação, muito profissionalismo e muito caráter.

Despeço-me com a certeza de que sempre fiz mais que o melhor e com a toda a integridade para levar adiante o seu sonho, o sonho de trazer e entregar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro, que passou a ser o meu também e que me foi tirado abrupta e injustamente.

Atenciosamente,
Renata Santiago”

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Passa fora. Complexo de Vira-Lata


- Por Jorge Wamburg - 
Acabo de ver na televisão o Arthur Zannetti conquistar a medalha de ouro de ginástica nas argolas, a segunda do Brasil nas Olimpíadas de Londres, depois da vitória da Sarah Menezes no judô.  
E um detalhe da entrevista do Zanetti, depois da prova, me convenceu de que o maior problema dos nossos atletas nessa competição não é falta de apoio, falta de treinamento ou falta de patrocínio. É, na verdade, o velho Complexo de Vira-Lata, diagnosticado por Nelson Rodrigues em suas crônicas, que ataca os brasileiros quando se vêem diante da responsabilidade de lutar por uma medalha olímpica, seja de ouro, prata ou bronze.

Assim como Zanetti e Sarah demonstraram não padecer desse complexo, outros atletas foram atacados de forma irremediável na hora de competir, acabaram não conseguindo superar a situação e foram desclassificados prematuramente. Aconteceu no tênis, na natação, no atletismo, no basquete feminino, na ginástica artística, por exemplo. Os comentaristas especializados destacaram várias vezes que alguns atletas sequer alcançaram as marcas que já fizeram em outras competições e, por isso, caíram nas fases eliminatórias dos Jogos de Londres. Não é a mesma coisa que perder a disputa pela medalha com um concorrente mais forte, ou melhor preparado, indubitavelmente favorito, como um Michael Phelps ou um Usain Bolt.

Mas o que disse o Zanetti, que me chamou a atenção na sua entrevista pós-ouro? Foi que, entre os agradecimentos à família, técnico, etc. ele citou o psicólogo como um dos responsáveis pela sua vitória. Eis o ponto central da questão.  Se o Brasil quiser fazer um papel melhor em 2016, quando as Olimpíadas serão no Rio de Janeiro, tem que trabalhar o lado psicológico tanto quanto o físico e o técnico dos nossos atletas, e tenho certeza de que dessa forma as medalhas vão chover na nossa horta.

Tanto é assim que nenhum atleta brasileiro, depois de eliminado em Londres, reclamou de falta de condições para obter um resultado pelo menos igual ao que já conseguiram, e que, em muitos casos, poderia garantir até a disputa por medalha. Ninguém reclamou, e tenho certeza de que não poderia, pois dá para perceber que nada faltou a eles.  Ao contrário de anos atrás, hoje, um atleta brasileiro de nível olímpico pode viver – e bem – exclusivamente do esporte.

O que vi, e ouvi, foram autocríticas sinceras, como a de Diego Hipólito, que reconheceu o erro que lhe custou a eliminação na ginástica de solo, e chegou a dizer que “amarelou”, numa avaliação até severa demais consigo mesmo. A Fabiana Murer também foi honesta, reconheceu que não estava num dia bom e poderia ter feito melhor. E outros apelaram para o lugar comum de que procuraram fazer “o meu melhor, mas não deu”.  Só não aceito é alguém dizer que “está feliz”, apesar do mau desempenho.

Isso é que precisa ser corrigido por um trabalho especializado com a cabeça dos atletas. E aí entra o trabalho do psicólogo.  É preciso que eles esqueçam, ou pelo menos não levem tão ao pé da letra o lema do Barão de Coubertin – “O importante não é vencer, mas competir” - percam o medo de seus adversários e possam desempenhar, realmente, o que de melhor têm para mostrar numa pista, numa piscina, num tatame, num aparelho de ginástica ou numa quadra.

Só assim, meus amigos, o Brasil poderá, de uma vez por todas dar um definitivo brado de libertação daquilo que tanto nos atormenta nas Olimpíadas:

“Xô, complexo de vira-lata”

sábado, 28 de julho de 2012

Bem feito pela vergonha!

 - Por Jorge Wamburg - 
Foi bem feito a vergonha que Dilma passou na cerimônia de abertura, com a Marina Silva desfilando como convidada da “Organização”, ou seja, o Comitê Olímpico Internacional (COI)   
Dilmão teve que reconhecer que não tinha sido informada previamente da presença da rival política na cerimônia, mas até que se saiu bem, apesar da mentirinha no final, com a desculpa de que “Não sabia e não preciso saber de tudo. Foi um orgulho”.

Já os puxa-sacos de plantão, que estão lá com ela torrando dinheiro público pra brincar de estadista (entre os quais seis ministros), como o ministro do Esporte, Aldo Rebelo e o presidente da Câmara, Marco Maia, ironizaram a presença da Marina,  tentando menosprezá-la.

Acho que a Dilma não ligou mesmo, porque hoje (sábado), já estava numa boa,  fazendo aquilo que é sua verdadeira missão em Londres:ir às compras!
O resumo da ópera é que enquanto Marina Silva foi o centro das atenções na transmissão de televisão, aparecendo por mais de três minutos, a Dilma não mereceu mais do que uns míseros 30 segundos, mesmo sendo presidente do país  e a outra não sendo nada atualmente na política brasileira.

Portanto, em Londres, Marina ganhou da Dilma de goleada (se fosse no futebol); nadou de braçada (se fosse na natação). E ganhou de  Ippon (se fosse judô) da adversária que a derrotou nas eleições de 2010.
Valeu, Marina! 

sábado, 21 de julho de 2012

Tchau, Iziane!


