- Por Jorge Wamburg -
Eu não quero ser espírito de porco e espinafrar a seleção, depois de uma
vitória por 3 a 1 contra a Dinamarca que está sendo elogiada por todo
mundo, a começar pelo técnico Mano Menezes.
Mas cá pra nós, mesmo não
querendo, não tem outro jeito. O que eu acho é que a gente anda tão
acostumado com o futebol de quinta categoria jogado pela seleção do Mano
que qualquer melhorazinha é saudada como o supra-sumo da essência do
extrato do pó do melhor futebol do mundo, que algum dia, lá pelos idos
do século passado, a nossa seleção jogava.
Porque, cá pra nós, se o primeiro tempo foi surpreendentemente bom e deu
até pra gente achar que, finalmente, tínhamos um bom time com a camisa
amarela, depois de meter 3 a 0 numa apavorada Dinamarca, o segundo tempo
foi de lascar. Nós paramos de jogar e quem jogou bola foi a mesma
Dinamarca, que até merecia um resultado melhor. O problema é que os
dinamarqueses, além de azarados, são mesmo ruins até de chute a gol e
perderam oportunidades daquelas dignas do Inacreditável Futebol Clube.
Acho que a seleção teve algumas coisas positivas, como o Hulk, que não é
nenhum craque mas tem sorte e sabe chutar a gol. É um cara importante
pra determinados jogos chatos em que enfrentarmos times fechados na
defesa, mas ninguém espere dele jogadas de alto nível técnico, que sua
praia é outra. O negócio dele é na base da raça e da porrada – na bola –
que mata qualquer goleiro. Ainda mais quando o da Dinamarca está num
dia de amigo do atacante e chega atrasado nas bolas que vão pro gol,
como aconteceu em dois do Hulk.
Portanto, vamos devagar com o andor que o santo é de barro. Vamos ver o
próximo amistoso, contra os Estados Unidos, que ontem sapecou 5 a 1 na
Escócia, e os outros jogos da excursão, pra ver se essa seleção vai ter
mesmo garrafa vazia pra vender nas Olimpíadas de Londres.
domingo, 27 de maio de 2012
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Governo diz que obras dos estádios da Copa não estão atrasadas
- Por Jorge Wamburg -
O último levantamento sobre as obras nos 12 Estádios da Copa de 2014 foi divulgado pelo Ministério do Esporte no dia 3 de abril, no Portal da Copa, o site oficial do governo brasileiro sobre o evento que será realizado no Brasil.
Segundo o documento, “a 800 dias de a bola rolar para o Mundial de 2014”, todas as obras estavam dentro do cronograma de trabalho estabelecido. Os percentuais de cada uma têm como base informações de representantes das cidades-sede.
Mineirão – Belo Horizonte
Foto: Sylvio Coutinho
A arquibancada inferior, setor com aproximadamente 23 mil cadeiras, já é visível. Na esplanada, espaço de 80 mil metros no entorno do estádio, 54% das peças pré-moldadas foram instaladas. A obra soma 1.850 operários em atividade, atingiu 55% de execução e tem três gruas para transportar materiais da parte externa para a interna. O novo Mineirão contará com 64 mil assentos, restaurante com vista para o campo e 80 camarotes. O estacionamento terá 2.521 vagas para carros, sendo 1.534 cobertas. A previsão é de que seja entregue em 21 de dezembro de 2012. Simulações de fluxo feitas por software especializado prevêem a evacuação completa do estádio em até 8 minutos.
Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha
Arena Pantanal - Cuiabá
Arena da Baixada – Curitiba
Castelão - Fortaleza
Arena das Dunas - Natal
Arena Amazônia - Manaus
Arena Pernambuco - Recife
Beira-Rio – Porto Alegre
Maracanã – Rio de Janeiro
Fonte Nova - Salvador
Arena de Itaquera – São Paulo
O último levantamento sobre as obras nos 12 Estádios da Copa de 2014 foi divulgado pelo Ministério do Esporte no dia 3 de abril, no Portal da Copa, o site oficial do governo brasileiro sobre o evento que será realizado no Brasil.
Segundo o documento, “a 800 dias de a bola rolar para o Mundial de 2014”, todas as obras estavam dentro do cronograma de trabalho estabelecido. Os percentuais de cada uma têm como base informações de representantes das cidades-sede.
Mineirão – Belo Horizonte
Foto: Sylvio Coutinho
A arquibancada inferior, setor com aproximadamente 23 mil cadeiras, já é visível. Na esplanada, espaço de 80 mil metros no entorno do estádio, 54% das peças pré-moldadas foram instaladas. A obra soma 1.850 operários em atividade, atingiu 55% de execução e tem três gruas para transportar materiais da parte externa para a interna. O novo Mineirão contará com 64 mil assentos, restaurante com vista para o campo e 80 camarotes. O estacionamento terá 2.521 vagas para carros, sendo 1.534 cobertas. A previsão é de que seja entregue em 21 de dezembro de 2012. Simulações de fluxo feitas por software especializado prevêem a evacuação completa do estádio em até 8 minutos.
Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha
Foto: Mary Leal
As obras chegaram a 54% de execução, com as vigas da arquibancada intermediária, o segundo pavimento, os blocos de esplanada e a arquibancada inferior terminados. A arena, que teve a cobertura licitada, receberá a abertura da Copa das Confederações, em 2013, e sete jogos da Copa de 2014, incluindo um da Seleção Brasileira, na primeira fase, uma partida das quartas de final e a disputa de terceiro e quarto lugares.Arena Pantanal - Cuiabá
Foto: Uol Esporte
Palco de quatro jogos da Copa do Mundo de 2014, a Arena Pantanal começa a ganhar forma com a construção das arquibancadas inferiores e superiores. A previsão é de que até o fim de abril os setores Norte e Oeste estejam com as partes de concreto e metal montadas, assim como a primeira laje contínua, unindo os dois lados. A obra conta com 650 operários e já alcançou 43% do total previsto.Arena da Baixada – Curitiba
Foto: FIFA/Divulgação
O estádio do Atlético-PR tem 52% das obras de adaptação para receber quatro partidas da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014 executadas. Das novas intervenções, que incluem parte da arena, centro de imprensa e estacionamento, 11% estão concluídas. O projeto de adaptação às exigências da FIFA inclui a finalização do setor de arquibancadas paralelo ao gramado, a remodelação da cobertura e a ampliação da capacidade para 42 mil pessoas.Castelão - Fortaleza
Foto: Secopa
De acordo com o último relatório do consórcio construtor, 60,44% do projeto de reforma estão concluídos. Já estão sendo erguidos os primeiros pilares que vão dar sustentação à cobertura. Do total, serão 60 pórticos de aço que devem ser finalizados em abril. A conclusão da terceira etapa deve ser antecipada de setembro para julho e, de maio a setembro, será feita a montagem da cobertura. Em setembro está previsto, ainda, o início da instalação das cadeiras.Arena das Dunas - Natal
Foto: Tiago Falqueira
As obras de construção da Arena das Dunas, que receberá quatro partidas da Copa do Mundo, superaram 20,56% de execução. A fase de fundações está avançada e a de superestrutura teve início. O número de operários chegou a 600. A arena potiguar terá capacidade para 45 mil pessoas. A previsão é de que o trabalho seja finalizado em dezembro de 2013.Arena Amazônia - Manaus
Foto: Danilo Mello
A Arena Amazônia, com 38% das obras concluídas, será palco de quatro confrontos previstos para a fase de grupos do Mundial. Os duelos serão válidos pelos grupos A, D, E e G. Em 25 de junho de 2014, a seleção cabeça de chave do grupo E, normalmente uma das grandes equipes do torneio, estará em campo. O estádio terá capacidade de 43.710 lugares. A conclusão das obras está prevista para junho de 2013, a um custo estimado de R$ 533,2 milhões, de acordo com a Matriz de Responsabilidade.Arena Pernambuco - Recife
Foto: Bobby Fabisak
Sede de cinco jogos da Copa do Mundo da FIFA 2014 e candidata a receber confrontos da Copa das Confederações, a Arena Pernambuco, que está sendo construída em São Lourenço da Mata, superou, em março, 32% das obras concluídas. As fundações estão quase finalizadas, com 95% da execução realizada. O estádio está orçado, segundo a Matriz de Responsabilidade, em R$ 500 milhões e terá capacidade para 46 mil pessoas, com 4,7 mil vagas de estacionamento.Beira-Rio – Porto Alegre
Foto: Angular Fotografias
Com as obras retomadas em março, teve início a demolição dos vestiários de visitantes e da arbitragem, ao lado do Portão 4 do Beira-Rio. Para a reforma, que estava 20% concluída antes da retomada, a capacidade da arena será diminuída em dias de jogo. Passará de 42 mil para 36 mil lugares. Um trecho da arquibancada abaixo das cadeiras perpétuas (antiga social) ficará interditado. No pico das obras, serão 1,5 mil operários trabalhando.Maracanã – Rio de Janeiro
Foto: Consórcio Maracanã Rio 2014
A reforma no Estádio Mário Filho, o Maracanã, atingiu 39% de avanço físico. A arquibancada inferior está em fase de construção da estrutura, aterro da área e instalação de pré-moldados. A finalização do fechamento do anel da arquibancada está prevista para setembro. Na parte da cobertura, foi iniciada a perfuração de 60 pilares para instalação da ancoragem. A construção das 110 unidades de camarotes já foi iniciada, com a preparação da laje.Fonte Nova - Salvador
Foto: Folhapress
Sede de seis jogos da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 e candidata a receber partidas da Copa das Confederações, em 2013, a Arena Fonte Nova está com as obras 55% concluídas. O estádio terá capacidade para 50 mil espectadores com assentos cobertos, 90 camarotes, 2,5 mil assentos VIP, restaurante panorâmico com vista para o estádio e para o Dique do Tororó e cerca de duas mil vagas de estacionamento.Arena de Itaquera – São Paulo
Foto: Divulgação/Odebrecht
Sede da abertura da Copa, o estádio do Corinthians tem 30% das obras executadas. Já foram cravadas 3.368 estacas, concretados 569 blocos, instalados 140 pilares e assentados 388 degraus, além de 96 vigas jacaré e 778 lajes. Em março, o número de funcionários chegou a 1.664, e, durante o pico, alcançará dois mil. Um convênio foi assinado para receber 300 egressos do sistema carcerário em obras da construtora no estado, incluindo a da arena em Itaquera.
