Por Jorge Wamburg
Como sempre, a crônica esportiva fica à beira de um ataque de nervos quando a seleção não consegue vencer um adversário mais fraco, como foi o caso da Venezuela, na estréia na Copa América. Prova disso foram as manchetes escandalosas dos jornais no dia seguinte, a começar pelo Globo, que escancarou na primeira página do Caderno de Esportes – por sinal, muito chinfrin, quando comparado a outros jornais – a foto do cachorro que invadiu o campo durante a partida para ilustrar a manchete “Futebol Vira-Lata”. Outros jornais usaram o futebol feminino para sacanear os marmanjos, com frases do tipo “Ensina a eles, Marta”.
Não sou daqueles torcedores ou jornalistas que ficam babando pela seleção em qualquer vitória, mas também não entro em pânico por uma resultado como o 0 X 0 com a Venezuela. Toda essa histeria é típica da nossa imprensa esportiva, que sempre sofreu – e continua sofrendo – de Transtorno Bipolar quando se trata de seleção. Trata-se de um mal psíquico, em que o paciente vive entre a extrema euforia e a depressão mais profunda por qualquer motivo – ou sem motivo nenhum.
Agora, por exemplo, nossa crônica esportiva está na fase negativa, doida pra ver a caveira de Mano Meneses, Neymar, Ganso e todo o resto, pra depois passar semanas chafurdando em manchetes e comentários depressivos. Tem muito jornalista que trabalha pelo “quanto pior, melhor”, por achar que dá mais Ibope do que elogio.
Acho que o empate com a Venezuela não foi nada demais. O time não jogou um futebol primoroso, mas também não foi esse lixo todo que andaram falando. Podia ter faturado os venezuelanos, mas não soube transformar em gols as chances que teve. Só isso. Acontece com os melhores times de Roma e Paris, por que não com a nossa seleção?
Não foi a primeira vez e não será a última. Muito pior estão os argentinos, com dois empates e um futebol do tamanho do Messi, ou seja, pequenininho. Além o mais, nossos especialistas não querem admitir que os venezuelanos evoluíram e hoje, graças à globalização, mão tem mais bobo no futebol. Aquela história de que somos obrigados a ganhar sempre deles, acabou.
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