 - Por Jorge Wamburg - 
O corte de Iziane da seleção de basquete que vai disputar as Olimpíadas de Londres é o assunto do dia e ganhou até do amistoso da seleção contra a Inglaterra. 
Foi 2 a 0 Brasil e não teve nada de mais nem de menos, por isso não vou gastar mais com ele.
O Brasil fez o dever de casa, pois o time inglês é muito inferior a Neymar e Cia., que jogaram um feijão com arroz que deu pro gasto. E olhe lá. Tô com os comentaristas que acham que se não for dessa vez (o ouro olímpico), nunca mais, porque esse time não deve ter adversários em Londres. A não ser que dê amarelão em algum jogo e o Brasil entregue a rapadura outra vez.
Moderninhos e feministas de plantão vão cair de pau na Confederação Brasileira de Basquete e na Hortênsia, dizer que ela é uma velha careta e mal-amada, que concentração é uma merda mesmo, e que a Iziane tava dando o que é dela, portanto ninguém devia se incomodar com isso. E mais: que ela é a melhor do time e sem ela a seleção vai dançar. Não concordo.
Primeiro, entre Hortênsia e Iziane, eu fico com a Hortênsia. Como jogadora e como atleta, não dá nem pra Iziane cheirar o chulé do tênis da Hortênsia, se é que tem chulé. Em matéria de seleção, a Iziane nunca fez nada. É só uma criadora de casos, mascarada até a alma, que já ficou fora das Olimpíadas de Pequim porque se recusou a voltar pra quadra num jogo preparatório, quando o então técnico Paulo Bassul mandou. Depois, derrubaram o Bassul e ela voltou. Mas já devia ter levado uma espinafração da Hortênsia quando disse à Folha de São Paulo que, entre a seleção e seu time da WNBA – liga feminina dos EUA – preferia o time, “porque seleção não paga as contas no fim do mês”. Se eu mandasse numa seleção e um jogador dissesse isso em público, tava fora. Mas levaram a baranga pra Londres e, nem chegou lá, já pagou esse vexame na França, onde a seleção está disputando um torneio preparatório.
Segundo, estou com o Wlamir Marques, hoje comentarista da ESPN e que foi um dos maiores jogadores de basquete do Brasil em todos os tempos. Ele disse que a Iziane não faz falta à seleção, que vai perder ou ganhar com ou sem ela, como já aconteceu outras vezes, e pelo seu mau comportamento ela não deve estar no grupo. Falou franco e falou bem. Não dourou a pílula e nem ficou em cima do muro pra fazer média com a mulherada.
Terceiro, a entrevista e as lágrimas da Iziane são uma hipocrisia. Se Hortênsia e a CBB atenderem ao apelo dela pra reconsiderarem o corte, vai virar bagunça no hotel da seleção. Agora, ela diz que errou, pede perdão e tal, mas disse que levou o “namorado” não uma vez, mas várias, pra dormir com ela na concentração.  
Só agora, depois de cortada, acha que errou e pede penico. 
Quando o Ronaldinho Gaúcho levou uma mulher pro quarto da concentração do Flamengo, no Paraná, foi um escândalo nacional. Agora, se perdoarem a Iziane, vão ter que deixar até suruba na concentração, se alguém quiser fazer.
Será que não dava pra segurar o tesão até um dia de folga e trepar fora da concentração?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Vasco goleia o Flamengo por 10 a 0 e vai à final da Supercopa de Clubes

 - Por Jorge Wamburg - 
Botafogo, que derrotou o Sport Recife por 7 a 4, é o adversário na decisão.
Decisão Vasco X Botafogo no sábado 12h.  
O Vasco estendeu para a areia a crise do rival Flamengo. Isso porque o time da Colina goleou o Rubro-Negro por 10 a 0, na arena montada na sede da Gávea, e garantiu uma vaga na final da primeira Supercopa de Clubes de futebol de areia. Allan (3), Boquinha (3), Luquinhas, André, Jordan e Bueno anotaram os gols da partida. Na decisão, a equipe cruz-maltina vai enfrentar o Botafogo, que derrotou o Sport-PE por 7 a 4 na outra semifinal desta quinta-feira.

Do lado cruz-maltino, Jorginho e Bruno Xavier, que estão atuando no Campeonato Russo, não participaram do jogo. O experiente e camisa 10 Benjamin foi o desfalque do Flamengo. Neste sábado (21), às 10h, será realizado um jogo festivo para oficializar o nome da Arena da Gávea com uma homenagem a um dos precursores da modalidade como “Arena Maestro Júnior”.

Confira os resultados da competição:
Terça-feira (Dia 17)
8h15m – Flamengo (RJ) 4 x 3 Portuguesa (SP)
9h30m – Botafogo (RJ) 6 x 3 Rio Negro (AM)
10h45m – Vasco (RJ) 6 x 3 América (RJ)
12h – Sport Recife (PE) 5 x 3 Avaí (SC)
Quarta-feira (Dia 18)
8h15m – América (RJ) (0)(0)5 × 5(0)(1) Sport Recife (PE)
9h30m – Vasco (RJ) 9×4 Avaí (SC)
10h45m – Portuguesa (SP) 2 x 1 Botafogo (RJ)
12h – Flamengo (RJ) 9 x 3 Rio Negro (AM)
Quinta-feira (Dia 19)
8h15m – Rio Negro (AM) 5 x 4 Portuguesa (SP)
9h30m – Botafogo (RJ) (2)(0)5 x 5(0)(1) Flamengo (RJ)
10h45m – Avaí (SC) 1 x 6 América (RJ)
12h – Sport Recife (PE) 4 x 3 Vasco (RJ)
Sexta-feira (Dia 20)
semifinal 1 – Flamengo 0 x 10 Vasco (9h30min)
semifinal 2 - Sport 4 x 7 Botafogo (10h45min)
Sábado (Dia 21)
Final - Vasco x Botafogo (12h)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Dia do Futebol: muito melhor sem Havelange e Teixeira

