sábado, 28 de julho de 2012

Bem feito pela vergonha!

 - Por Jorge Wamburg - 
Foi bem feito a vergonha que Dilma passou na cerimônia de abertura, com a Marina Silva desfilando como convidada da “Organização”, ou seja, o Comitê Olímpico Internacional (COI)   
Dilmão teve que reconhecer que não tinha sido informada previamente da presença da rival política na cerimônia, mas até que se saiu bem, apesar da mentirinha no final, com a desculpa de que “Não sabia e não preciso saber de tudo. Foi um orgulho”.

Já os puxa-sacos de plantão, que estão lá com ela torrando dinheiro público pra brincar de estadista (entre os quais seis ministros), como o ministro do Esporte, Aldo Rebelo e o presidente da Câmara, Marco Maia, ironizaram a presença da Marina,  tentando menosprezá-la.

Acho que a Dilma não ligou mesmo, porque hoje (sábado), já estava numa boa,  fazendo aquilo que é sua verdadeira missão em Londres:ir às compras!
O resumo da ópera é que enquanto Marina Silva foi o centro das atenções na transmissão de televisão, aparecendo por mais de três minutos, a Dilma não mereceu mais do que uns míseros 30 segundos, mesmo sendo presidente do país  e a outra não sendo nada atualmente na política brasileira.

Portanto, em Londres, Marina ganhou da Dilma de goleada (se fosse no futebol); nadou de braçada (se fosse na natação). E ganhou de  Ippon (se fosse judô) da adversária que a derrotou nas eleições de 2010.
Valeu, Marina! 

sábado, 21 de julho de 2012

Tchau, Iziane!


 - Por Jorge Wamburg - 
O corte de Iziane da seleção de basquete que vai disputar as Olimpíadas de Londres é o assunto do dia e ganhou até do amistoso da seleção contra a Inglaterra. 
Foi 2 a 0 Brasil e não teve nada de mais nem de menos, por isso não vou gastar mais com ele.
O Brasil fez o dever de casa, pois o time inglês é muito inferior a Neymar e Cia., que jogaram um feijão com arroz que deu pro gasto. E olhe lá. Tô com os comentaristas que acham que se não for dessa vez (o ouro olímpico), nunca mais, porque esse time não deve ter adversários em Londres. A não ser que dê amarelão em algum jogo e o Brasil entregue a rapadura outra vez.
Moderninhos e feministas de plantão vão cair de pau na Confederação Brasileira de Basquete e na Hortênsia, dizer que ela é uma velha careta e mal-amada, que concentração é uma merda mesmo, e que a Iziane tava dando o que é dela, portanto ninguém devia se incomodar com isso. E mais: que ela é a melhor do time e sem ela a seleção vai dançar. Não concordo.
Primeiro, entre Hortênsia e Iziane, eu fico com a Hortênsia. Como jogadora e como atleta, não dá nem pra Iziane cheirar o chulé do tênis da Hortênsia, se é que tem chulé. Em matéria de seleção, a Iziane nunca fez nada. É só uma criadora de casos, mascarada até a alma, que já ficou fora das Olimpíadas de Pequim porque se recusou a voltar pra quadra num jogo preparatório, quando o então técnico Paulo Bassul mandou. Depois, derrubaram o Bassul e ela voltou. Mas já devia ter levado uma espinafração da Hortênsia quando disse à Folha de São Paulo que, entre a seleção e seu time da WNBA – liga feminina dos EUA – preferia o time, “porque seleção não paga as contas no fim do mês”. Se eu mandasse numa seleção e um jogador dissesse isso em público, tava fora. Mas levaram a baranga pra Londres e, nem chegou lá, já pagou esse vexame na França, onde a seleção está disputando um torneio preparatório.
Segundo, estou com o Wlamir Marques, hoje comentarista da ESPN e que foi um dos maiores jogadores de basquete do Brasil em todos os tempos. Ele disse que a Iziane não faz falta à seleção, que vai perder ou ganhar com ou sem ela, como já aconteceu outras vezes, e pelo seu mau comportamento ela não deve estar no grupo. Falou franco e falou bem. Não dourou a pílula e nem ficou em cima do muro pra fazer média com a mulherada.
Terceiro, a entrevista e as lágrimas da Iziane são uma hipocrisia. Se Hortênsia e a CBB atenderem ao apelo dela pra reconsiderarem o corte, vai virar bagunça no hotel da seleção. Agora, ela diz que errou, pede perdão e tal, mas disse que levou o “namorado” não uma vez, mas várias, pra dormir com ela na concentração.  
Só agora, depois de cortada, acha que errou e pede penico. 
Quando o Ronaldinho Gaúcho levou uma mulher pro quarto da concentração do Flamengo, no Paraná, foi um escândalo nacional. Agora, se perdoarem a Iziane, vão ter que deixar até suruba na concentração, se alguém quiser fazer.
Será que não dava pra segurar o tesão até um dia de folga e trepar fora da concentração?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Vasco goleia o Flamengo por 10 a 0 e vai à final da Supercopa de Clubes