domingo, 20 de maio de 2012
Lei da Copa: criminosa herança de Lula
- Por Jorge Wamburg -
Dilma Rousseff deve sancionar nesta semana o projeto da Lei Geral da Copa, aprovado pelo Senado há quinze dias, e que, na ocasião classifiquei de crime de lesa-pátria, pelo seu conteúdo altamente danoso aos interesses do país para beneficiar a Fifa e seus chefões.
Volto ao assunto para mostrar, com base no relatório da senadora Ana Amélia Lemos (PT/RS), a falta de escrúpulos dos autores desse projeto – assinado por Dilma Rousseff para cumprir o criminoso compromisso firmado por Lula com a Fifa em 2007. Um presente que ele deu aos gringos, em autentico ato de prevaricação que deveria ter-lhe custado o cargo com um processo de impeachment.
Como disse o senador Álvaro Dias (PDT/PR), durante os debates do projeto no plenário do Senado, Lula agiu como um ditador, ao assinar compromisso com uma entidade privada internacional para mudar a legislação do país e atender as exigências da Fifa, com isenções fiscais absurdas, entre outros privilégios financeiros e, pior ainda, mudanças até na legislação penal, para criar – pasmem! - tribunais de exceção destinados a julgar e botar na cadeia quem desrespeitar a exclusividade de venda das bugigangas da Copa que ela patrocinar. Fora, é claro, a supressão do artigo do Estatuto do Torcedor que proíbe venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol, para que os turistas possam tomar seus porres sem problemas com a cerveja de um dos patrocinadores durante os jogos da Copa.
Não fosse o Brasil o curral petista de hoje, Lula deveria ter sido processado por crime de responsabilidade por esse abuso de poder. Ele se comportou, segundo Álvaro Dias, como ditador de uma republiqueta de bananas qualquer, ficando de cócoras ou de joelhos para a Fifa, na ânsia de agradá-la para ganhar o direito de promover a Copa. Digo eu: de cócoras ou de joelhos é uma benevolência do senador quanto à posição do ex-barbudo de São Bernardo no episódio.
Se acham que estou exagerando, vou reproduzir um trecho do parecer da senadora Ana Amélia sobre o projeto, em que ela, evidentemente constrangida, porque é uma jornalista respeitada e honesta explica porque não pode acatar emendas que pretendiam retirar do texto a supressão do Artigo 13A do Estatuto do Torcedor, que proibia bebida nos estádios: é a Cláusula nº 8 das garantias dadas pelo governo Lula à Fifa. Para lavar as mãos, Ana Amélia transcreveu um parágrafo dessa garantia, que demonstra a inacreditável submissão do governo Lula à Fifa, numa demonstração descaso com os demais poderes da República e a própria soberania nacional.
“(...) Afirmamos e garantimos também à Fifa, e asseguramos , que não existirão restrições legais ou proibições sobre a venda , publicidade ou distribuição de produtos das Afiliadas Comerciais, inclusive alimentos e bebidas, nos estádios ou em outros locais durante as competições e que não haverá restrições legais sobre a exploração dos Direitos de Mídia, direitos de Marketing, marcas e outros direitos de propriedade intelectual e comercial(...)”
Não sei se vocês tiveram vontade de vomitar ao ler essa aberração, mas eu tive!
Conforme relata a senadora Ana Amélia Lemos no seu parecer, “em 15 de setembro de 2007, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro do Esporte, Orlando Silva, enviaram à Fifa ofício assumindo garantias legislativas e legais, às quais o Brasil se comprometia como candidato à sede da Copa do Mundo de 2014”.
Mas Lula e Orlando não agiram sozinhos: a Cláusula nº 8, que trata da Proteção e Exploração de Direitos Comerciais, foi subscrita também pelos então ministros da Justiça, Tarso Genro; do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge; da Cultura, João Luiz Silva Ferreira (Juca Ferreira) e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Machado Rezende.
Isso é Formação de Quadrilha, crime previsto no Código Penal Brasileiro!
Vejam bem: eles se uniram num compromisso criminoso de favorecimento à Fifa. Quatro anos antes de ser enviado ao Congresso – já pelo governo Dilma – o projeto da Lei Geral da Copa eles afirmam, garantem e asseguram (termos da Cláusula 8) que não existem nem existirão “restrições legais ou proibições sobre a venda, publicidade ou distribuição de produtos das afiliadas comerciais, inclusive alimentos e bebidas, nos estádios ou em outros locais durante as competições e que não haverá restrições legais sobre a exploração dos Direitos de Mídia (...)”.
Como poderiam dar tais garantias, passando por cima do Congresso e do Judiciário, o primeiro encarregado de elaborar a legislação e o segundo do controle da legalidade no país? Só o fizeram na certeza da impunidade, como de fato aconteceu. E isso só foi possível porque tal compromisso sempre foi mantido em sigilo, escondido do Congresso, do Judiciário da imprensa e da opinião pública em geral. Somente Lula e seus cinco ministros sabiam exatamente o que eram as tais garantias, que não apareceram na Matriz de Responsabilidades assinada com governos estaduais e prefeituras das cidades-sedes da Copa com o governo federal (leia-se governo Lula) para definir as áreas de atuação de cada um (financiamentos, obras de mobilidade urbana e estádios).
O documento assinado por eles em 15 de junho de 2007 foi o segredo mais bem guardado do país durante cinco anos, sem nenhum vazamento até agora, quando a senadora Ana Amélia leu a Cláusula 8 no Senado. Isso explica porque Dilma demorou tanto a mandar o projeto da Lei Geral ao Congresso, e só fez depois de seguidas reclamações públicas do presidente da Fifa, Joseph Blatter, e seu principal acólito, Jeröme Välcke, aquele que ameaçou um pontapé no traseiro do Brasil por causa da demora na aprovação do projeto. Dilma, certamente hesitou em colocar sua assinatura naquela, mas não teve como resistir à pressão e de Lula, sob o argumento de que o Brasil não poderia deixar de honrar um compromisso internacional assumido pelo ex-presidente.
Foi o que disse ao Senado a senadora Ana Amélia Lemos: “Se hoje viéssemos a proibir a venda de bebidas por meio de lei federal, no caso o Estatuto de Defesa do Torcedor, por esta proposição (o projeto da Lei Geral da Copa), o que estaria em jogo seria a imagem do país. O Brasil assumiu, por meio de seu Presidente, um compromisso pela liberação da venda de bebidas. A mudança de posição da Fifa em 2009 passa a incluir a liberação de bebidas alcoólicas entre as bebidas que devem ter venda liberada”.
