terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Dívidas dos clubes não tem jeito, Toninho!


 - Por Jorge Wamburg - 
Eu acho uma temeridade a idéia do novo secretário nacional de Futebol e Defesa do Estatuto do Torcedor (é o nome oficial do cargo), Toninho Nascimento, empossado há duas semanas, de oferecer aos clubes de futebol uma (nova) renegociação de suas milionárias dívidas com o governo em troca de “transparência e modernização de suas gestões.

Como jornalista e editor de esportes do Globo por quase 20 anos, emprego que deixou para assumir a secretaria, Toninho sabe tanto quanto eu e todo mundo que conhece futebol que dirigente de clube não tem palavra, não cumpre acordos, não honra compromissos nem com o próprio clube e muito menos com o governo.

Se os dirigentes toparem a proposta, vai ser apenas mais uma forma de empurrar as dívidas com a barriga, pois logo vão deixar de pagá-las, mesmo que sejam a perder de vista, como parece ser a ideia do Toninho. Já houve tentativas anteriores e todas fracassaram por causa disso: quando a situação aperta, eles saem de cena e passam o problema para o sucessor, com medo de terem que responder com seu patrimônio pessoal pelo calote ao governo.

Foto: Agência Brasil.
Por isso, acredito nas boas intenções do Toninho, mas não no sucesso da sua ideia  E nem acredito que o governo vá topar essa proposta, que seria mais um prêmio aos caloteiros com dinheiro publico. Afinal, não é à toa que há clubes devendo centenas de milhões à previdência social: trata-se de uma soma de incompetência com roubalheira desenfreada do dinheiro dos clubes que eles administram. Misturar seus negócios particulares com a administração dos clubes é uma rotina, para obter vantagens junto a banco e ao próprio poder público para suas empresas e de seus parentes e/ou amigos.

Também não é à toa que dirigentes gostam de se perpetuar nos cargos. Eles usam toda a mordomia e infraestrutura dos clubes em proveito próprio, viajam a passeio ou para negócios particulares com dinheiro dos clubes, bancando inclusive família e amigos e ainda se apropriam de dinheiro das transferências de jogadores, que nunca são feitas pelo valor que é declarado em público. Nesse caso, a propina rola solta, numa cumplicidade ignóbil entre empresários, dirigentes, procuradores e os próprios jogadores, que para botar o seu no bolso subornam os cartolas para liberar suas transferências.

É por isso que jogador muda tanto de clube hoje em dia, e não só pela tal da globalização. Todo mundo leva o seu e fica tudo bem. Isso virou um negócio de quadrilha e daqui a pouco o cara está de volta com a maior cara de pau, alegando que está com saudades da mamãe..Pra isso, lá fora a propina rola do mesmo jeito e os manda-chuvas dos Shaktar Donetski da vida também embolsam suas propinas do mesmo jeito que os daqui pra soltar os caras.

Por tudo isso, o Toninho Nascimento vai quebrar a cara com a sua proposta de renegociação de dívidas em troca de honestidade nos clubes. Ninguém vai abrir mão de embolsar esses dólares , euros e reais que entram tão fácil em suas contas bancárias. Se os clubes estão quebrados, é problema deles. O governo não pode é botar dinheiro nesse negócio, como já botou no futebol para bancar a Copa de 2014 e a Copa das Confederações. Dinheiro nosso, torrado sem dó nem piedade nessas obras faraônicas, enquanto a população continua morrendo nas filas dos hospitais públicos de todo o país, que não fazem parte do tal”Legado” que a Copa vai deixar.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Dante? Mas que inferno, Felipão!

Eu não me espanto com mais nada no futebol! 
Por isso, a convocação da seleção para o amistoso com a Inglaterra, no dia 6 de fevereiro, o primeiro de Felipão na volta ao comando, mostrou, mais uma vez, a idiotice de chamar um jogador que ninguém conhece para a zaga, só porque joga no exterior.
É mais um surto da doença que acomete os técnicos brasileiros há alguns anos: querem mostrar que estão atualizados com o futebol estrangeiro e  inventam jogadores que depois desaparecem rapidamente de suas listas.