 - Por Jorge Wamburg - 
Botafogo, que derrotou o Sport Recife por 7 a 4, é o adversário na decisão.
Decisão Vasco X Botafogo no sábado 12h.  
O Vasco estendeu para a areia a crise do rival Flamengo. Isso porque o time da Colina goleou o Rubro-Negro por 10 a 0, na arena montada na sede da Gávea, e garantiu uma vaga na final da primeira Supercopa de Clubes de futebol de areia. Allan (3), Boquinha (3), Luquinhas, André, Jordan e Bueno anotaram os gols da partida. Na decisão, a equipe cruz-maltina vai enfrentar o Botafogo, que derrotou o Sport-PE por 7 a 4 na outra semifinal desta quinta-feira.

Do lado cruz-maltino, Jorginho e Bruno Xavier, que estão atuando no Campeonato Russo, não participaram do jogo. O experiente e camisa 10 Benjamin foi o desfalque do Flamengo. Neste sábado (21), às 10h, será realizado um jogo festivo para oficializar o nome da Arena da Gávea com uma homenagem a um dos precursores da modalidade como “Arena Maestro Júnior”.

Confira os resultados da competição:
Terça-feira (Dia 17)
8h15m – Flamengo (RJ) 4 x 3 Portuguesa (SP)
9h30m – Botafogo (RJ) 6 x 3 Rio Negro (AM)
10h45m – Vasco (RJ) 6 x 3 América (RJ)
12h – Sport Recife (PE) 5 x 3 Avaí (SC)
Quarta-feira (Dia 18)
8h15m – América (RJ) (0)(0)5 × 5(0)(1) Sport Recife (PE)
9h30m – Vasco (RJ) 9×4 Avaí (SC)
10h45m – Portuguesa (SP) 2 x 1 Botafogo (RJ)
12h – Flamengo (RJ) 9 x 3 Rio Negro (AM)
Quinta-feira (Dia 19)
8h15m – Rio Negro (AM) 5 x 4 Portuguesa (SP)
9h30m – Botafogo (RJ) (2)(0)5 x 5(0)(1) Flamengo (RJ)
10h45m – Avaí (SC) 1 x 6 América (RJ)
12h – Sport Recife (PE) 4 x 3 Vasco (RJ)
Sexta-feira (Dia 20)
semifinal 1 – Flamengo 0 x 10 Vasco (9h30min)
semifinal 2 - Sport 4 x 7 Botafogo (10h45min)
Sábado (Dia 21)
Final - Vasco x Botafogo (12h)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Dia do Futebol: muito melhor sem Havelange e Teixeira