Por hoje é só. Mas tem muito mais nesse projeto, já quase lei, que precisa ser colocado em pratos limpos. E vou continuar remexendo nessa sujeira.
sábado, 19 de maio de 2012
Que vergonha, Marin!
- Por Jorge Wamburg -
A deterioração moral da CBF não acabou com a saída de Ricardo Teixeira. Seu sucessor não teve o menor escrúpulo de passar a mão na grana de entidade para encher o próprio bolso, dobrando o próprio salário, como revela neste sábado (19) reportagem da Folha de São Paulo, da qual reproduzo o resumo que está na edição online do jornal (www.folha.com).
O presidente da CBF, José Maria Marin, aumentou, em menos de dois meses no cargo, o seu próprio salário e o dos principais integrantes da cúpula da entidade. Ele recebe R$ 160 mil mensais desde abril -- seu antecessor, Ricardo Teixeira, ganhava R$ 98 mil.
Essas informações estão na reportagem assinada por Sérgio Rangel. A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.
O texto publicado neste sábado também informa que, com o cargo de assessor especial da presidência, Marco Polo Del Nero, dirigente da Federação Paulista de Futebol, ganha um salário da CBF: R$ 130 mil por mês.
ENTIDADE DIZ NÃO FALAR SOBRE RENDIMENTOS
Via assessoria de imprensa, a CBF informou que não comentaria o valor dos salários dos seus profissionais. A entidade se limitou a declarar que não existe equiparação salarial entre os diretores. José Maria Marin está fora do Brasil. Ele assiste hoje a decisão da Copa dos Campeões na Alemanha.
Diante disso, só me resta dizer, parafraseando o Boris Casoy:
ISTO É UMA VERGONHA!
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Lei da Copa: quem não estiver satisfeito, dane-se!
- Por Jorge Wamburg -
O Senado vai sacramentar logo mais o crime de lesa-pátria chamado Lei Geral da Copa, perpetrado pelo governo Lula e chancelado pela sua sucessora para cumprir os compromissos que ele assumiu coma Fifa, em 2007, para garantir a sede da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, trazendo como lambuja a Copa das Confederações de 2013.
Foto: José Cruz/ABr.
Não vou me alongar mais no assunto, porque já demonstrei aqui não só a inconstitucionalidade dessa aberração jurídica, que dá à Fifa o poder de um governo paralelo nas 12 cidades-sedes da Copa, até para mandar prender e mandar soltar quem vender uma flâmula na rua sem a sua autorização.Hoje, só quero falar da cara de pau do puxa-saco-mor do governo no Senado, o líder Eduardo Braga (PMDB/), que justificou a iminente aprovação da lei com o argumento de que o Brasil apresentou uma “garantia máster” perante a Fifa e, na época, nenhuma frente parlamentar questionou os compromissos firmados de “forma pública e transparente. Então, nós não podemos agora quebrar contrato ou retardar a aprovação da Lei Geral da Copa, tendo em vista que já estamos a praticamente a dois anos da realização do evento”.
Esse argumento é tão falso quanto outras mentiras que ele usou pra justificar a aprovação da Lei no Senado conforme foi votada na Câmara, sem nenhuma emenda que tire do texto o que a Fifa mandou o governo botar. E desafio que me provem que, quando o Lula fez esse arrego com a Fifa, alguém, nesse país e no resto do mundo, ficou sabendo que entre os “compromissos” assumidos por ele estava a permissão da venda de cerveja que patrocina a Copa no estádios; que ia ser alterado o Código Penal pra botar na cadeia quem vender alguma merda patenteada pela Fifa; que ia ser cria uma zona de exclusão nos arredores dos estádios da Copa onde o comércio só vai poder vender o que a Fifa autorizar; que o governo vai ter que indenizar a Fifa por qualquer prejuízo que ela tenha,seja ou não responsável pelo dano; que qualquer gringo maconheiro ou cheirador de pó vai poder entrar no país só com o ingresso na mão, sem precisar de passaporte, identidade ou o cacete, como se exige da gente pra viajar pro exterior; e que quem não estiver satisfeito, DANE-SE!
domingo, 29 de abril de 2012
Botafogo, um freguês de caderno, menos nas decisões com o Vasco
- Por Jorge Wamburg -
Neste domingo, Vasco e Botafogo decidem a Taça Rio para saber quem vai enfrentar o Fluminense na final do estadual, dentro de uma semana.
O curioso é que o Botafogo leva vantagem nas decisões, de 7 a 1, mas é o maior freguês do Vasco nos clássicos cariocas: venceu apenas 84 contra 140 dos vascaínos, e empatou 96 dos 320 jogos que disputaram até agora. E levou 509 gols contra os 431 que marcou.
São números realmente impressionantes, mas que nos encontros decisivos, caprichosamente, viram a casaca. Os vascaínos não entendem como essa freguesia muda de lado só nas decisões, mas o fato é que o Batafogo, mesmo com times inferiores na maioria das vezes, se dá bem. E às vezes até leva a melhor num ou noutro jogo que não vale título, como esse ano mesmo, quando meteu um doloroso 4 a 0 nos vascaínos, durante o campeonato.
Como diz a superstição botafoguense, tem coisas que só acontecem com o Botafogo. Se não, como explicar os resultados das 8 decisões disputadas até agora com o Vasco, como mostro abaixo:
Carioca de 48 – Botafogo 3 x 1 Vasco (12/12/48)
Taça Guanabara de 65 – Vasco 2 x 0 Botafogo (05/09/65)
Torneio Rio-SP de 66 – Botafogo 3 x 0 Vasco (27/3/66)*
Campeonato Carioca de 68 – Botafogo 4 x 0 Vasco (09/06/68)
Campeonato Carioca de 90 – Botafogo 1 x 0 Vasco (29/07/90)
Taça Guanabara de 97 – Botafogo 1 x 0 Vasco (30/03/97)
Campeonato Carioca de 97 – Botafogo 1 x 0 Vasco (08/07/97)
Taça Guanabara de 2010 – Botafogo 2 x 0 Vasco (21/02/10)
Neste domingo, Vasco e Botafogo decidem a Taça Rio para saber quem vai enfrentar o Fluminense na final do estadual, dentro de uma semana.
O curioso é que o Botafogo leva vantagem nas decisões, de 7 a 1, mas é o maior freguês do Vasco nos clássicos cariocas: venceu apenas 84 contra 140 dos vascaínos, e empatou 96 dos 320 jogos que disputaram até agora. E levou 509 gols contra os 431 que marcou.
São números realmente impressionantes, mas que nos encontros decisivos, caprichosamente, viram a casaca. Os vascaínos não entendem como essa freguesia muda de lado só nas decisões, mas o fato é que o Batafogo, mesmo com times inferiores na maioria das vezes, se dá bem. E às vezes até leva a melhor num ou noutro jogo que não vale título, como esse ano mesmo, quando meteu um doloroso 4 a 0 nos vascaínos, durante o campeonato.
Como diz a superstição botafoguense, tem coisas que só acontecem com o Botafogo. Se não, como explicar os resultados das 8 decisões disputadas até agora com o Vasco, como mostro abaixo:
Carioca de 48 – Botafogo 3 x 1 Vasco (12/12/48)
Taça Guanabara de 65 – Vasco 2 x 0 Botafogo (05/09/65)
Torneio Rio-SP de 66 – Botafogo 3 x 0 Vasco (27/3/66)*
Campeonato Carioca de 68 – Botafogo 4 x 0 Vasco (09/06/68)
Campeonato Carioca de 90 – Botafogo 1 x 0 Vasco (29/07/90)
Taça Guanabara de 97 – Botafogo 1 x 0 Vasco (30/03/97)
Campeonato Carioca de 97 – Botafogo 1 x 0 Vasco (08/07/97)
Taça Guanabara de 2010 – Botafogo 2 x 0 Vasco (21/02/10)
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Senadores vetam Välcke e convidam Blatter para audiência sobre Copa
- Por Jorge Wamburg -
A presença do secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jerôme Välcke, no Senado, onde deveria falar na próxima quarta-feira 11 sobre o projeto de Lei Geral da Copa em audiência conjunta das Comissões de Educação, Cultura e Esporte, Constituição e Justiça (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE) foi vetada pelos três relatores e o presidente Fifa, Joseph Blatter, foi convidado a vir em seu lugar, mas ainda não deu resposta.