É o caso desse Dante, que se fosse bom mesmo estaria no Bayern e não no Werder Bremen, mas para o Felipão está jogando o fino. Agora, aos 29 anos?
Se jogasse em algum time brasileiro, duvido que fosse convocado. Mas entrou na lista porque o Felipão, como confessou na entrevista coletiva, o viu jogar pela televisão e achou o máximo.
Então nesta posição, não interessa a tal experiência, que justificou a convocação (re) de Júlio César e Ronaldinho Gaúcho, por exemplo.  Quem deveria ter sido chamado é o Dedé, que continua jogando muito e já esteve nas convocações do Mano Meneses.

O Dedé não foi chamado só porque joga no Vasco e não num Werder Bremen da vida. E se jogasse no Flamengo, no Fluminense ou outro time carioca também teria pouca chance. A questão é a vaidade do técnico, que quer bancar o globalizado; e aí apela na convocação:
A defesa inteira é de jogadores que estão no exterior. Será possível que no Brasil não há um goleiro ou zagueiro que preste pro Felipão?

E quem é Filipe Luís, do Atlético de Madri, que joga tanta bola pra ser convocado? E os outros estão com essa bola toda, como Leandro Castán e Miranda? Quanto aos goleiros, por que Júlio César, já decadente e em final de carreira na Inglaterra, e Diego Alves (quem?). Na defesa, só se salvam o Daniel Alves e Davi Luís. O resto é tudo enganador de técnico e torcida.

A lista só melhora no meio-campo e no ataque, onde foram convocados os melhores do momento, aqui e lá fora: Arouca, Ramires, Paulinho, Hernanes, Oscar e Lucas.
 Ah, falta o Ronaldinho Gaúcho? Sim ele está na lista do Felipão, mas para mim, apesar de ter jogado bem no ano passado no Atlético Mineiro, na seleção é outra história. Já fracassou antes e é bom esperar pra ver.
Quanto ao ataque, até que o técnico acertou (também, errar era difícil). Neymar, Fred e Luís Fabiano são os caras e o Hulk é uma boa opção.

Quanto ao Alexandre Pato e ao Ganso, estão fora dessa panela por enquanto e vão ter que jogar mais bola do que vinham jogando para poderem cantar de galo. Nem o Felipão engoliu os dois, por enquanto.
O grande esquecido do meio pra frente é o Kaká, que eu acho não cai na  simpatia do técnico e só por isso não foi convocado.Tinha vaga pra ele no time, mas o homem achou que não, e aí, fazer o que?

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Saldanha e Oto, dois humoristas do futebol

Eu não sei por que, mas nesta segunda-feira foi comemorado o Dia do Técnico de Futebol.
 - Por Jorge Wamburg - 
Não encontrei nenhuma explicação para a escolha de 14 de janeiro para esta homenagem, que, como todo Dia de Alguma Coisa, inclusive das Mães e dos Pais, é um dia como outro qualquer que se convenciona ser especial.

Mas hoje essa convenção me fez lembrar de dois técnicos com quem eu tive muito contato em minha atividade de jornalista esportivo, no Rio de Janeiro.
Um, João Saldanha, dirigiu apenas duas equipes em sua carreira de treinador: o Botafogo, clube do seu coração, e a Seleção Brasileira, da qual foi despedido e substituído, antes da Copa de 70, por Zagallo, que acabaria sendo campeão do mundo.
Dizem que Saldanha caiu por pressão do presidente-general Emílio Médici, ditador de plantão na época, no Palácio do Planalto, que entre outras besteiras exigia que ele escalasse Dario Peito de Aço como titular do time. Mas Saldanha também pode ter caído porque era um notório comunista e os militares pediram sua cabeça por isso. Ou ainda porque criou caso com Pelé, dizendo que ela estava precisando de um exame de vista, porque não andava acertando o gol, numa fase em que a seleção vinha jogando mal pra cacete.

Eu, realmente, não sei qual foi o real motivo, e acho que ninguém sabe, porque Saldanha nunca falou claramente sobre o assunto. Eu, na época, só o conhecia pelo noticiário, pois ainda não trabalhava no esporte, e só vim a conhecê-lo pessoalmente alguns anos depois, quando ele era colunista e eu repórter esportivo do Jornal do Brasil. Cheguei até a advogar para ele, numa questão de família, a pedido de um amigo comum, Oldemário Touguinhó, então editor de esportes do JB.