 - Por Jorge Wamburg - 
Abro o jornal e me deparo com um anúncio de banco comemorando, hoje, o Dia do Futebol.  
Acho que só ele (o banco) sabe disso, porque não vi nada, em lugar nenhum, registrando tal data. Nada na TV, aberta ou paga, nada na Internet, nenhuma matéria de jornal.  
Mas o anúncio é de página inteira, com um texto cheio de poesia de porta de botequim, tipo “Acreditamos que para conquistar o mundo é preciso apenas 90 minutos”. 
Custou uma grana, ainda mais que é no Globo, e banco não joga pra perder (já que estamos falando de futebol...). 
Então, deve ser verdade.Tanto que, lá no finalzinho, ele dá o seu recado: “Uma homenagem do banco oficial da Seleção Brasileira de Futebol e da Copa do Mundo da Fifa 2014 à nossa maior paixão”.

Tá explicado. Vou à Internet e encontro a história: “A escolha da data se deu através da CBF – Confederação Brasileira de Futebol – para homenagear o primeiro time registrado como clube no Brasil, o Sport Clube Rio Grande, fundado em 1900”. 
Acho que nem a CBF se lembra mais disso, porque também não vi nenhuma comemoração da parte dela por aí. Se não fosse o banco, a data ia passar em branco – sem trocadilho – e acho que nem vale a pena mesmo, depois de tudo que tem acontecido no mundo da bola por aqui e lá fora, principalmente o escândalo de suborno de dois ex-presidentes da entidade, João Havelange e Ricardo Teixeira, pela extinta empresa de marketing ISL, conforme revelou a justiça suíça.

Na verdade, mesmo com a saída dos dois de cena, a CBF continua sob observação, porque o substituto de Teixeira, José Maria Marin, também não é lá flor que se cheire.
Aliás, ouvi dizer que há um movimento em andamento no Rio para tirar o nome de Havelange do Engenhão, o que é uma excelente idéia para punir, pelo menos moralmente, o ex-presidente da CBF e da Fifa. Sem falar que ele também pode ter cassado o cargo de presidente de honra da Fifa, depois de ter ocupado o posto efetivo por 24 anos.

O fato de Havelange estar com 95 anos de idade, não quer dizer nada. Quando ele aceitou a propina, tinha 82. Isso só faz confirmar a sabedoria popular, quando diz:
“Não confie num homem apenas por ele ter cabelos brancos. Os canalhas também envelhecem”.

Se há alguma coisa a comemorar neste 19 de julho, Dia Nacional do Futebol, é justamente o cartão vermelho que eles levaram, sendo obrigados a renunciar aos seus cargos para escapar de possíveis sanções legais ou esportivas. O futebol está muito melhor sem eles.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Cala a Boca, Marin!

 - Por Jorge Wamburg - 
Ainda o propinoduto Havelange-Teixeira-Fifa: essa foi de fazer inveja ao mais sagaz dos mensaleiros do PT que vão ser julgados pelo Supremo – a partir do dia 2 de agosto. A desculpa do hoje presidente da Fifa, Joseph Blatter, pra ter ficado de bico calado quando o então presidente João Havelange e o na época presidente da CBF Ricardo Teixeira foram “propinados” pela extinta ISL em nos anos 90 foi que – acreditem! – “Suborno não era crime!”. Pois essa desculpa pode custar o cargo também ao Blatter, como já custou a Havelange e a Teixeira os que tinham na Fifa, no COI, e No Comitê Organizador da Copa de 2014 e na CBF.

De acordo com o noticiário dessa semana, há uma forte reação na Europa contra a permanência de Blatter no comando da Fifa até 2015, quando haverá eleição para a sua sucessão. E não é só no esporte que estão pedindo a cabeça do suíço: parlamentares europeus já iniciaram um movimento de “Fora Blatter”, inclusive no seu próprio país, onde foram revelados todos os detalhes do escândalo pela justiça, depois de um mal explicado acordo com Havelange e Teixeira para evitar que seus nomes viessem a público. Dizem que vai ser difícil ele segurar a barra até 2015, e talvez também tenha que renunciar antes, tal como Havelange e Teixeira, pra sair de fininho de cena e não levar um processo pelo lombo.

È que, mesmo a Fifa sendo uma entidade privada, tal como a CBF, quando a justiça quer dá um jeito de arranjar um artigo qualquer e enquadrar o cara, nem que seja só pra fazer média com o respeitável público. E Blatter, que de bobo não tem nada, já viu que não vai dar pra continuar dando uma de Pilatos e lavando as mãos ao estilo Lula. A diferença é que enquanto o careca de São Bernardo se desculpava dizendo sobre o Mensalão do PT “Eu não sabia de nada”, o careca de Genebra diz “Eu sabia de tudo, mas não podia fazer nada”.  Acaba dando no mesmo, porque ninguém acredita em nenhum dos dois.

Agora, olhem só o que ainda vem por aí: Havelange, apesar dos seus 95 anos e de ter deixado a presidência da Fifa há mais de uma década para Blatter, ainda não escapou de algum tipo de sanção, pelo menos moral. É que ele ainda é presidente de honra da Fifa, cargo honorífico, mas em conseqüência do qual talvez tenha que dar explicações sobre a propina que recebeu da ISL. Que, pelo que já divulgado, foi pra garantir à empresa suíça (mais tarde falida), os direitos de comercialização da Copa de 94 nos Estados Unidos., quando o brasileiro era o presidente executivo e o suíço o secretário-geral da Fifa. E em reais, foi negócio de R$ 45 milhões pra ele e Teixeira.