Segundo a senadora Ana Amélia (PT/RS), relatora do projeto de lei do Executivo, já aprovado pela Câmara, a decisão foi tomado em conseqüência da ainda da declaração de Välcke quando o projeto estava sendo debatido pelos deputados, de que o Brasil deveria levar “um pontapé no traseiro” para acelerar a aprovação do texto, que estabelece normas legais para a realização das Copas das Confederações, em 2013 e do Mundo, em 2014.
“Nós não queremos que o Sr. Välcke tenha mais exposição do que o necessário. Por isso, resolvemos cancelar a audiência que estava marcada para quarta-feira e convidar o Sr. Blatter, pois ele é quem manda e na Fifa. Além disso, quando o secretário-geral esteve na Câmara de pouco adiantou para as discussões do projeto”, disse a senadora do Rio Grande do Sul. Os outros relatores são os senadores Vital do Rego (PMDB-PB), da CCJ, e Francisco Dornelles (PP-RJ), da CAE.
Segundo Ana Amélia, a decisão de rejeitar Välcke foi uma reação à sua declaração que, para os senadores, ”ofendeu não apenas o governo e o Congresso, mas o país. Depois, veio a nota da Fifa, que explica mas não justifica aquela declaração. Quem entende francês, sabe que ele quis mesmo dizer o que disse, foi descortês e deselegante”, comentou a senadora petista. Ela disse que se Blatter não quiser vir ao Senado, “o problema é dele” e o projeto será analisado sem ouvir a Fifa.
No ofício enviado à Fifa – disse Ana Amélia – para desconvidar Välcke, a explicação oficial do Senado é que, em função de ter sido ampliada a discussão sobre a Lei Geral da Copa, com participação de três Comissões na análise do projeto, as perspectivas são de maior rapidez e eficiência na tramitação, o que leva os senadores a considerarem necessária presença do próprio presidente da Fifa e não de seu representante.
Amanhã (10), às 10h00, as três comissões vão realizar audiência conjunta para ouvir o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. A audiência pública vai iniciar a tramitação do projeto no Senado e Ana Amélia disse que, a partir daí, os senadores saberão o que o governo quer manter ou modificar no texto aprovado pela Câmara. Ela disse que os senadores já começaram a apresentar emendas ao projeto, cuja votação final será em plenário, pois a tramitação nas comissões não será terminativa.
“O que a Câmara decidiu parece ser uma coisa razoável. E nós deveremos votar o projeto até maio. A questão mais polêmica continua sendo a liberação da bebida alcoólica nos estádios durante a Copa (das Confederações e do Mundo) e isso deve ficar mesmo a cargo dos estados, com mudanças nas legislações estaduais onde esse comércio é proibido, como o Rio Grande do Sul, que é o meu estado”, explicou a senadora do PT.
A presença do secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jerôme Välcke, no Senado, onde deveria falar na próxima quarta-feira 11 sobre o projeto de Lei Geral da Copa em audiência conjunta das Comissões de Educação, Cultura e Esporte, Constituição e Justiça (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE) foi vetada pelos três relatores e o presidente Fifa, Joseph Blatter, foi convidado a vir em seu lugar, mas ainda não deu resposta.
Segundo a senadora Ana Amélia (PT/RS), relatora do projeto de lei do Executivo, já aprovado pela Câmara, a decisão foi tomado em conseqüência da ainda da declaração de Välcke quando o projeto estava sendo debatido pelos deputados, de que o Brasil deveria levar “um pontapé no traseiro” para acelerar a aprovação do texto, que estabelece normas legais para a realização das Copas das Confederações, em 2013 e do Mundo, em 2014.
“Nós não queremos que o Sr. Välcke tenha mais exposição do que o necessário. Por isso, resolvemos cancelar a audiência que estava marcada para quarta-feira e convidar o Sr. Blatter, pois ele é quem manda e na Fifa. Além disso, quando o secretário-geral esteve na Câmara de pouco adiantou para as discussões do projeto”, disse a senadora do Rio Grande do Sul. Os outros relatores são os senadores Vital do Rego (PMDB-PB), da CCJ, e Francisco Dornelles (PP-RJ), da CAE.
Segundo Ana Amélia, a decisão de rejeitar Välcke foi uma reação à sua declaração que, para os senadores, ”ofendeu não apenas o governo e o Congresso, mas o país. Depois, veio a nota da Fifa, que explica mas não justifica aquela declaração. Quem entende francês, sabe que ele quis mesmo dizer o que disse, foi descortês e deselegante”, comentou a senadora petista. Ela disse que se Blatter não quiser vir ao Senado, “o problema é dele” e o projeto será analisado sem ouvir a Fifa.
No ofício enviado à Fifa – disse Ana Amélia – para desconvidar Välcke, a explicação oficial do Senado é que, em função de ter sido ampliada a discussão sobre a Lei Geral da Copa, com participação de três Comissões na análise do projeto, as perspectivas são de maior rapidez e eficiência na tramitação, o que leva os senadores a considerarem necessária presença do próprio presidente da Fifa e não de seu representante.
Amanhã (10), às 10h00, as três comissões vão realizar audiência conjunta para ouvir o ministro do Esporte, Aldo Rebelo. A audiência pública vai iniciar a tramitação do projeto no Senado e Ana Amélia disse que, a partir daí, os senadores saberão o que o governo quer manter ou modificar no texto aprovado pela Câmara. Ela disse que os senadores já começaram a apresentar emendas ao projeto, cuja votação final será em plenário, pois a tramitação nas comissões não será terminativa.
“O que a Câmara decidiu parece ser uma coisa razoável. E nós deveremos votar o projeto até maio. A questão mais polêmica continua sendo a liberação da bebida alcoólica nos estádios durante a Copa (das Confederações e do Mundo) e isso deve ficar mesmo a cargo dos estados, com mudanças nas legislações estaduais onde esse comércio é proibido, como o Rio Grande do Sul, que é o meu estado”, explicou a senadora do PT.
domingo, 25 de março de 2012
Lei Geral da Copa é um gol contra a Constituição
- Por Jorge Wamburg/Blog Esporte Online -
Tenho em mãos um parecer da professora de Direito Constitucional Denise Vargas, de Brasília, sobre o projeto de Lei Geral da Copa (na verdade, das Copas das Confederações de 2013 e do Mundo de 2014).
É importante conhecer essa análise porque ela demonstra as agressões que vão ser praticadas à Lei Maior e à soberania do país por esse entulho autoritário (apesar de legal, depois de aprovado pelo Congresso) que o governo de Dilma Rousseff está nos impondo para cumprir os compromissos que Lula assumiu com a Fifa, para ter o direito (???) de fazer a Copa do Mundo de 2014 aqui.
Ao ler o parecer, qualquer pessoa de bom senso pode ver que o Congresso teria a obrigação de rejeitar esse lixo inconstitucional, que cria um governo paralelo no país presidido por Joseph Blatter, o todo poderoso da Fifa.
Mas isso não vai acontecer, é obvio, porque o projeto já foi aprovado pela Comissão Especial, vai ser aprovado pela Câmara e, claro no Senado, graças à irresponsável maioria que o governo tem por lá.
Mesmo assim, vale à pena, por um dever de consciência, mostrar ao país, que a Constituição será estuprada para que a gente possa se “divertir” durante os 30 dias da Copa de 2014, com um “aperitivo” em 2013, na Copa das Confederações. Isso sem falar na roubalheira institucionalizada que já estamos vendo na construção de estádios e “obras de mobilidade urbana”, tudo com o beneplácito de Dona Dilma e sua gente.
Segue o parecer da professora Denise Vargas. Tirem suas conclusões. Depois, volto ao assunto.
“O referido projeto, de iniciativa da Presidenta da República, está estruturado em 46 artigos, contidos em cinco capítulos, que tratam de dispositivos gerais, proteção à exploração de direitos comerciais, vistos de entrada e das permissões de trabalho, responsabilidade civil e da venda de ingressos para os eventos em questão.
Um dos pontos mais polêmicos do referido é projeto é quanto à assunção de responsabilidade civil da União por atos ilícitos praticados contra a Fifa, empregados e consultores (art. 29 a 31).