Assim como Saldanha, Oldemário era botafoguense doente e os dois se conheciam desde muitos anos, o primeiro como dirigente do clube e o segundo como jornalista, por sinal um dos melhores do país neste ramo, tanto como repórter como editor. Ambos deixaram saudades, na crônica esportiva e entre os inúmeros amigos que fizeram ao longo de suas vidas.

Quanto a Saldanha, dois episódios são bons exemplos da irreverência e ironia que marcavam sua personalidade e que lhe valeram também muitos inimigos, além dos militares, por motivos políticos. Por exemplo, o ex-goleiro Manga, do Botafogo, do Santos e da seleção brasileira, que ele uma vez botou pra correr com um tiro, até pular um muro num único salto, como se voasse para defender uma bola chutada no ângulo da sua meta. Os dois estavam brigados por causa de críticas de Saldanha ao goleiro, que ameaçara dar uma surra no primeiro encontro que tivesse com o desafeto. Saldanha soube da ameaça e passou a andar armado. No dia do fatídico encontro, não esperou que Manga chegasse perto e atirou para o chão, o que foi suficiente para colocar o goleiro em fuga.

Mas um dos episódios a que me referi acima não foi este e ocorreu justamente quando Saldanha era técnico da Seleção Brasileira. O já mencionado general Médici vivia pedindo pela imprensa a escalação de Dario no time. Até que um dia, de saco cheio com o ditador, Saldanha aproveitou a pergunta de um repórter sobre se ia ou não atender o pedido e respondeu:

- Eu não escolho ministro e ele não escala a seleção...

Em outra ocasião, outro repórter entrevistava Saldanha no campo, antes de um jogo, e teve a brilhante idéia de perguntar ao então treinador da seleção:

- Saldanha, a grama está boa?
- Não sei. Ainda não provei...

É claro que haveria muitas outras histórias e tiradas magistrais de João Saldanha para contar, mas fico por aqui porque vou falar também de outro mestre das quatro linhas, que foi um dos grandes técnicos de futebol que conheci nos anos 1970.
Trata-se de Oto Glória, que começou a carreira como técnico de basquete no Vasco, 30 anos antes. No futebol, ele dirigiu o próprio Vasco, a Portuguesa e inúmeros outros times, no Brasil e no exterior, principalmente Portugal, onde teve tanto prestígio que comandou a seleção do país na Copa de 1966, na Inglaterra. Foi justamente lá que alcançou sua maior façanha, ao eliminar o Brasil e terminar em 3º lugar, a melhor colocação de Portugal em todos os mundiais.

Pois Oto Glória, assim como João Saldanha, era um brilhante frasista. Dele, guardo igualmente duas preciosidades que quero compartilhar com vocês, em homenagem ao “Dia do Técnico de Futebol’. A primeira foi num encontro casual num aeroporto em alguma parte do mundo, onde ambos estávamos em trânsito e nos cruzamos numa sala de embarque. Cumprimentos, abraços e eu pergunto:

- Como vai Oto, tudo bem?
- É, como um caramujo...
- Caramujo?
- Sim, sempre com a casa nas costas...

A segunda do Oto ficou famosa e até hoje volta e meia algum jornalista se lembra e repete, mesmo sem citar ou sem saber quem é o seu autor. Mas, sem dúvida, é a melhor e mais bem humorada definição sobre as agruras da vida de um técnico de futebol em qualquer parte do mundo.

- Técnico, quando perde, é uma besta. Quando ganha, é bestial...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Quem será o verdadeiro Pato do futebol brasileiro?

O Corinthians gastou R$ 40 milhões para contratar Alexandre Pato, um jogador que tem tudo para dar duas alegrias à sua torcida: a primeira, quando entra, já aconteceu; a segunda, pode até demorar, mas é quando sai. 
Tenho certeza que isso vai acontecer, porque acaba de ocorrer no Milan, de onde ele está vindo para o Corinthians sem nunca ter justificado o investimento e a expectativa dos italianos.

Em dois anos na Itália, foram 16 lesões. No último semestre, dos 25 jogos do Milan participou de apenas sete. Ou seja, menos de 30% das partidas disputadas pelo time. Que, ao final da temporada, o colocou à venda sem a menor cerimônia, para tentar diminuir o prejuízo. Não apareceu ninguém para comprar, a não ser o Corinthians, que ganhou os dois principais títulos que disputou no ano passado sem ele, a Libertadores e o Mundial de clubes.