 - Por Jorge Wamburg - 
Abro o jornal e me deparo com um anúncio de banco comemorando, hoje, o Dia do Futebol.  
Acho que só ele (o banco) sabe disso, porque não vi nada, em lugar nenhum, registrando tal data. Nada na TV, aberta ou paga, nada na Internet, nenhuma matéria de jornal.  
Mas o anúncio é de página inteira, com um texto cheio de poesia de porta de botequim, tipo “Acreditamos que para conquistar o mundo é preciso apenas 90 minutos”. 
Custou uma grana, ainda mais que é no Globo, e banco não joga pra perder (já que estamos falando de futebol...). 
Então, deve ser verdade.Tanto que, lá no finalzinho, ele dá o seu recado: “Uma homenagem do banco oficial da Seleção Brasileira de Futebol e da Copa do Mundo da Fifa 2014 à nossa maior paixão”.

Tá explicado. Vou à Internet e encontro a história: “A escolha da data se deu através da CBF – Confederação Brasileira de Futebol – para homenagear o primeiro time registrado como clube no Brasil, o Sport Clube Rio Grande, fundado em 1900”. 
Acho que nem a CBF se lembra mais disso, porque também não vi nenhuma comemoração da parte dela por aí. Se não fosse o banco, a data ia passar em branco – sem trocadilho – e acho que nem vale a pena mesmo, depois de tudo que tem acontecido no mundo da bola por aqui e lá fora, principalmente o escândalo de suborno de dois ex-presidentes da entidade, João Havelange e Ricardo Teixeira, pela extinta empresa de marketing ISL, conforme revelou a justiça suíça.

Na verdade, mesmo com a saída dos dois de cena, a CBF continua sob observação, porque o substituto de Teixeira, José Maria Marin, também não é lá flor que se cheire.
Aliás, ouvi dizer que há um movimento em andamento no Rio para tirar o nome de Havelange do Engenhão, o que é uma excelente idéia para punir, pelo menos moralmente, o ex-presidente da CBF e da Fifa. Sem falar que ele também pode ter cassado o cargo de presidente de honra da Fifa, depois de ter ocupado o posto efetivo por 24 anos.

O fato de Havelange estar com 95 anos de idade, não quer dizer nada. Quando ele aceitou a propina, tinha 82. Isso só faz confirmar a sabedoria popular, quando diz:
“Não confie num homem apenas por ele ter cabelos brancos. Os canalhas também envelhecem”.

Se há alguma coisa a comemorar neste 19 de julho, Dia Nacional do Futebol, é justamente o cartão vermelho que eles levaram, sendo obrigados a renunciar aos seus cargos para escapar de possíveis sanções legais ou esportivas. O futebol está muito melhor sem eles.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Cala a Boca, Marin!

 - Por Jorge Wamburg - 
Ainda o propinoduto Havelange-Teixeira-Fifa: essa foi de fazer inveja ao mais sagaz dos mensaleiros do PT que vão ser julgados pelo Supremo – a partir do dia 2 de agosto. A desculpa do hoje presidente da Fifa, Joseph Blatter, pra ter ficado de bico calado quando o então presidente João Havelange e o na época presidente da CBF Ricardo Teixeira foram “propinados” pela extinta ISL em nos anos 90 foi que – acreditem! – “Suborno não era crime!”. Pois essa desculpa pode custar o cargo também ao Blatter, como já custou a Havelange e a Teixeira os que tinham na Fifa, no COI, e No Comitê Organizador da Copa de 2014 e na CBF.

De acordo com o noticiário dessa semana, há uma forte reação na Europa contra a permanência de Blatter no comando da Fifa até 2015, quando haverá eleição para a sua sucessão. E não é só no esporte que estão pedindo a cabeça do suíço: parlamentares europeus já iniciaram um movimento de “Fora Blatter”, inclusive no seu próprio país, onde foram revelados todos os detalhes do escândalo pela justiça, depois de um mal explicado acordo com Havelange e Teixeira para evitar que seus nomes viessem a público. Dizem que vai ser difícil ele segurar a barra até 2015, e talvez também tenha que renunciar antes, tal como Havelange e Teixeira, pra sair de fininho de cena e não levar um processo pelo lombo.