A responsabilidade civil da administração pública encontra raiz no art. 37, §6º da Constituição Federal, que estabelece o dever de indenizar os danos causados por agentes do Estado, objetivamente, isto é, independentemente de culpa.
Em regra, a doutrina e os tribunais interpretam que essa responsabilidade objetiva é aplicável a atos comissivos (por ação), havendo sua mitigação nos casos de condutas omissivas (por omissão).
O referido projeto, todavia, amplia por demais a responsabilidade da União para condutas omissivas. Ademais ele não está adstrito à personalidade da sanção por atos ilícitos, pois permite que a União assuma responsabilidade sem que os danos sejam causados por seus agentes públicos.
Portanto, nesse prisma, entendo ser inconstitucional o referido projeto, por afronta ao art. 37 da Constituição Federal.
Ademais, o art. 36 do referido projeto prevê competência para a Advocacia-Geral da União, em sede administrativa, para resolver litígios entre a União e a Fifa. Subsidiárias Fifa no Brasil, seus representantes legais, empregados ou consultores, mediante conciliação, o que poderia, em determinados casos, implicar em disponibilidade de interesses públicos de caráter patrimonial, violando o art. 100 da Constituição Federal, que regula a expedição de precatórios, diante da impenhorabilidade dos bens públicos.
Outra irregularidade no referido projeto é quanto à hipótese de criação de isenção tributária heteróloga (diferenciada), em violação ao princípio federativo.
Com efeito, como é cediço, a União, em face da autonomia dos demais entes políticos, não detém competência para isentar o pagamento dos tributos estaduais, municipais e distritais. O projeto em tela isenta a Fifa, suas subsidiárias, representantes legais, consultores e empregados do pagamento de custas e demais despesas processuais já justiça federal e estadual. Ora, as custas processuais têm natureza de tributo, não podendo a União realizar a referida isenção quanto às custas na justiça estadual.
No que pertine aos tipos penais, bem abertos, criados pelo projeto, há uma aparente violação ao princípio da isonomia, pois fundamentou-se na criação de tipo penal para atender interesses comerciais da Fifa. O caráter subsidiário do Direito Penal também foi desrespeitado, já que existem medidas mais eficazes para a proteção dos direitos intelectuais do que a tipificação penal. Ademais, a existência de tipos penais abertos demonstra um subjetivismo incompatível com o estágio atual do Direito Penal.
CONCLUSÃO
Diante do exposto, concluímos pela inconstitucionalidade do referido projeto, pelos motivos acima expostos”.
Tenho em mãos um parecer da professora de Direito Constitucional Denise Vargas, de Brasília, sobre o projeto de Lei Geral da Copa (na verdade, das Copas das Confederações de 2013 e do Mundo de 2014).
É importante conhecer essa análise porque ela demonstra as agressões que vão ser praticadas à Lei Maior e à soberania do país por esse entulho autoritário (apesar de legal, depois de aprovado pelo Congresso) que o governo de Dilma Rousseff está nos impondo para cumprir os compromissos que Lula assumiu com a Fifa, para ter o direito (???) de fazer a Copa do Mundo de 2014 aqui.
Ao ler o parecer, qualquer pessoa de bom senso pode ver que o Congresso teria a obrigação de rejeitar esse lixo inconstitucional, que cria um governo paralelo no país presidido por Joseph Blatter, o todo poderoso da Fifa.
Mas isso não vai acontecer, é obvio, porque o projeto já foi aprovado pela Comissão Especial, vai ser aprovado pela Câmara e, claro no Senado, graças à irresponsável maioria que o governo tem por lá.
Mesmo assim, vale à pena, por um dever de consciência, mostrar ao país, que a Constituição será estuprada para que a gente possa se “divertir” durante os 30 dias da Copa de 2014, com um “aperitivo” em 2013, na Copa das Confederações. Isso sem falar na roubalheira institucionalizada que já estamos vendo na construção de estádios e “obras de mobilidade urbana”, tudo com o beneplácito de Dona Dilma e sua gente.
Segue o parecer da professora Denise Vargas. Tirem suas conclusões. Depois, volto ao assunto.
Parecer: projeto de lei da Copa das Confederações e da Copa do Mundo: inconstitucionalidade
“O referido projeto, de iniciativa da Presidenta da República, está estruturado em 46 artigos, contidos em cinco capítulos, que tratam de dispositivos gerais, proteção à exploração de direitos comerciais, vistos de entrada e das permissões de trabalho, responsabilidade civil e da venda de ingressos para os eventos em questão.
Um dos pontos mais polêmicos do referido é projeto é quanto à assunção de responsabilidade civil da União por atos ilícitos praticados contra a Fifa, empregados e consultores (art. 29 a 31).
§
A responsabilidade civil da administração pública encontra raiz no art. 37, §6º da Constituição Federal, que estabelece o dever de indenizar os danos causados por agentes do Estado, objetivamente, isto é, independentemente de culpa.
Em regra, a doutrina e os tribunais interpretam que essa responsabilidade objetiva é aplicável a atos comissivos (por ação), havendo sua mitigação nos casos de condutas omissivas (por omissão).
O referido projeto, todavia, amplia por demais a responsabilidade da União para condutas omissivas. Ademais ele não está adstrito à personalidade da sanção por atos ilícitos, pois permite que a União assuma responsabilidade sem que os danos sejam causados por seus agentes públicos.
Portanto, nesse prisma, entendo ser inconstitucional o referido projeto, por afronta ao art. 37 da Constituição Federal.
Ademais, o art. 36 do referido projeto prevê competência para a Advocacia-Geral da União, em sede administrativa, para resolver litígios entre a União e a Fifa. Subsidiárias Fifa no Brasil, seus representantes legais, empregados ou consultores, mediante conciliação, o que poderia, em determinados casos, implicar em disponibilidade de interesses públicos de caráter patrimonial, violando o art. 100 da Constituição Federal, que regula a expedição de precatórios, diante da impenhorabilidade dos bens públicos.
Outra irregularidade no referido projeto é quanto à hipótese de criação de isenção tributária heteróloga (diferenciada), em violação ao princípio federativo.
Com efeito, como é cediço, a União, em face da autonomia dos demais entes políticos, não detém competência para isentar o pagamento dos tributos estaduais, municipais e distritais. O projeto em tela isenta a Fifa, suas subsidiárias, representantes legais, consultores e empregados do pagamento de custas e demais despesas processuais já justiça federal e estadual. Ora, as custas processuais têm natureza de tributo, não podendo a União realizar a referida isenção quanto às custas na justiça estadual.
No que pertine aos tipos penais, bem abertos, criados pelo projeto, há uma aparente violação ao princípio da isonomia, pois fundamentou-se na criação de tipo penal para atender interesses comerciais da Fifa. O caráter subsidiário do Direito Penal também foi desrespeitado, já que existem medidas mais eficazes para a proteção dos direitos intelectuais do que a tipificação penal. Ademais, a existência de tipos penais abertos demonstra um subjetivismo incompatível com o estágio atual do Direito Penal.
CONCLUSÃO
Diante do exposto, concluímos pela inconstitucionalidade do referido projeto, pelos motivos acima expostos”.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Há risco de o Mundial NÃO sair do Brasil
- Por Jorge Wamburg - Foto: Dida Sampaio/AE -
Quem já leu a entrevista do Ministro do Esporte, publicada hoje no Globo online, depois de perdoar o pontapé na bunda do governo enviado pelo secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, diretamente de Londres, vai pensar que me enganei nesse título.
Afinal, o que o ministro disse foi exatamente o contrário: "NÃO HÁ RISCO DO MUNDIAL SAIR DO BRASIL" (com direito a erro de português e tudo, nesse DO, no título do jornal". Mas quem está errado é ele. Para mim, HÁ RISCO de o Mundial NÃO sair Do Brasil e o Aldo não passa de uma marionete fazendo o jogo da Fifa, que vai mandar no país, inclusive mandando prender e mandando soltar – literalmente – conforme está no projeto de Lei Geral que a abominável Comissão Especial da Câmara aprovou outro dia.
Mas nada melhor para demonstrar o ridículo de dessa situação do que a reprodução fiel dos “brilhantes" pensamentos do Ministro sobre a Copa. Por isso, aí vai, na íntegra, a entrevista do ministro, uma espécie de "comunista católico", como se constata logo no início da entrevista - por sinal, ótima, dos colegas Evandro Éboli e Maria Lima. Mas uma de uma coisa não abro mão: o título é meu.