Portanto, o time de Tite não precisou do Pato para ser campeão. E agora, com ele no time, vai precisar? Não acredito. Pode é arrumar um problema, pois apesar de pouco jogar por contusão, ele vivia reclamando quando ficava na reserva do Milan.
Pra justificar o dinheiro torrado com o Pato, o Corinthians tentou enganar a imprensa e a torcida, dizendo que seu departamento médico vinha monitorando o jogador há seis meses e o que ele teve foram “apenas” lesões musculares. “Acontece”, disse um cartola. Mas 16 vezes, Cara Pálida?

Em 2012, pato jogou apenas 16 vezes pelo Milan durante todo o ano, e só marcou 3  gols, sendo 2 pela Liga dos Campeões da Europa (cinco partidas) e um pelo campeonato italiano (11 partidas). Sua melhor temporada na Itália foi a primeira (2010/11), quando disputou 33 jogos e marcou 16 gols.
A produção começou a cair na temporada 2011/12: só jogou 18 partidas e marcou quatro gols.
É bom lembrar que o Pato foi convocado várias vezes para a seleção brasileira e, apesar de marcar alguns gols, nunca conseguiu se firmar como titular. Foram 22 jogos e nove gols, entre 2008 e 2012, nada de muito especial, considerando-se que alguns adversários eram só pra cumprir calendário.

Por tudo isso, essa contratação tão cara pode ser mais uma prova de que os “donos” dos clubes de futebol no Brasil torram dinheiro à toa  porque não sai do bolso deles e não têm que prestar contas das suas loucuras a ninguém, pois nada é fiscalizado (os tais “Conselhos Fiscais” são só pra inglês ver. E fica uma pergunta, que não quer calar:

No final do ano, quem será o verdadeiro PATO nessa história, o Alexandre ou o Corinthians?

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Lamentável São Silvestre de 2012


A Corrida de São Silvestre virou agora uma prova de Rua como outra qualquer. 
Perdeu de vez o charme - que já tinham conseguido quase acabar com a mudança da largada na virada do ano para o final da tarde, anos atrás - com a realização de manhã cedo, este ano.  

Procurei uma explicação para a mudança e só encontrei uma vaga menção a “razões logísticas” da organização, sem entrar em detalhes. Mas desconfio que foi a Globo, detentora da exclusividade da transmissão, que impôs o novo horário, para não atrapalhar a programação do 31 de dezembro, principalmente o show da virada do ano.

Li declarações de atletas elogiando o novo horário, principalmente os quenianos, que acabaram mais uma vez sendo os vencedores. E também do técnico brasileiro que prepara a maioria deles aqui no Brasil, Moacir Marconi. A alegação é que esse tipo de prova é sempre disputado pela manhã, que o organismo responde melhor ao esforço no início do dia e que, por isso, não é preciso um treinamento especial, já que seus atletas estão acostumados a correr pela manhã o ano inteiro pelo mundo afora.

Mas isso não é uma unanimidade. Claro que os quenianos são os maiores beneficiados, como ficou claro na corrida de hoje. Mas há quem discorde e é justamente o brasileiro Giovani dos Santos, que foi 4º colocado nesta São Silvestre de 2012. Vencedor da Volta da Pampulha há três semanas, seu técnico, Henrique Viana, reclamou: “A prova perde com esta mudança. No aspecto de performance, o atleta vai muito melhor no fim da tarde ou à noite. Há uma desvalorização da São Silvestre”.

O fato é que pelo jeito, o horário matutino vai tornar mais difícil ainda uma vitória brasileira nos próximos e a quebra da hegemonia queniana. Mas, para mim, o pior mesmo é mais uma tradição que a gente perdeu, de saudar o Ano Novo, acompanhando a São Silvestre pela TV e, eventualmente, comemorando vitórias brasileiras dos atletas e das atletas brasileiras, que há muito tempo não fazem a festa na capital paulista.

E por mais que a turma da Globo se esforce, não dá pra torcer por queniano (a), gente!