È que, mesmo a Fifa sendo uma entidade privada, tal como a CBF, quando a justiça quer dá um jeito de arranjar um artigo qualquer e enquadrar o cara, nem que seja só pra fazer média com o respeitável público. E Blatter, que de bobo não tem nada, já viu que não vai dar pra continuar dando uma de Pilatos e lavando as mãos ao estilo Lula. A diferença é que enquanto o careca de São Bernardo se desculpava dizendo sobre o Mensalão do PT “Eu não sabia de nada”, o careca de Genebra diz “Eu sabia de tudo, mas não podia fazer nada”.  Acaba dando no mesmo, porque ninguém acredita em nenhum dos dois.

Agora, olhem só o que ainda vem por aí: Havelange, apesar dos seus 95 anos e de ter deixado a presidência da Fifa há mais de uma década para Blatter, ainda não escapou de algum tipo de sanção, pelo menos moral. É que ele ainda é presidente de honra da Fifa, cargo honorífico, mas em conseqüência do qual talvez tenha que dar explicações sobre a propina que recebeu da ISL. Que, pelo que já divulgado, foi pra garantir à empresa suíça (mais tarde falida), os direitos de comercialização da Copa de 94 nos Estados Unidos., quando o brasileiro era o presidente executivo e o suíço o secretário-geral da Fifa. E em reais, foi negócio de R$ 45 milhões pra ele e Teixeira.

Na época, um dos depósitos da propina, equivalente a R$ 2 milhões, caiu na conta da Fifa, em vez de na de Havelange. Mas Blatter não fingiu que não viu como mais tarde, quando o caso foi parar na justiça suíça e já era presidente da Fifa, ainda pagou “fiança” ao tribunal para que manter em sigilo os nomes de Havelange e Teixeira.  A desculpa oficial é de chorar – ou de rir: “Não poderia ter tomado ciência de um delito que não existia”, justiça-se, alegando que, na época essa prática não era crime previsto nas leis suíças, ao contrário do que ocorre hoje.

Sobre a situação de Havelange, agora que tudo foi revelado, Blatter ainda garante que não pode fazer nada, pois só o Congresso da entidade, “pode decidir sobre seu futuro”.

Mas se vocês pensam que é só, tem coisa muito pior. E vem do Zé Maria Marin, sucessor do Teixeira na CBF. Ele confirmou que Ricardo Teixeira continua trabalhando pra CBF lá de Miami, onde se exilou pra fugir do escândalo, depois de renunciar ao cargo, à presidência do Comitê Organizador Local da Copa de 2014 e ao Conselho da Fifa. Pois o Marin, que dobrou o próprio salário de R$ 98 mil pra quase 200 paus logo depois que assumiu, saiu-se com essa: “o que foi divulgado não tem nenhuma relação entre Ricardo Teixeira e a CBF. Ele continua prestando os mesmos serviços...” Melhor seria ter ficado calado, pra não dizer uma besteira dessas. Quais serão os serviços que Teixeira presta? Digamos, tipo aqueles que prestou pra ISL?

Besteirol do Correio
Não posso deixar passar essa: esta semana, na matéria do Correio Brasiliense sobre o caso do jogador de basquete aqui de Brasília que ficou gravemente ferido quando a tabela caiu sobre ele ao dar uma enterrada, o repórter saiu-se com essa (página 6/7, edição de 14/7):

“A única conclusão da Polícia Civil é que o acidente não foi premeditado”. Caraca! E o pior é que o editor da matéria e o do Caderno de Esportes engoliram.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Havelange, Teixeira e as reeleições


 - Por Jorge Wamburg - 
Duas notícias de ontem no jornal: a justiça suíça divulgou os documentos do inquérito sobre subornos pagos pela ISL a dirigentes esportivos e confirmou que João Havelange e Ricardo Teixeira receberam gordas – e bota gordas nisso! - (propinas da empresa suíça, hoje, falida); e a Comissão de Desporto e Turismo da Câmara aprovou um projeto proibindo mais de uma reeleição de dirigentes de clubes e federações.