BRASÍLIA - Depois de chutes no traseiro e troca de cartas, o perdão. Nesta quarta-feira o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, enviou duas correspondências à Fifa comunicando que aceitava o pedido de desculpas da entidade. Uma carta foi para o presidente da entidade, Joseph Blatter, e outra para o secretário-geral Jérôme Valcke, pivô da crise. Mas enquanto o governo federal se reconciliava com a Fifa, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, se licenciava do cargo por questões médicas por 30 dias.
A licença foi comunicada por ofício às federações estaduais. Pelo estatuto, José Maria Marin, o mais velho dos vice-presidentes, assumiria o cargo. Um grupo de presidentes de federações, no entanto, defende um rodízio entre os cinco vice-presidentes. Cada um representa uma região do país. O pedido foi feito na última Assembleia Geral da entidade.
Apesar da bandeira branca na crise entre governo e Fifa, Aldo escreveu a Blatter, que "episódios dessa natureza não podem se repetir, em prol da boa preparação da Copa do Mundo no Brasil". O ministro afirmou ainda a Blatter que aceitava seu pedido de desculpas pelas declarações feitas por Jérôme Valcke, que reclamara da falta de empenho do Brasil nos preparativos da Copa de 2014.
O ministro disse também que a presidente Dilma Rousseff receberá Blatter em audiência, mas que a data ainda será confirmada. Na outra correspondência, endereçada a Valcke, Rebelo apenas afirma ter aceitado o pedido de desculpas do secretário-geral, numa mensagem curta, de uma linha e meia.
Pouco antes de mandar as cartas, Aldo recebeu O GLOBO para uma entrevista. Na ausência de uma Santa Genoveva ou outro santo francês no meio das muitas imagens que protegem o gabinete do comunista crédulo Aldo Rebelo, o ministro estendeu uma flâmula da Fifa aos pés de um santo português, Santo Antônio, e da brasileira Nossa Senhora Aparecida. Aldo diz que nessas horas de ruídos e de agruras com o francês Jérôme Valcke se agarra com a padroeira generosa e com o santo casamenteiro.
Ele cobra bons modos nas palavras do representante do órgão e diz que nunca houve, não há e nem haverá risco de que a Copa do Mundo não aconteça no Brasil. Mesmo com muito cuidado e elegância, Aldo não deixa de mostrar que o Brasil não deixará de responder à altura a má educação de Valcke, e parece não ter gostado do mesmo tom usado pelo assessor especial da presidente Dilma Rousseff, Marco Aurélio Garcia, que chamou o francês de "vagabundo". Diz que cada um que responda por suas palavras e de acordo com seu temperamento. Aldo diz que as obras para a Copa estão dentro do cronograma, mas fez duras críticas aos serviços da Polícia Federal no desembaraço das bagagens e das companhias aéreas, além de admitir que os banheiros do Santos Dumont são péssimos e precisam ser melhorados. Sentado à frente de um quadro que retrata a obra do escritor espanhol e perguntado se ele seria Dom Quixote e Valcke Sancho Pança, respondeu: "Cervantes não faria um enredo que nos coubesse no mesmo livro".
O que o senhor achou das declarações de Valcke?
Aldo Rebelo: Vi como um gesto de infelicidade. Quem tem essa responsabilidade precisa ter modos na expressão verbal quando representa uma entidade. Quando se refere a uma instituição, a um governo. Acho que essas coisas dependem muito da formação que você tem. Da educação que você tem. Você reage a bom termo a uma situação dessa natureza.
E das palavras de Marco Aurélio Garcia (assessor especial internacional da presidência), que chamou Valcke de "vagabundo"?
Quem tem que explicar isso é ele, não sou eu. Respondo pelo que eu disse. Não respondo pelo que os outros falarem. Cada um responde de acordo com o seu temperamento.
Antes de responder a Valcke, o senhor conversou com a presidente Dilma Rousseff?
Não julguei necessário. E acho que a presidente tem esferas de preocupação mais importantes. Acho que a presidente deve estar mais preocupada com assuntos muito mais decisivos para o país, por mais importante que seja Copa do Mundo para nós todos. Também não é correto revelar conversas com a presidente. Não considero esse assunto da esfera da soberania do Brasil. Considero apenas da esfera das relações educadas entre pessoas e instituições. É necessário haver respeito mútuo.
A briga com Valcke deixa sequelas?
Só vamos saber depois.
Quando será o próximo encontro com Valcke?
Você tá torcendo para que aconteça?
Há risco de a Copa não acontecer no Brasil?
Não houve, não há e não creio que haverá.
Que avaliação o senhor faz do andamento das obras da Copa?
O cronograma é compatível com o prazo da Copa. Os estádios, na sua maioria, estão com obras adiantadas. Das outras 52 obras de infraestrutura urbana, o calendário mantido é entregar mais de 40 até o final de 2013. São obras que já estavam previstas muito antes da Copa do Mundo. Nem se falava nisso e já havia previsão de ampliação de aeroporto, de metrô para Salvador, para Fortaleza, de ampliação de sistema metroviário, de VLT em outras capitais.
E com relação à questão da hotelaria?
Os investimentos em hotelaria estão previstos muito antes de se falar em Copa do Mundo porque ninguém constrói hotel para Copa do Mundo. Quem vai construir hotel para funcionar durante um mês?! Hotel não é carro alegórico, que você constrói, coloca na avenida e depois recolhe. Hotel só pode ser construído quando você tem demanda, procura sustentável. E isso é o que está acontecendo no Brasil inteiro.
Como superar questões urbanas importantes?
Problemas urbanos temos no mundo inteiro. Até em cidades, metrópoles que já sediaram Copa e Olimpíadas. O trânsito de Pequim é um trânsito fácil? Não. Já foi feito Olimpíadas lá e mesmo com aquela situação de transporte urbano de Pequim. Se os problemas existiam antes continuam a existir. Temos que procurar soluções emergenciais, duradouras não só por causa da Copa, mas porque o Brasil precisa disso.
Como o senhor recebeu as críticas de Ronaldo ao atraso nas obras do Mundial?
Vi a declaração do Ronaldo condenando a forma como ele (Valcke) referiu-se ao governo. O direito de se criticar o governo é um direito democrático. Quem vai contestar que um cidadão ou a oposição critique aspectos da vida social, política e econômica do país? Não. É um direto consagrado. Não respondemos a uma crítica, mas ao uso de um vocabulário inadequado.
Em relação ao Rio, como avalia a situação dos aeroportos do Galeão e Santos Dumont?
Temos no Rio uma das infraestruturas aeroportuárias mais completas do mundo. Temos um aeroporto doméstico muito importante e moderno, que é o Santos Dumont. Temos o Galeão. Temos a Base Aérea de Santa Cruz, que é a principal base do Brasil. O que precisamos não é só ampliar a capacidade de aterrissagem e decolagem. Nem creio que os principais problemas estejam aí. Acho que o principal problema dos aeroportos está na qualidade dos serviços oferecidos. A demora, por exemplo, no despacho e na recepção das bagagens. Mas não é um problema de transporte aéreo. É um problema que a Receita Federal e que a Polícia Federal, no caso dos voos que chegam do exterior, podem resolver. É só disponibilizar mais gente para essa tarefa".
Mas e os banheiros do Santos Dumont?
É outro problema. No Santos Dumont, ficam muito distantes dos passageiros por causa da valorização do espaço comercial mais nobre, mais próximo das áreas de despacho e de bilhetes. Isso também pode ser resolvido. Ficaram distantes e num espaço muito menor, causando constrangimento aos passageiros. Então, algumas medidas podem ser adotadas e não se referem à capacidade dos aeroportos. Claro que a capacidade precisa ser ampliada, mas outras coisas podem ser melhoradas antes. Para os brasileiros que viajam de avião e para os estrangeiros e turistas.
Como encarou a solução encontrada para a venda de bebida alcoólica na Copa?
A bebida foi polêmica em todos os países onde houve Copa do Mundo. Todos os candidatos a Copa assinaram esse compromisso. Acho que o Congresso encontrou uma solução adequada e pontual. Que vale só para a Copa.
Por que o seu partido, o PCdoB, votou contra bebidas alcoólicas nos estádios na Copa?
Respeito a posição dos adversários. Por que não respeitaria a do PCdoB?
O senhor presidiu a CPI que investigou a CBF. Como é sua relação com Ricardo Teixeira?