Agora, só falta, pelas mesmas “razões logísticas”, passarem a corrida para o dia 30 ou apenas gravarem para exigir o teipe no horário que mais convier à Globo.
E para marcar mais ainda essa corrida de 2012, tivemos a morte do cadeirante Israel Cruz Jackson de Barros, que se chocou com um muro do Pacaembu, ao perder o controle de sua cadeira de rodas na descida de uma ladeira.
O paratleta Israel Cruz Jackson de Barros momentos após a largada na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta (Foto: Ricardo Biserra/VC no G1). 
Foi uma fatalidade, mas contribuiu para tornar São Silvestre de 2012 ainda mais lamentável!

domingo, 30 de dezembro de 2012

O que nos aguarda em 2013

 - Por Jorge Wamburg - 
2012 se despede dentro de algumas horas e 2013 chega ao futebol brasileiro com boas e más previsões. 

No primeiro caso, estão os clubes que representarão o país na Taça Libertadores da América, com boas chances de conquistar mais um título para o Brasil: Fluminense, Atlético Mineiro, São Paulo, Grêmio e Corinthians. O primeiro, com a credencial de campeão brasileiro de 2102 e o último como último campeão da Libertadores e o prestígio do bicampeonato mundial conquistado em Tóquio este mês, são os dois favoritos, enquanto os outros tentarão surpreender.

No segundo caso, o das más previsões, estão clubes que, apesar de grandes, como Vasco, Botafogo, Flamengo e Palmeiras, enfrentam dificuldades até para montar os times que disputarão os campeonatos estaduais. Também acho nebuloso o futuro da seleção brasileira sob o comando de Felipão e Parreira em substituição a Mano Meneses, que foi sacado pela CBF justamente quando começava a acertar a mão (sem trocadilho).

Não me incluo entre os admiradores de Felipão. Muito ao contrário, apesar de seu passado de glórias e do Mundial que conquistou com a seleção, não vejo nenhuma novidade tática ou técnica nos times que dirige, mas apenas velhos esquemas que deram certo no passado, mas hoje estão superados, como aconteceu com o Palmeiras, rebaixado para a série B este ano e que ficou sob seu comando a maior parte do tempo.

Penso o mesmo com relação a  Parreira. Por isso, acho que a seleção que será formada para disputar a Copa das Confederações pode acabar em fiasco, até porque também o técnico terá pouco tempo para trabalhar e montar o time para a competição, que será realizada em seis capitais brasileiras, entre 15 e 30 de junho de 2013, e será um evento-teste para a Copa do Mundo. A escolha de Felipão – e de Parreira – contrariou o bom senso e só se justifica pelos nomes e não pelos resultados, pois Felipão vinha muito mal e Parreira já estava até aposentado do futebol.

Na verdade, os melhores técnicos do país no momento são Abel Braga e Tite, e um dos dois deveria ter sido o escolhido. A escolha de Felipão veio  com um ranço de passado e tem tudo para dar errado, mas vou torcer para que os fatos provem o contrário na Copa das Confederações. Até lá, vou  ficar sempre com um pé atrás. É bom não esquecer que só faltam seis meses para esta Copa e não temos time definido, pois Felipão, naturalmente, não vai querer apenas assinar embaixo do que Mano vinha fazendo.

Enfim, só resta aguardar 2013 e desejar que todos tenham um ano melhor do que 2012. Inclusive Felipão.

sábado, 22 de dezembro de 2012

“A violência é tão americana quanto a torta de Maçã”