Vejo uma relação entre esses dois fatos porque se esse projeto acabar se tornando lei, aberrações como os casos de Havelange e Teixeira ficarão mais difíceis de acontecer, embora não impossíveis, porque , como diz o ditado, a ocasião faz o ladrão.
Mas, pelo menos, dirigentes como eles terão menos tempo para meter a mão em dinheiro sujo – ou se apropriar de dinheiro limpo – como aconteceu nesse episódio da ISL (International, Sports and Leisure), empresa de marketing que tinha exclusividade na comercialização da Copa do Mundo e participação nos direitos de TV, e, mesmo assim, faliu, com um ROMBO de US$ 300 milhões e um ROUBO incalculável! E pouco antes andou de contrato com Flamengo e Grêmio, que levaram baitas prejuízos, mas nunca divulgaram quem levou grana por lá pra assinar esses contratos.

Vale lembrar que esse caso já vinha rolando há muito tempo e foi o motivo da súbita renúncia de Teixeira à presidência da CBF, do Comitê Organizador da Copa de 2014 e do Comitê Executivo da Fifa, para viver um exílio dourado em Miami e assim sair de cena e escapar de qualquer problema no Brasil, principalmente das incômodas matérias da imprensa. Já Havelange está muito idoso – 95 anos - para temer qualquer coisa e, ao contrário do ex-genro que ele colocou na presidência da CBF em 1989, fica por aqui mesmo, mas teve que renunciar ao lugar que ocupava há 48 anos  no Comitê Olímpico Internacional (COI), para não passar a vergonha de ser afastado pelos seus pares quando o suborno fosse confirmado pela justiça suíça, como aconteceu agora.

Esses casos são emblemáticos e mostram a necessidade da transformação em lei do projeto aprovado pela Comissão de Turismo da Câmara, da qual, aliás, fazem parte entre outros, os ex-jogadores Romário, Delei e Darnley, que, tenho certeza, devem ter votado a favor do projeto. Digo que esses casos são emblemáticos porque mostram como é perniciosa não apenas para o esporte em si, mas para a moralidade pública em geral,  a perpetuação de dirigentes esportivos em seus cargos. Até um sujeito como Havelange, que parecia acima do bem e do mal e havia chegado a uma idade quase centenária com uma aura de respeitabilidade por sua carreira no esporte, acabou corrompido e recebeu 1,5 milhão de francos suíços (US$ 1,5 milhão) de propina da ISL, em março de 1997.

Chega a ser inacreditável que um homem como Havelange, naquela idade (82 anos em 97), já muito rico mesmo antes de entrar no esporte por sua atividade como empresário, tenha jogado seu nome na lama e sido corrompido.  Quanto a Ricardo Teixeira, que recebeu 12,7 milhões de francos suíços (US$ 12,44 milhões) de propina da ISL, entre 1992 e 1997, segundo o inquérito suíço, não há o que estranhar. Sua gestão sempre foi marcada por denúncias de mau uso de dinheiro da CBF, mordomias para dirigentes de federações em troca de votos nas suas seguidas eleições e outras irregularidades.

Mas tudo isso só acontece justamente pela sensação de impunidade que o poder em  entidades como a CBF, a Fifa, e os clubes de futebol dá aos seus ocupantes. Teixeira, por exemplo, é um daqueles casos em que Nelson Rodrigues dizia que, quando o sujeito ia a um estádio de futebol ,perguntava ao torcedor do lado: “Quem é a bola?” Até, que em 1989, Havelange, então mais poderoso do que nunca no futebol brasileiro e já presidente da Fifa, disse: “Você vai ser presidente da CBF”; “Eu, mas por que?”; “Porque é meu genro, e preciso de alguém de confiança lá”. E assim foi feita a vontade de Havelange pelos presidentes de federações que formam o colégio eleitoral da CBF. Deu no que deu: Teixeira acabou com o casamento com a filha de Havelange e ficou na CBF até abril deste ano, quando teve que sair pela porta dos fundos e fugir pra Miami, depois de 24 anos de mandato.