Um parlamentar, um jornalista, ou uma autoridade policial, quando exerce a função de investigação, não é para conquistar ódio nem amizade do investigado. É uma função institucional ou profissional. Cumpri uma função como presidente de uma CPI. Mas não podemos carregar para o resto da vida uma relação pessoal de amizade ou de inimizade com a instituição ou pessoa que foi investigada. No ministério, tenho que estabelecer relações com o Comitê Organizador Local (COL), que é presidido por Ricardo Teixeira, com a Fifa e os demais entes que compõem esse amplo leque de interesses da Copa do Mundo.
Ricardo Teixeira, inclusive, foi à Justiça para impedir o seu livro sobre a CPI...
Considerei uma violência do Poder Judiciário. Tem que respeitar, mas fiquei naturalmente indignado. Se houvesse ali alguma mentira ou calúnia o que deveria haver era processo por um ou outro. Mas o que houve foi censura.
Quem já leu a entrevista do Ministro do Esporte, depois de perdoar o pontapé na bunda do governo enviado pelo scretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, vai pensar que me enganei nesse título. Afinal, o que o ministro disse foi exatamente o contrário. Mas quem está errado é ele. Para mim, a Copa corre o risco de ser mesmo no Brasil e o Aldo não passa de uma marionete fazendo o jogo da Fifa, que vai mandar no país, inclusive mandando prender e mandando soltar – literalmente – conforme está no projeto de Lei Geral que a abominável Comissão Especial da Câmara aprovou outro dia.
Mas nada melhor para demonstrar o ridículo de dessa situação do que a reprodução fiel dos “brilhantes pensamentos do Ministro sobre a Copa. Por isso, aí vai a entrevista, mas uma de uma coisa não abro mão: o título é meu.
Quem já leu a entrevista do Ministro do Esporte, publicada hoje no Globo online, depois de perdoar o pontapé na bunda do governo enviado pelo secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, diretamente de Londres, vai pensar que me enganei nesse título.
Afinal, o que o ministro disse foi exatamente o contrário: "NÃO HÁ RISCO DO MUNDIAL SAIR DO BRASIL" (com direito a erro de português e tudo, nesse DO, no título do jornal". Mas quem está errado é ele. Para mim, HÁ RISCO de o Mundial NÃO sair Do Brasil e o Aldo não passa de uma marionete fazendo o jogo da Fifa, que vai mandar no país, inclusive mandando prender e mandando soltar – literalmente – conforme está no projeto de Lei Geral que a abominável Comissão Especial da Câmara aprovou outro dia.
Mas nada melhor para demonstrar o ridículo de dessa situação do que a reprodução fiel dos “brilhantes" pensamentos do Ministro sobre a Copa. Por isso, aí vai, na íntegra, a entrevista do ministro, uma espécie de "comunista católico", como se constata logo no início da entrevista - por sinal, ótima, dos colegas Evandro Éboli e Maria Lima. Mas uma de uma coisa não abro mão: o título é meu.
BRASÍLIA - Depois de chutes no traseiro e troca de cartas, o perdão. Nesta quarta-feira o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, enviou duas correspondências à Fifa comunicando que aceitava o pedido de desculpas da entidade. Uma carta foi para o presidente da entidade, Joseph Blatter, e outra para o secretário-geral Jérôme Valcke, pivô da crise. Mas enquanto o governo federal se reconciliava com a Fifa, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, se licenciava do cargo por questões médicas por 30 dias.
A licença foi comunicada por ofício às federações estaduais. Pelo estatuto, José Maria Marin, o mais velho dos vice-presidentes, assumiria o cargo. Um grupo de presidentes de federações, no entanto, defende um rodízio entre os cinco vice-presidentes. Cada um representa uma região do país. O pedido foi feito na última Assembleia Geral da entidade.
Apesar da bandeira branca na crise entre governo e Fifa, Aldo escreveu a Blatter, que "episódios dessa natureza não podem se repetir, em prol da boa preparação da Copa do Mundo no Brasil". O ministro afirmou ainda a Blatter que aceitava seu pedido de desculpas pelas declarações feitas por Jérôme Valcke, que reclamara da falta de empenho do Brasil nos preparativos da Copa de 2014.
O ministro disse também que a presidente Dilma Rousseff receberá Blatter em audiência, mas que a data ainda será confirmada. Na outra correspondência, endereçada a Valcke, Rebelo apenas afirma ter aceitado o pedido de desculpas do secretário-geral, numa mensagem curta, de uma linha e meia.
Pouco antes de mandar as cartas, Aldo recebeu O GLOBO para uma entrevista. Na ausência de uma Santa Genoveva ou outro santo francês no meio das muitas imagens que protegem o gabinete do comunista crédulo Aldo Rebelo, o ministro estendeu uma flâmula da Fifa aos pés de um santo português, Santo Antônio, e da brasileira Nossa Senhora Aparecida. Aldo diz que nessas horas de ruídos e de agruras com o francês Jérôme Valcke se agarra com a padroeira generosa e com o santo casamenteiro.
Ele cobra bons modos nas palavras do representante do órgão e diz que nunca houve, não há e nem haverá risco de que a Copa do Mundo não aconteça no Brasil. Mesmo com muito cuidado e elegância, Aldo não deixa de mostrar que o Brasil não deixará de responder à altura a má educação de Valcke, e parece não ter gostado do mesmo tom usado pelo assessor especial da presidente Dilma Rousseff, Marco Aurélio Garcia, que chamou o francês de "vagabundo". Diz que cada um que responda por suas palavras e de acordo com seu temperamento. Aldo diz que as obras para a Copa estão dentro do cronograma, mas fez duras críticas aos serviços da Polícia Federal no desembaraço das bagagens e das companhias aéreas, além de admitir que os banheiros do Santos Dumont são péssimos e precisam ser melhorados. Sentado à frente de um quadro que retrata a obra do escritor espanhol e perguntado se ele seria Dom Quixote e Valcke Sancho Pança, respondeu: "Cervantes não faria um enredo que nos coubesse no mesmo livro".
O que o senhor achou das declarações de Valcke?
Aldo Rebelo: Vi como um gesto de infelicidade. Quem tem essa responsabilidade precisa ter modos na expressão verbal quando representa uma entidade. Quando se refere a uma instituição, a um governo. Acho que essas coisas dependem muito da formação que você tem. Da educação que você tem. Você reage a bom termo a uma situação dessa natureza.
E das palavras de Marco Aurélio Garcia (assessor especial internacional da presidência), que chamou Valcke de "vagabundo"?
Quem tem que explicar isso é ele, não sou eu. Respondo pelo que eu disse. Não respondo pelo que os outros falarem. Cada um responde de acordo com o seu temperamento.
Antes de responder a Valcke, o senhor conversou com a presidente Dilma Rousseff?
Não julguei necessário. E acho que a presidente tem esferas de preocupação mais importantes. Acho que a presidente deve estar mais preocupada com assuntos muito mais decisivos para o país, por mais importante que seja Copa do Mundo para nós todos. Também não é correto revelar conversas com a presidente. Não considero esse assunto da esfera da soberania do Brasil. Considero apenas da esfera das relações educadas entre pessoas e instituições. É necessário haver respeito mútuo.
A briga com Valcke deixa sequelas?
Só vamos saber depois.
Quando será o próximo encontro com Valcke?
Você tá torcendo para que aconteça?
Há risco de a Copa não acontecer no Brasil?
Não houve, não há e não creio que haverá.
Que avaliação o senhor faz do andamento das obras da Copa?
O cronograma é compatível com o prazo da Copa. Os estádios, na sua maioria, estão com obras adiantadas. Das outras 52 obras de infraestrutura urbana, o calendário mantido é entregar mais de 40 até o final de 2013. São obras que já estavam previstas muito antes da Copa do Mundo. Nem se falava nisso e já havia previsão de ampliação de aeroporto, de metrô para Salvador, para Fortaleza, de ampliação de sistema metroviário, de VLT em outras capitais.
E com relação à questão da hotelaria?
Os investimentos em hotelaria estão previstos muito antes de se falar em Copa do Mundo porque ninguém constrói hotel para Copa do Mundo. Quem vai construir hotel para funcionar durante um mês?! Hotel não é carro alegórico, que você constrói, coloca na avenida e depois recolhe. Hotel só pode ser construído quando você tem demanda, procura sustentável. E isso é o que está acontecendo no Brasil inteiro.