“A violência é tão americana quanto a torta de Maçã”Stokely Carmichael
 - Por Jorge Wamburg - 
Noite de insônia, recorro ao controle remoto da TV. Primeiro, uma partida de futebol americano, um dos esportes (se é que se pode chamar aquilo de esporte) mais boçais que existem, só superado pelo vale-tudo apelidado de MMA e outras siglas. É só aquele empurra–empurra, agarra-agarra, mergulhos nas pernas do adversário e outras agressões, em que a bola é o menos importante: o que importa é parar o cara que está com ela, custe o que custar, literalmente: ossos quebrados, pancadaria, o diabo. Só falta sacar o revólver ou uma faca para abater o rival em pleno campo, para delírio da torcida, que urra e baba de satisfação o tempo todo.
Foi então que me lembrei da frase de Stokely Carmichael, um ativista negro nos Estados Unidos dos anos 60/70, nascido em 1941 em Trinidad y Tobago e que morreu em 1998, e percebi que o futebol americano é uma paixão nacional porque exprime fisicamente exatamente a outra grande paixão daquele país: a violência contra o próximo, perpetrada por toda e qualquer forma, mas principalmente contra os mais fracos e os estrangeiros de um modo geral, dentro e fora dos EUA, numa forma pervertida de afirmação da supremacia nacional pela força e pelas armas.
Então, enquanto procurava outro canal, entendi que a violência está enraizada na cultura e na vida americana desde suas origens, na revolução contra os colonizadores ingleses,  e essa cultura vem sendo disseminada e propagada pelo mundo há décadas, primeiro pelo cinema, depois pela televisão e agora pela internet, mas tudo se somando para construir o caldo cultural que levou um maluco a matar a própria mãe e 27 crianças numa escola, para em seguida se suicidar.
Depois da tragédia, que chocou os próprios americanos, mas foi apenas mais uma de uma interminável sequência de atos semelhantes ao longo dos anos naquele país, o presidente Barack Obama fala em discutir a liberdade da compra e venda de armas que impera no país desde que ele existe. Ora, logo o Obama, que mandou executar Bin Laden no Afeganistão por um comando de militares assassinos, como vingança pelo 11 de setembro, e depois foi para a televisão se gabar e ainda dizer que mandou jogar o corpo no mar!
Isso seria chocante se antecessores de Obama não tivessem também uma longa história de crimes impunes contra a humanidade, como o bêbado Bush 2, mentindo para o mundo que o Iraque tinha armas nucleares para justificar a invasão do país e a execução do antigo aliado Saddam Hussein, com a cumplicidade da ONU e de países árabes inimigos de Saddam e aliados dos Estados Unidos, como a Arábia Saudita, o principal deles, graças ao comércio do petróleo com os norte-americanos.
Aliás, por falar em antigo aliado, é bom não esquecer que Bin Laden também foi um bom e fiel aliado dos Estados Unidos quando o país usou os muçulmanos para expulsar os russos comunistas do Afeganistão, que na época, ainda na Guerra Fria, eram o inimigo da vez a derrotar na disputa pelo poder mundial. Mas isso foi antes de Bin Laden virar o inimigo nº 1, depois de mandar jogar aviões americanos sequestrados por seus seguidores contra o World Trade Center e o Pentágono.
Antes dos Bush (o pai foi o primeiro a invadir o Iraque), tivemos Johnson e Nixon, líderes da matança no Sudeste Asiático, até o pontapé no rabo dado pelos norte-vietnamitas que tomaram Saigon dos americanos e puseram fim à guerra do Vietnam. Mas é bom não esquecer que quem começou essa guerra foi o “santinho” Kennedy, que tinha em seu currículo também o patrocínio da fracassada invasão da Baía dos Porcos para derrubar Fidel Castro em Cuba. Mas de todos, ninguém foi pior do que Truman, que deu a ordem para os bombardeios atômicos a Hiroshima e Nagasaki, preferindo matar traiçoeiramente mais de 150 mil civis japoneses do que perder mais soldados para acabar com a Segunda Guerra Mundial. Isso choca, mas é bom não esquecer que a Segundo Guerra foi marcada pelas atrocidades de lado a lado, e não apenas dos nazistas, como costuma mostrar até hoje a propaganda americana. Um dos exemplos mais cruéis foi o bombardeio da cidade alemã de Dresden, que matou quase 100 mil pessoas numa só noite com bombas incendiárias.
Enquanto pensava em tudo isso, sintonizei o National Geographic, um dos muitos canais que fazem a propaganda do “American Way of Life” disfarçada de documentários. E assisti a um programa incrível, que tinha como tema os “Preparadores”, malucos americanos que se preparam para o fim do mundo ou catástrofes ambientais, como terremotos, tsunamis, etc.
O que me espantou nesse documentário,não foram as maluquices e excentricidades dessa gente, mas a liberdade absurda com que portam e usam armas quer só se vê em filmes de guerras. São fuzis, metralhadoras e outras armas moderníssimas, mantidas dentro de casa e usadas livremente até por adolescentes para “treinar” contra possíveis inimigos.  E não é uma ou duas armas, mas dúzias que cada um tem e utiliza como bem quer. Perto deles, os traficantes do Rio de Janeiro são uns pobres coitados que parecem usar armas de brinquedo. Um casal, dono de uma loja de aparelhos de som, chega a trabalhar com pistolas à mostra na cintura, atendendo os fregueses. Imaginem se um deles reclamar do troco!Tem um milionário que ensina à filha adolescente a atirar facas e comprou manequins que, quando atingidos por tiros, que ela também pratica, parecem abrir feridas e jorrar sangue. Outro sujeito, que emigrou de Israel para os Estados Unidos há dez anos, agora é candidato a vereador em uma cidadezinha da Califórnia e quer convencer todo mundo a usar armas na cinta para se defender de um “iminente” ataque terrorista.
Numa terra dessas, um maluco como o que cometeu o último massacre escolar nos Estados Unidos é apenas mais um entre milhares que, podem, a qualquer momento, se tornar assassinos de massas indefessas. Porque a violência, como disse Stokely Carmichael, é tão americana quanto a torta de maçã.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ESPORTE ON-LINE
Por Jorge Wamburg