Na época, um dos depósitos da propina, equivalente a R$ 2 milhões, caiu na conta da Fifa, em vez de na de Havelange. Mas Blatter não fingiu que não viu como mais tarde, quando o caso foi parar na justiça suíça e já era presidente da Fifa, ainda pagou “fiança” ao tribunal para que manter em sigilo os nomes de Havelange e Teixeira.  A desculpa oficial é de chorar – ou de rir: “Não poderia ter tomado ciência de um delito que não existia”, justiça-se, alegando que, na época essa prática não era crime previsto nas leis suíças, ao contrário do que ocorre hoje.

Sobre a situação de Havelange, agora que tudo foi revelado, Blatter ainda garante que não pode fazer nada, pois só o Congresso da entidade, “pode decidir sobre seu futuro”.

Mas se vocês pensam que é só, tem coisa muito pior. E vem do Zé Maria Marin, sucessor do Teixeira na CBF. Ele confirmou que Ricardo Teixeira continua trabalhando pra CBF lá de Miami, onde se exilou pra fugir do escândalo, depois de renunciar ao cargo, à presidência do Comitê Organizador Local da Copa de 2014 e ao Conselho da Fifa. Pois o Marin, que dobrou o próprio salário de R$ 98 mil pra quase 200 paus logo depois que assumiu, saiu-se com essa: “o que foi divulgado não tem nenhuma relação entre Ricardo Teixeira e a CBF. Ele continua prestando os mesmos serviços...” Melhor seria ter ficado calado, pra não dizer uma besteira dessas. Quais serão os serviços que Teixeira presta? Digamos, tipo aqueles que prestou pra ISL?

Besteirol do Correio
Não posso deixar passar essa: esta semana, na matéria do Correio Brasiliense sobre o caso do jogador de basquete aqui de Brasília que ficou gravemente ferido quando a tabela caiu sobre ele ao dar uma enterrada, o repórter saiu-se com essa (página 6/7, edição de 14/7):

“A única conclusão da Polícia Civil é que o acidente não foi premeditado”. Caraca! E o pior é que o editor da matéria e o do Caderno de Esportes engoliram.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Havelange, Teixeira e as reeleições


 - Por Jorge Wamburg - 
Duas notícias de ontem no jornal: a justiça suíça divulgou os documentos do inquérito sobre subornos pagos pela ISL a dirigentes esportivos e confirmou que João Havelange e Ricardo Teixeira receberam gordas – e bota gordas nisso! - (propinas da empresa suíça, hoje, falida); e a Comissão de Desporto e Turismo da Câmara aprovou um projeto proibindo mais de uma reeleição de dirigentes de clubes e federações.

Vejo uma relação entre esses dois fatos porque se esse projeto acabar se tornando lei, aberrações como os casos de Havelange e Teixeira ficarão mais difíceis de acontecer, embora não impossíveis, porque , como diz o ditado, a ocasião faz o ladrão.
Mas, pelo menos, dirigentes como eles terão menos tempo para meter a mão em dinheiro sujo – ou se apropriar de dinheiro limpo – como aconteceu nesse episódio da ISL (International, Sports and Leisure), empresa de marketing que tinha exclusividade na comercialização da Copa do Mundo e participação nos direitos de TV, e, mesmo assim, faliu, com um ROMBO de US$ 300 milhões e um ROUBO incalculável! E pouco antes andou de contrato com Flamengo e Grêmio, que levaram baitas prejuízos, mas nunca divulgaram quem levou grana por lá pra assinar esses contratos.

Vale lembrar que esse caso já vinha rolando há muito tempo e foi o motivo da súbita renúncia de Teixeira à presidência da CBF, do Comitê Organizador da Copa de 2014 e do Comitê Executivo da Fifa, para viver um exílio dourado em Miami e assim sair de cena e escapar de qualquer problema no Brasil, principalmente das incômodas matérias da imprensa. Já Havelange está muito idoso – 95 anos - para temer qualquer coisa e, ao contrário do ex-genro que ele colocou na presidência da CBF em 1989, fica por aqui mesmo, mas teve que renunciar ao lugar que ocupava há 48 anos  no Comitê Olímpico Internacional (COI), para não passar a vergonha de ser afastado pelos seus pares quando o suborno fosse confirmado pela justiça suíça, como aconteceu agora.

Esses casos são emblemáticos e mostram a necessidade da transformação em lei do projeto aprovado pela Comissão de Turismo da Câmara, da qual, aliás, fazem parte entre outros, os ex-jogadores Romário, Delei e Darnley, que, tenho certeza, devem ter votado a favor do projeto. Digo que esses casos são emblemáticos porque mostram como é perniciosa não apenas para o esporte em si, mas para a moralidade pública em geral,  a perpetuação de dirigentes esportivos em seus cargos. Até um sujeito como Havelange, que parecia acima do bem e do mal e havia chegado a uma idade quase centenária com uma aura de respeitabilidade por sua carreira no esporte, acabou corrompido e recebeu 1,5 milhão de francos suíços (US$ 1,5 milhão) de propina da ISL, em março de 1997.

Chega a ser inacreditável que um homem como Havelange, naquela idade (82 anos em 97), já muito rico mesmo antes de entrar no esporte por sua atividade como empresário, tenha jogado seu nome na lama e sido corrompido.  Quanto a Ricardo Teixeira, que recebeu 12,7 milhões de francos suíços (US$ 12,44 milhões) de propina da ISL, entre 1992 e 1997, segundo o inquérito suíço, não há o que estranhar. Sua gestão sempre foi marcada por denúncias de mau uso de dinheiro da CBF, mordomias para dirigentes de federações em troca de votos nas suas seguidas eleições e outras irregularidades.

