Ou seja, sabia que ia morrer e quis que acontecesse lá, durante a Copa, respirando até o ultimo instante o ambiente do futebol que fez parte de sua vida inteira, como botafoguense, dirigente e técnico da seleção brasileira.
Sobre Saldanha, são muitas as histórias, mas hoje quero lembrar uma passagem de sua vida em que tive participação, quando trabalhava como repórter da editoria de Esportes do Jornal do Brasil, no Rio, e Saldanha era o colunista da nossa página.
Eu não tinha muita intimidade com ele, mas um dia fui surpreendido com um pedido que não tinha nada com esporte: Saldanha soube que eu era advogado recém-formado e me pediu que convertesse seu desquite em divórcio, que há pouco tempo virara lei no Brasil, já que constituíra nova família há algum tempo.
Fiz o que me pediu e, desde então, passamos a conversar muito mais sobre futebol, inclusive na Copa de 82, em que ambos trabalhamos pelo JB. O que sempre me impressionou nele foi justamente a sua simplicidade no trato com as pessoas, apesar de ser uma estrela do jornalismo brasileiro, na época, no auge da carreira como colunista do JB e comentarista de rádio e televisão. Era o nº 1 disparado e no rádio seus comentários chegavam a dar eco nos estádios, sintonizados em milhares de rádios de pilha pelos torcedores.
Foi criador de expressões que marcaram época na gíria esportiva, como a famosa “zona do agrião”, aquela região da pequena área onde o gol costuma acontecer.
Seu humor irônico também marcou época e me lembro de dois exemplos: quando ia embarcar para a Itália, sua saúde o obrigou a se locomover em cadeira de rodas pelo aeroporto; um colega jornalista foi ao seu encontro e tentou ser agradável: “Ô Saldanha, tudo bem?” E ele: “Claro, eu gosto de andar de cadeira de rodas”.
Outro episódio foi quando era técnico da seleção brasileira. Antes de um jogo, um repórter o abordou no campo e perguntou: “Saldanha, a grama está boa?”E ele: “Não sei, ainda não provei...”
João Saldanha
Aproveitando, a Globo News apresentou em 2010 um excelente programa em homenagem ao João Saldanha.Peço vênia e reproduzo aqui, para que aqueles que o conheceram, matem a saudade e aqueles que só "ouviram falar", venham a conhecer um pouco do muito que fez João Alves Jobin Saldanha. Pelo futebol e pela vida!
Globo News - Especial João Saldanha - Parte 1
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Globo News - Especial João Saldanha - Parte 3
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