Já Havelange se apossou da CBF no final dos anos 50, ganhou as Copas de 58, 62 e 70 e só saiu em 74, quando derrotou o inglês Stanley Rous na disputa pela presidência da Fifa, com uma mensagem anticontinuista, já que Rous estava no cargo há 18 anos. Resultado: Havelange ficou 24 anos no lugar, sempre se reelegendo por conta de compromissos com países de pouca tradição da África e da Ásia para receberem vantagens da Fifa. Era um ícone do futebol brasileiro, com o tricampeonato mundial de 58/62/70 na conta de sua gestão na antiga CBD e a gestão na Fifa, onde só o lado positivo do crescimento do futebol pelo mundo aparecia e as mazelas eram jogadas pra baixo do tapete, principalmente por  uma imprensa cúmplice e subserviente. E continuaria assim pelo resto de sua vida, com aquela cara amarrada que lhe dava um aspecto austero e de grande benfeitor da humanidade, se não fosse a BBC de Londres descobrir a sujeira da ISL e denunciar o escândalo.

Havelange a, agora, é só mais um corrupto no mundo do futebol, na mesma vala comum de tantos por aí. Eu por exemplo, acho que poucos se salvam, principalmente nos clubes de futebol. Se é que alguém se salva.  As mamatas, as mordomias, as propinas, tudo quanto é safadeza rola solta e sem controle. Eu conheço pessoalmente um presidente de clube que assumiu o cargo como  desconhecido advogado de origem portuguesa, que chegava ao clube de fusca e, quando saiu, dez anos depois, foi embora de Mercedes Benz e era dono de uma ilha na Baía de Guanabara! Esse mesmo presidente foi derrubado por um grupo de oposição com uma campanha contra o continuísmo e em defesa da moralidade no clube. Só um dos presidentes que vieram depois dele ficou 18 anos no cargo! Outro, quase emplacou três mandatos (nove anos) e quase levou o clube à falência.

E há muito mais exemplos. Em Minas, em São Paulo, pelo Brasil inteiro, eles só largam o cargo se der uma merda muito grande. Porque no mundo das propinas, sempre sobra pra subornar os conselhos fiscais e dirigentes de futebol, supervisores de clube, o diabo! Pra ninguém dar com a língua nos dentes. Rola propina em tudo, de venda de jogadores a contratos de publicidade, obras, concessão de cantina, o que vier. Ninguém deixa nada passar sem levar algum ou tirar vantagem seja, financeira, seja política (esportiva ou mesmo partidária, já que muitos fazem do clube trampolim para carreira política). Assim se explica tanta venda de jogador que não aparece no balanço do clube e nunca melhora o caixa de nenhum deles. Ninguém presta contas de nada. E, engraçado, que o Ministério Público, sempre metendo o nariz na vida dos outros, deixa tudo pra lá. Humm!

Por isso é que o projeto de uma reeleição só é tão importante. Acho até que está sendo até generoso; diante desse quadro grotesco, devia era proibir reeleição. Mas, admitindo que uma reeleição já melhora as coisas, é preciso, porém,  que algum deputado proponha uma emenda para incluir também as Confederações , como a CBF, que estão fora porque não recebem recursos públicos.  Só os clubes e as federações, que mamam na Timemania, vão ser atingidos e, assim, os Teixeira e Marin da vida (vice - que assumiu no lugar de Teixeira) poderão continuar com suas façanhas. Em tempo: José Maria Marin logo que assumiu, aumentou seu poóprio salário de R$ 98 mil para R$ 166 mil e continua pagando  o salário de quase R$ 100 mil a Ricardo Teixeira como consultor da CBF)