Mas tudo isso só acontece justamente pela sensação de impunidade que o poder em  entidades como a CBF, a Fifa, e os clubes de futebol dá aos seus ocupantes. Teixeira, por exemplo, é um daqueles casos em que Nelson Rodrigues dizia que, quando o sujeito ia a um estádio de futebol ,perguntava ao torcedor do lado: “Quem é a bola?” Até, que em 1989, Havelange, então mais poderoso do que nunca no futebol brasileiro e já presidente da Fifa, disse: “Você vai ser presidente da CBF”; “Eu, mas por que?”; “Porque é meu genro, e preciso de alguém de confiança lá”. E assim foi feita a vontade de Havelange pelos presidentes de federações que formam o colégio eleitoral da CBF. Deu no que deu: Teixeira acabou com o casamento com a filha de Havelange e ficou na CBF até abril deste ano, quando teve que sair pela porta dos fundos e fugir pra Miami, depois de 24 anos de mandato.

Já Havelange se apossou da CBF no final dos anos 50, ganhou as Copas de 58, 62 e 70 e só saiu em 74, quando derrotou o inglês Stanley Rous na disputa pela presidência da Fifa, com uma mensagem anticontinuista, já que Rous estava no cargo há 18 anos. Resultado: Havelange ficou 24 anos no lugar, sempre se reelegendo por conta de compromissos com países de pouca tradição da África e da Ásia para receberem vantagens da Fifa. Era um ícone do futebol brasileiro, com o tricampeonato mundial de 58/62/70 na conta de sua gestão na antiga CBD e a gestão na Fifa, onde só o lado positivo do crescimento do futebol pelo mundo aparecia e as mazelas eram jogadas pra baixo do tapete, principalmente por  uma imprensa cúmplice e subserviente. E continuaria assim pelo resto de sua vida, com aquela cara amarrada que lhe dava um aspecto austero e de grande benfeitor da humanidade, se não fosse a BBC de Londres descobrir a sujeira da ISL e denunciar o escândalo.

Havelange a, agora, é só mais um corrupto no mundo do futebol, na mesma vala comum de tantos por aí. Eu por exemplo, acho que poucos se salvam, principalmente nos clubes de futebol. Se é que alguém se salva.  As mamatas, as mordomias, as propinas, tudo quanto é safadeza rola solta e sem controle. Eu conheço pessoalmente um presidente de clube que assumiu o cargo como  desconhecido advogado de origem portuguesa, que chegava ao clube de fusca e, quando saiu, dez anos depois, foi embora de Mercedes Benz e era dono de uma ilha na Baía de Guanabara! Esse mesmo presidente foi derrubado por um grupo de oposição com uma campanha contra o continuísmo e em defesa da moralidade no clube. Só um dos presidentes que vieram depois dele ficou 18 anos no cargo! Outro, quase emplacou três mandatos (nove anos) e quase levou o clube à falência.

E há muito mais exemplos. Em Minas, em São Paulo, pelo Brasil inteiro, eles só largam o cargo se der uma merda muito grande. Porque no mundo das propinas, sempre sobra pra subornar os conselhos fiscais e dirigentes de futebol, supervisores de clube, o diabo! Pra ninguém dar com a língua nos dentes. Rola propina em tudo, de venda de jogadores a contratos de publicidade, obras, concessão de cantina, o que vier. Ninguém deixa nada passar sem levar algum ou tirar vantagem seja, financeira, seja política (esportiva ou mesmo partidária, já que muitos fazem do clube trampolim para carreira política). Assim se explica tanta venda de jogador que não aparece no balanço do clube e nunca melhora o caixa de nenhum deles. Ninguém presta contas de nada. E, engraçado, que o Ministério Público, sempre metendo o nariz na vida dos outros, deixa tudo pra lá. Humm!

Por isso é que o projeto de uma reeleição só é tão importante. Acho até que está sendo até generoso; diante desse quadro grotesco, devia era proibir reeleição. Mas, admitindo que uma reeleição já melhora as coisas, é preciso, porém,  que algum deputado proponha uma emenda para incluir também as Confederações , como a CBF, que estão fora porque não recebem recursos públicos.  Só os clubes e as federações, que mamam na Timemania, vão ser atingidos e, assim, os Teixeira e Marin da vida (vice - que assumiu no lugar de Teixeira) poderão continuar com suas façanhas. Em tempo: José Maria Marin logo que assumiu, aumentou seu poóprio salário de R$ 98 mil para R$ 166 mil e continua pagando  o salário de quase R$ 100 mil a Ricardo Teixeira como consultor da CBF)

É bom que se diga: a CBF é uma entidade privada, mas ela representa uma verdadeira instituição nacional, de certa forma um patrimônio do país que cinco vezes campeão do mundo de futebol. Portanto, em nome dos princípios constitucionais da moralidade pública  e da eficiência administrativa ela também precisa sofrer alguma limitação por parte da nossa legislação. E pode começar por um freio nas reeleições, para evitar que novos Ricardos Teixeiras apareçam pra mandar – e se aproveitar – no nosso futebol. Quem sabe, a partir daí, se possa impor algum tipo de obrigação de prestar contas do dinheiro que rola por lá ao torcedor brasileiro – em outras palavras, a nós todos – que, no final, é quem banca tudo isso indiretamen

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Juiz ladrão



 - Por Jorge Wamburg - 
Foi em 1978, quando eu morava no Rio de Janeiro, onde nasci e fui criado. Um dia, aliás, uma noite, cheguei em casa do trabalho no Jornal do Brasil, onde era repórter da Editoria de Esportes, e de repente, comecei a sentir dores fortíssimas na barriga. Eram as dores mais fortes que já tinha sentido, que me faziam rolar e gritar na cama, deixando Luzia, minha mulher, desesperada e sem saber o que fazer.