Como superar questões urbanas importantes?
Problemas urbanos temos no mundo inteiro. Até em cidades, metrópoles que já sediaram Copa e Olimpíadas. O trânsito de Pequim é um trânsito fácil? Não. Já foi feito Olimpíadas lá e mesmo com aquela situação de transporte urbano de Pequim. Se os problemas existiam antes continuam a existir. Temos que procurar soluções emergenciais, duradouras não só por causa da Copa, mas porque o Brasil precisa disso.
Como o senhor recebeu as críticas de Ronaldo ao atraso nas obras do Mundial?
Vi a declaração do Ronaldo condenando a forma como ele (Valcke) referiu-se ao governo. O direito de se criticar o governo é um direito democrático. Quem vai contestar que um cidadão ou a oposição critique aspectos da vida social, política e econômica do país? Não. É um direto consagrado. Não respondemos a uma crítica, mas ao uso de um vocabulário inadequado.
Em relação ao Rio, como avalia a situação dos aeroportos do Galeão e Santos Dumont?
Temos no Rio uma das infraestruturas aeroportuárias mais completas do mundo. Temos um aeroporto doméstico muito importante e moderno, que é o Santos Dumont. Temos o Galeão. Temos a Base Aérea de Santa Cruz, que é a principal base do Brasil. O que precisamos não é só ampliar a capacidade de aterrissagem e decolagem. Nem creio que os principais problemas estejam aí. Acho que o principal problema dos aeroportos está na qualidade dos serviços oferecidos. A demora, por exemplo, no despacho e na recepção das bagagens. Mas não é um problema de transporte aéreo. É um problema que a Receita Federal e que a Polícia Federal, no caso dos voos que chegam do exterior, podem resolver. É só disponibilizar mais gente para essa tarefa".
Mas e os banheiros do Santos Dumont?
É outro problema. No Santos Dumont, ficam muito distantes dos passageiros por causa da valorização do espaço comercial mais nobre, mais próximo das áreas de despacho e de bilhetes. Isso também pode ser resolvido. Ficaram distantes e num espaço muito menor, causando constrangimento aos passageiros. Então, algumas medidas podem ser adotadas e não se referem à capacidade dos aeroportos. Claro que a capacidade precisa ser ampliada, mas outras coisas podem ser melhoradas antes. Para os brasileiros que viajam de avião e para os estrangeiros e turistas.
Como encarou a solução encontrada para a venda de bebida alcoólica na Copa?
A bebida foi polêmica em todos os países onde houve Copa do Mundo. Todos os candidatos a Copa assinaram esse compromisso. Acho que o Congresso encontrou uma solução adequada e pontual. Que vale só para a Copa.
Por que o seu partido, o PCdoB, votou contra bebidas alcoólicas nos estádios na Copa?
Respeito a posição dos adversários. Por que não respeitaria a do PCdoB?
O senhor presidiu a CPI que investigou a CBF. Como é sua relação com Ricardo Teixeira?
Um parlamentar, um jornalista, ou uma autoridade policial, quando exerce a função de investigação, não é para conquistar ódio nem amizade do investigado. É uma função institucional ou profissional. Cumpri uma função como presidente de uma CPI. Mas não podemos carregar para o resto da vida uma relação pessoal de amizade ou de inimizade com a instituição ou pessoa que foi investigada. No ministério, tenho que estabelecer relações com o Comitê Organizador Local (COL), que é presidido por Ricardo Teixeira, com a Fifa e os demais entes que compõem esse amplo leque de interesses da Copa do Mundo.
Ricardo Teixeira, inclusive, foi à Justiça para impedir o seu livro sobre a CPI...
Considerei uma violência do Poder Judiciário. Tem que respeitar, mas fiquei naturalmente indignado. Se houvesse ali alguma mentira ou calúnia o que deveria haver era processo por um ou outro. Mas o que houve foi censura.
Quem já leu a entrevista do Ministro do Esporte, depois de perdoar o pontapé na bunda do governo enviado pelo scretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, vai pensar que me enganei nesse título. Afinal, o que o ministro disse foi exatamente o contrário. Mas quem está errado é ele. Para mim, a Copa corre o risco de ser mesmo no Brasil e o Aldo não passa de uma marionete fazendo o jogo da Fifa, que vai mandar no país, inclusive mandando prender e mandando soltar – literalmente – conforme está no projeto de Lei Geral que a abominável Comissão Especial da Câmara aprovou outro dia.
Mas nada melhor para demonstrar o ridículo de dessa situação do que a reprodução fiel dos “brilhantes pensamentos do Ministro sobre a Copa. Por isso, aí vai a entrevista, mas uma de uma coisa não abro mão: o título é meu.
quarta-feira, 7 de março de 2012
Quem gosta de pé na bunda?
- Por Jorge Wamburg -
“Se donner un coup de pied aux fesses” é uma expressão francesa que tanto pode significar ,literalmente,“dar-se um pontapé na bunda” (bunda mesmo, não traseiro, como a imprensa envergonhada publicou) ou “acelerar o ritmo”, numa tradução livre que o secretário-geral da Fifa , Jerome Valcke, alega ser a verdadeira na sua declaração contra o os brasileiros, por causa do atraso nas obras da Copa do Mundo.
Não é a primeira vez que esse animal desrespeita o país.
Quando esteve aqui para falar numa audiência pública na Comissão da Copa, logo no início dos trabalhos disse que estava pouco se lixando para quem o considerava antipático, pois esse era mesmo o seu papel e não fazia a menor questão de ser simpático. Deu várias respostas grosseiras a deputados que o interpelaram e botaram o rabo entre as pernas, com medo de desagradar o governo e o todo poderoso da Fifa.
Por falar em todo-poderoso, qual será a explicação para o Valcke ser o segundo na hierarquia da Fifa, depois de ter sido demitido pelo presidente Joseph Blatter, por corrupção? Teria devolvido o dinheiro ou dividido com o presidente que o recontratou tempos depois? Pois é, esse é o sujeito que o Brasil terá que engolir como interlocutor da Fifa, mesmo depois do “pé na bunda”, se o ministro Aldo Rebelo aceitar os hipócritas pedidos de desculpas dele e do Blatter feitos hoje (6), em cartas ao governo brasileiro.
Eu não acredito que Aldo goste de pé na bunda. Como eu também não gosto. Mas tem gente que gosta. O presidente petista da Câmara dos Deputados, Marco Maia, parece ser um desses. Pois foi o primeiro a sugerir que o governo peça arrego à Fifa e perdoa o Valcke.
Vá gostar de pé na bunda assim... lá na França, ó Maia!
“Se donner un coup de pied aux fesses” é uma expressão francesa que tanto pode significar ,literalmente,“dar-se um pontapé na bunda” (bunda mesmo, não traseiro, como a imprensa envergonhada publicou) ou “acelerar o ritmo”, numa tradução livre que o secretário-geral da Fifa , Jerome Valcke, alega ser a verdadeira na sua declaração contra o os brasileiros, por causa do atraso nas obras da Copa do Mundo.
Não é a primeira vez que esse animal desrespeita o país.
Quando esteve aqui para falar numa audiência pública na Comissão da Copa, logo no início dos trabalhos disse que estava pouco se lixando para quem o considerava antipático, pois esse era mesmo o seu papel e não fazia a menor questão de ser simpático. Deu várias respostas grosseiras a deputados que o interpelaram e botaram o rabo entre as pernas, com medo de desagradar o governo e o todo poderoso da Fifa.
Por falar em todo-poderoso, qual será a explicação para o Valcke ser o segundo na hierarquia da Fifa, depois de ter sido demitido pelo presidente Joseph Blatter, por corrupção? Teria devolvido o dinheiro ou dividido com o presidente que o recontratou tempos depois? Pois é, esse é o sujeito que o Brasil terá que engolir como interlocutor da Fifa, mesmo depois do “pé na bunda”, se o ministro Aldo Rebelo aceitar os hipócritas pedidos de desculpas dele e do Blatter feitos hoje (6), em cartas ao governo brasileiro.
Eu não acredito que Aldo goste de pé na bunda. Como eu também não gosto. Mas tem gente que gosta. O presidente petista da Câmara dos Deputados, Marco Maia, parece ser um desses. Pois foi o primeiro a sugerir que o governo peça arrego à Fifa e perdoa o Valcke.
Vá gostar de pé na bunda assim... lá na França, ó Maia!
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