É bom que se diga: a CBF é uma entidade privada, mas ela representa uma verdadeira instituição nacional, de certa forma um patrimônio do país que cinco vezes campeão do mundo de futebol. Portanto, em nome dos princípios constitucionais da moralidade pública  e da eficiência administrativa ela também precisa sofrer alguma limitação por parte da nossa legislação. E pode começar por um freio nas reeleições, para evitar que novos Ricardos Teixeiras apareçam pra mandar – e se aproveitar – no nosso futebol. Quem sabe, a partir daí, se possa impor algum tipo de obrigação de prestar contas do dinheiro que rola por lá ao torcedor brasileiro – em outras palavras, a nós todos – que, no final, é quem banca tudo isso indiretamen

quarta-feira, 11 de julho de 2012

O Juiz ladrão



 - Por Jorge Wamburg - 
Foi em 1978, quando eu morava no Rio de Janeiro, onde nasci e fui criado. Um dia, aliás, uma noite, cheguei em casa do trabalho no Jornal do Brasil, onde era repórter da Editoria de Esportes, e de repente, comecei a sentir dores fortíssimas na barriga. Eram as dores mais fortes que já tinha sentido, que me faziam rolar e gritar na cama, deixando Luzia, minha mulher, desesperada e sem saber o que fazer.

Meu carro estava na garagem, mas ela não dirigia. Então pediu socorro aos vizinhos. Vieram dois que moravam no nosso andar e tiveram que me carregar até o carro de um deles, porque eu não conseguia andar. Me levaram para o Hospital São Lucas, em Copacabana, que tinha atendia pelo meu plano de saúde e fui imediatamente internado para exames, além, é claro medicado com analgésicos para aliviar a dor.

O diagnóstico veio horas depois: cálculo renal encravado na uretra. A solução talvez fosse cirúrgica, mas o urologista que me atendeu resolveu dar tempo à natureza, para que eu expelisse a pedra – que não tinha mais do que dois milímetros – naturalmente.  Fiquei internado num apartamento com camas para dois pacientes à espera de que meu organismo colaborasse pra não entrar na faca. Que nada!. Depois de 48 horas de espera, a pedra não saiu e veio a palavra final: tem que operar. E assim foi. Correu tudo bem, tiraram a pedra e eu fui para casa no início da semana seguinte.

Até aí, nada de mais, nem de menos. Cálculo renal é uma cirurgia banal, geralmente sem complicações e que hoje costuma ser feita a laser, como aconteceu na segunda que me aconteceu, já aqui em Brasília, muitos anos depois. Ao contrário da primeira, que foi com o tradicional bisturi, já que o laser nem existia na época. Mas o curioso dessa história aconteceu quando eu estava internado no São Lucas. Um dia, chegou outro paciente para o mesmo apartamento onde eu estava. O nome dele era Hélio, era juiz de futebol profissional, da Federação Carioca e havia sofrido um acidente de trabalho: rompeu ligamentos do tornozelo quando bandeirava uma partida do campeonato do Rio de Janeiro.

Lógico que eu, jornalista esportivo, e o Hélio, logo começamos a bater-papo sobre futebol.
Uma hora, chega visita pra ele. Era um colega de trabalho, também juiz de futebol, só que, ao contrário do Hélio, era o número 1 do país, do quadro da Fifa, no auge da carreira.
Nem precisava porque, obviamente eu conhecia o cara, mas fomos apresentados pelo Hélio e a conversa rolou animada. O visitante era também líder da classe e estava lá para fazer uma visita oficial ao Hélio, em nome dos colegas.
Lá pelas tantas, ele (visitante) me perguntou se eu era casado. Respondi que sim. Perguntou se eu tinha filho. Um, respondi. O nome? Wladimir.

O juizão perguntou qual o time do garoto, que na época, tinha nove anos de idade. É Vasco, falei com orgulho. O homem, então, pegou um papel na mesinha do Hélio, escreveu alguma coisa e me entregou, dizendo: “Leve para o Wladimir”. Era um autógrafo, com a seguinte dedicatória:

“Para o Wladimir, um abraço do
 Juiz Ladrão
 Arnaldo Cezar Coelho”