Meu carro estava na garagem, mas ela não dirigia. Então pediu socorro aos vizinhos. Vieram dois que moravam no nosso andar e tiveram que me carregar até o carro de um deles, porque eu não conseguia andar. Me levaram para o Hospital São Lucas, em Copacabana, que tinha atendia pelo meu plano de saúde e fui imediatamente internado para exames, além, é claro medicado com analgésicos para aliviar a dor.

O diagnóstico veio horas depois: cálculo renal encravado na uretra. A solução talvez fosse cirúrgica, mas o urologista que me atendeu resolveu dar tempo à natureza, para que eu expelisse a pedra – que não tinha mais do que dois milímetros – naturalmente.  Fiquei internado num apartamento com camas para dois pacientes à espera de que meu organismo colaborasse pra não entrar na faca. Que nada!. Depois de 48 horas de espera, a pedra não saiu e veio a palavra final: tem que operar. E assim foi. Correu tudo bem, tiraram a pedra e eu fui para casa no início da semana seguinte.

Até aí, nada de mais, nem de menos. Cálculo renal é uma cirurgia banal, geralmente sem complicações e que hoje costuma ser feita a laser, como aconteceu na segunda que me aconteceu, já aqui em Brasília, muitos anos depois. Ao contrário da primeira, que foi com o tradicional bisturi, já que o laser nem existia na época. Mas o curioso dessa história aconteceu quando eu estava internado no São Lucas. Um dia, chegou outro paciente para o mesmo apartamento onde eu estava. O nome dele era Hélio, era juiz de futebol profissional, da Federação Carioca e havia sofrido um acidente de trabalho: rompeu ligamentos do tornozelo quando bandeirava uma partida do campeonato do Rio de Janeiro.

Lógico que eu, jornalista esportivo, e o Hélio, logo começamos a bater-papo sobre futebol.
Uma hora, chega visita pra ele. Era um colega de trabalho, também juiz de futebol, só que, ao contrário do Hélio, era o número 1 do país, do quadro da Fifa, no auge da carreira.
Nem precisava porque, obviamente eu conhecia o cara, mas fomos apresentados pelo Hélio e a conversa rolou animada. O visitante era também líder da classe e estava lá para fazer uma visita oficial ao Hélio, em nome dos colegas.
Lá pelas tantas, ele (visitante) me perguntou se eu era casado. Respondi que sim. Perguntou se eu tinha filho. Um, respondi. O nome? Wladimir.

O juizão perguntou qual o time do garoto, que na época, tinha nove anos de idade. É Vasco, falei com orgulho. O homem, então, pegou um papel na mesinha do Hélio, escreveu alguma coisa e me entregou, dizendo: “Leve para o Wladimir”. Era um autógrafo, com a seguinte dedicatória:

“Para o Wladimir, um abraço do
 Juiz Ladrão
 Arnaldo Cezar Coelho”

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Futebol da Eurocopa é de segunda categoria


 - Por Jorge Wamburg - 
Essa Eurocopa, apesar de todo o carnaval que o Sportv está fazendo pra valorizar a cobertura, não tem nada demais nem de menos.  
Os narradores, comentarista, repórteres e apresentadores parecem marinheiros de primeira viagem, deslumbrados com tudo que vêem por lá, mas, mesmo assim, não dá pra enganar o telespectador: o futebol que as seleções do Velho Mundo estão apresentando não tem nenhuma novidade, não revelou nenhum craque e não mostra nada melhor do que se vê por aqui, na nossa Ameriquinha do Sul.

O que eu vi até agora – e não acredito que vá melhorar nas semifinais e na final – é só correria e chutão de qualquer maneira, às vezes até em direção ao gol. Com uma exceção, a Espanha, que joga como a Barcelona e acaba ficando chata, de tanto trocar passe pra lá e pra cá, até achar uma brecha pra chutar a gol. Mas os nossos jornalistas parecem encantados com essa merda e insistem em valorizar tal coisa e dizer que o futebol brasileiro é que é uma bosta, que a Eurocopa é só jogão e outras baboseiras.

Claro que os caras foram pra lá com os bolsos cheios de diárias em dólares, estão comendo do bom e do melhor em hotéis cinco estrelas e não podem desvalorizar a cobertura pra não se queimarem com a direção da empresa. Por isso, têm que elogiar tudo que vêem. Mas cá pra nós, o que a TV mostra é muito diferente do que eles falam, lá isso é. Não passa de um futebol de segunda categoria.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Advogado do Fla inventou exame de Ronaldinho

 - Por Jorge Wamburg - 
O Flamengo, mais uma vez, cai no ridículo, no caso Ronaldinho Gaúcho  
Depois de ser humilhado publicamente com a rescisão do contrato por atrasos de pagamentos, decretada pela Justiça do Trabalho, e ter negado o pedido para cassar a liminar que impediria o jogador de atuar pelo Atlético MG, agora é o chefe do Departamento Médico que desmente o diretor Jurídico e garante que não há qualquer exame de sangue do Ronaldinho comprovando a existência de álcool no seu organismo. Quer dizer: o diretor Jurídico, Rafael de Piro, foi pego na mentira pelo próprio colega e teve que admitir que estava errado, ou mal informado, o que é a mesma coisa.

Aliás, não é o primeiro papelão que o Piro faz no caso. E o pior é que a presidente Patrícia Amorim fica igualmente desmoralizada com a série de gafes cometidas por ele, tanto que já nem aparece mais em público, com medo de ser questionada sobre o assunto. O fato é que mesmo descontando-se o possível exagero do valor de R$ 40 milhões cobrado do clube por Ronaldinho, o Flamengo deve mesmo – confessadamente, pelo mesmo Piro – pelo menos “de R$ 4 a 5 milhões”.  É claro que todo advogado sempre exagera nas contas quando entra com uma ação trabalhista para poder tirar o máximo da parte contrária, por acordo ou decisão da justiça.  Isso é tão velho quando a própria justiça do trabalho e qualquer advogado sabe que funciona assim. Mas, cá pra nós, o show de incompetência do advogado do Flamengo é pior do que o do time do Joel Santana em campo. Eu não sei onde ele se formou, mas não pode ter sido na minha faculdade.

Além de réu confesso na ação de atraso nos pagamentos, o Piro chutou um monte besteiras que nada têm a ver com o processo, e que só deixaram a situação ainda pior para o clube, ao divulgar o caso da mulher no quarto do Ronaldinho – ou vice-versa do hotel onde o Flamengo estava concentrado – dizer que ele ia treinar bêbado e que havia um exame de sangue comprovando isso. Quer dizer, sabiam e toleravam, deixaram rolar, porque não tinham moral pra enquadrar o cara. Além de perder o processo, ainda desmoraliza de vez a diretoria do clube.

Agora, o advogado teve que botar o galho dentro na questão do exame de sangue, com o desmentido do médico José Luis Runco, um profissional de tão alto nível que não sei como consegue trabalhar no meio daquela esculhambação administrativa da Gávea. Eu conheço pessoalmente o Runco há quase 30 anos, do tempo em que ele começou no esporte como médico dos remadores do Vasco. Hoje, além do Flamengo, é o médico da seleção brasileira de futebol e seu prestígio no esporte está à altura de sua competência.  E sai ainda mais engrandecido do episódio Ronaldinho porque não hesitou em desmentir a história do exame de sangue inventada pelo Piro, que além de incompetente, passa recibo como mentiroso.
Com isso, não estou defendendo o Ronaldinho, que pra mim também não vale o dinheiro que os clubes gastam com ele, como o Flamengo e agora o Atlético MG.
O problema é que um caso como esse é a prova da irresponsabilidade com que os dirigentes tratam o dinheiro dos clubes. E isso acontece porque o dinheiro não sai do bolso deles e ninguém cobra nada, os conselhos fiscais passam recibo de tudo, porque são coniventes com as diretorias e fazem parte das mesmas curriolas políticas.
Os clubes não prestam contas do dinheiro torrado com irresponsáveis como o Ronaldinho, a contabilidade é uma caixa preta e balanço financeiro nunca é publicado.
Um escândalo, que devia dar cadeia, mas fica por isso mesmo porque estamos no Brasil do Mensalão, da Delta e todo mundo sabe que roubalheira não dá em nada, quando se rouba muito dinheiro.  Cadeia é só pra ladrão de galinha.

domingo, 27 de maio de 2012

Seleção: devagar com o andor

 - Por Jorge Wamburg -  
Eu não quero ser espírito de porco e espinafrar a seleção, depois de uma vitória por 3 a 1 contra a Dinamarca que está sendo elogiada por todo mundo, a começar pelo técnico Mano Menezes. 
Mas cá pra nós, mesmo não querendo, não tem outro jeito. O que eu acho é que a gente anda tão acostumado com o futebol de quinta categoria jogado pela seleção do Mano que qualquer melhorazinha é saudada como o supra-sumo da essência do extrato do pó do melhor futebol do mundo, que algum dia, lá pelos idos do século passado, a nossa seleção jogava.

Porque, cá pra nós, se o primeiro tempo foi surpreendentemente bom e deu até pra gente achar que, finalmente, tínhamos um bom time com a camisa amarela, depois de meter 3 a 0 numa apavorada Dinamarca, o segundo tempo foi de lascar. Nós paramos de jogar e quem jogou bola foi a mesma Dinamarca, que até merecia um resultado melhor. O problema é que os dinamarqueses, além de azarados, são mesmo ruins até de chute a gol e perderam oportunidades daquelas dignas do Inacreditável Futebol Clube.

Acho que a seleção teve algumas coisas positivas, como o Hulk, que não é nenhum craque mas tem sorte e sabe chutar a gol. É um cara importante pra determinados jogos chatos em que enfrentarmos times fechados na defesa, mas ninguém espere dele jogadas de alto nível técnico, que sua praia é outra. O negócio dele é na base da raça e da porrada – na bola – que mata qualquer goleiro. Ainda mais quando o da Dinamarca está num dia de amigo do atacante e chega atrasado nas bolas que vão pro gol, como aconteceu em dois do Hulk.

Portanto, vamos devagar com o andor que o santo é de barro. Vamos ver o próximo amistoso, contra os Estados Unidos, que ontem sapecou 5 a 1 na Escócia, e os outros jogos da excursão, pra ver se essa seleção  vai ter mesmo garrafa vazia pra vender nas Olimpíadas de Londres.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Governo diz que obras dos estádios da Copa não estão atrasadas

 - Por Jorge Wamburg -  
O último levantamento sobre as obras nos 12 Estádios da Copa de 2014 foi divulgado pelo Ministério do Esporte no dia 3 de abril, no Portal da Copa, o site oficial do governo brasileiro sobre o evento que será realizado no Brasil. 
Segundo o documento, “a 800 dias de a bola rolar para o Mundial de 2014”, todas as obras estavam dentro do cronograma de trabalho estabelecido. Os percentuais de cada uma têm como base informações de representantes das cidades-sede.


Mineirão – Belo Horizonte

Foto: Sylvio Coutinho
A arquibancada inferior, setor com aproximadamente 23 mil cadeiras, já é visível. Na esplanada, espaço de 80 mil metros no entorno do estádio, 54% das peças pré-moldadas foram instaladas. A obra soma 1.850 operários em atividade, atingiu 55% de execução e tem três gruas para transportar materiais da parte externa para a interna. O novo Mineirão contará com 64 mil assentos, restaurante com vista para o campo e 80 camarotes. O estacionamento terá 2.521 vagas para carros, sendo 1.534 cobertas. A previsão é de que seja entregue em 21 de dezembro de 2012. Simulações de fluxo feitas por software especializado prevêem a evacuação completa do estádio em até 8 minutos.


Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha
Foto: Mary Leal
As obras chegaram a 54% de execução, com as vigas da arquibancada intermediária, o segundo pavimento, os blocos de esplanada e a arquibancada inferior terminados. A arena, que teve a cobertura licitada, receberá a abertura da Copa das Confederações, em 2013, e sete jogos da Copa de 2014, incluindo um da Seleção Brasileira, na primeira fase, uma partida das quartas de final e a disputa de terceiro e quarto lugares.


Arena Pantanal - Cuiabá
Foto: Uol Esporte
Palco de quatro jogos da Copa do Mundo de 2014, a Arena Pantanal começa a ganhar forma com a construção das arquibancadas inferiores e superiores. A previsão é de que até o fim de abril os setores Norte e Oeste estejam com as partes de concreto e metal montadas, assim como a primeira laje contínua, unindo os dois lados. A obra conta com 650 operários e já alcançou 43% do total previsto.


Arena da Baixada – Curitiba
Foto: FIFA/Divulgação
O estádio do Atlético-PR tem 52% das obras de adaptação para receber quatro partidas da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014 executadas. Das novas intervenções, que incluem parte da arena, centro de imprensa e estacionamento, 11% estão concluídas. O projeto de adaptação às exigências da FIFA inclui a finalização do setor de arquibancadas paralelo ao gramado, a remodelação da cobertura e a ampliação da capacidade para 42 mil pessoas.


Castelão - Fortaleza
Foto: Secopa
De acordo com o último relatório do consórcio construtor, 60,44% do projeto de reforma estão concluídos. Já estão sendo erguidos os primeiros pilares que vão dar sustentação à cobertura. Do total, serão 60 pórticos de aço que devem ser finalizados em abril. A conclusão da terceira etapa deve ser antecipada de setembro para julho e, de maio a setembro, será feita a montagem da cobertura. Em setembro está previsto, ainda, o início da instalação das cadeiras.


Arena das Dunas - Natal
Foto: Tiago Falqueira
As obras de construção da Arena das Dunas, que receberá quatro partidas da Copa do Mundo, superaram 20,56% de execução. A fase de fundações está avançada e a de superestrutura teve início. O número de operários chegou a 600. A arena potiguar terá capacidade para 45 mil pessoas. A previsão é de que o trabalho seja finalizado em dezembro de 2013.


Arena Amazônia - Manaus
Foto: Danilo Mello
A Arena Amazônia, com 38% das obras concluídas, será palco de quatro confrontos previstos para a fase de grupos do Mundial. Os duelos serão válidos pelos grupos A, D, E e G. Em 25 de junho de 2014, a seleção cabeça de chave do grupo E, normalmente uma das grandes equipes do torneio, estará em campo. O estádio terá capacidade de 43.710 lugares. A conclusão das obras está prevista para junho de 2013, a um custo estimado de R$ 533,2 milhões, de acordo com a Matriz de Responsabilidade.


Arena Pernambuco - Recife
Foto: Bobby Fabisak
Sede de cinco jogos da Copa do Mundo da FIFA 2014 e candidata a receber confrontos da Copa das Confederações, a Arena Pernambuco, que está sendo construída em São Lourenço da Mata, superou, em março, 32% das obras concluídas. As fundações estão quase finalizadas, com 95% da execução realizada. O estádio está orçado, segundo a Matriz de Responsabilidade, em R$ 500 milhões e terá capacidade para 46 mil pessoas, com 4,7 mil vagas de estacionamento.


Beira-Rio – Porto Alegre
Foto: Angular Fotografias
Com as obras retomadas em março, teve início a demolição dos vestiários de visitantes e da arbitragem, ao lado do Portão 4 do Beira-Rio. Para a reforma, que estava 20% concluída antes da retomada, a capacidade da arena será diminuída em dias de jogo. Passará de 42 mil para 36 mil lugares. Um trecho da arquibancada abaixo das cadeiras perpétuas (antiga social) ficará interditado. No pico das obras, serão 1,5 mil operários trabalhando.


Maracanã – Rio de Janeiro
Foto: Consórcio Maracanã Rio 2014
A reforma no Estádio Mário Filho, o Maracanã, atingiu 39% de avanço físico. A arquibancada inferior está em fase de construção da estrutura, aterro da área e instalação de pré-moldados. A finalização do fechamento do anel da arquibancada está prevista para setembro. Na parte da cobertura, foi iniciada a perfuração de 60 pilares para instalação da ancoragem. A construção das 110 unidades de camarotes já foi iniciada, com a preparação da laje.


Fonte Nova - Salvador
Foto: Folhapress
Sede de seis jogos da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 e candidata a receber partidas da Copa das Confederações, em 2013, a Arena Fonte Nova está com as obras 55% concluídas. O estádio terá capacidade para 50 mil espectadores com assentos cobertos, 90 camarotes, 2,5 mil assentos VIP, restaurante panorâmico com vista para o estádio e para o Dique do Tororó e cerca de duas mil vagas de estacionamento.


Arena de Itaquera – São Paulo
Foto: Divulgação/Odebrecht
Sede da abertura da Copa, o estádio do Corinthians tem 30% das obras executadas. Já foram cravadas 3.368 estacas, concretados 569 blocos, instalados 140 pilares e assentados 388 degraus, além de 96 vigas jacaré e 778 lajes. Em março, o número de funcionários chegou a 1.664, e, durante o pico, alcançará dois mil. Um convênio foi assinado para receber 300 egressos do sistema carcerário em obras da construtora no estado, incluindo a da arena em Itaquera.