Corinthians foi Cássio e mais 
o resto  do time
O Corinthians ganhou o jogo e o título por uma simples razão: tem um goleiro melhor do que o do Chelsea. Se não fosse o Cássio, com aquele cabelão anos 80, a vaca podia ter ido pro brejo. Ele estava numa noite fora do comum, até pela sorte de pegar aquele frango que ia entrando por baixo dele pelo rabo. Merece o bicho em dobro. Foi ele

Mesmo tendo mais chances claras de gol, como essa de que falei e aquela defesa do Cássio desviando a bola que ia entrar com a ponta dos dedos, o Chelsea foi um time sem brilho, que no início do segundo tempo já parecia cansado e ficou assistindo o Corinthians jogar, só começando a correr depois que levou o gol.  Aí, era tarde demais. O Corinthians caiu na defesa e garantiu o resultado até o fim. Nem dá pra discutir o gol anulado do Fernando Torres porque foi impedimento mesmo.

O Chelsea não merecia mesmo o título, com um técnico burro como o paraguaio Rafa Benitez, que só botou o Oscar em campo, como já estava claro que ia fazer, depois que estava perdendo, talvez pra queimar um jogador de quem ele não gosta. Aliás, o tal de Benitez tem uma cara de pateta e não de admirar que seja mesmo uma besta quadrada.

Agora, também não vamos entrar no oba-oba dos caras da TV, como o Milton Leite e o Villaron, do Sportv, que a toda hora diziam que tavam vendo um jogão, de alto nível e outras besteiras. Jogão coisa nenhuma, Foi um jogo até chato algumas vezes, devido ao estilo cauteloso do Corinthians e à falta de categoria do Chelsea, que nunca mostrou um futebol de campeão. Mereceu, por isso, a chinelada que levou.

Quero deixar claro que o futebol do Corinthians não é encantador, muito ao contrário. Seu corte é a marcação e foi assim que ganhou o campeonato brasileiro do ano passado. É o chamado futebol de resultado. Faz um gol ou dois e cai na defesa, que o time arma bem e tem bons jogadores, contando com um ótimo meio campo. Lá na frente, perde mais gols do que faz, mas depois que faz é difícil o adversário virar o placar.

Agora é esperar pela próxima Libertadores, pra ver se vamos chegar lá de novo, com Fluminense, Atlético Mineiro, São Paulo, Grêmio ou Palmeiras. É óbvio que o Palmeiras, rebaixado pra segundona, mas campeão da Copa do Brasil, é o que parece ter menos possibilidades, mas também ninguém garante que os outros vão arrebentar contra argentinos, uruguaios, colombianos, equatorianos, chilenos e sei lá quem mais da Libertadores.

O bom é que a festa do Corinthians já acabou e vem aí Natal e Ano Novo. O futebol, em 2012, já encheu o saco. Que venha 2013, com os velhos e bons campeonatos regionais pra gente matar a saudade. Depois brasileiro de novo e Copa das Confederações. Vamos botar futebol pelo ladrão.


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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Ranking da Fifa é ridículo: Brasil em 14º lugar!

 - Por Jorge Wamburg -  
É simplesmente ridículo esse “ranking” da Fifa que coloca o Brasil em 14º lugar entre as seleções mundiais, atrás de timecos como Colômbia (9), Grécia (10), Croácia (11), Rússia (12) e França (13).
Do oitavo (Itália) pra cima, se pode aceitar, com restrições, que a gente fique atrás de Uruguai (7), Holanda (6), Inglaterra (5), Argentina (4), Portugal (3), Alemanha (2) e Espanha (1). Mas do 9º ao 13º, os que estão na nossa frente não dá pra engolir.

Pra se ter uma idéia, o Brasil está com apenas 1001 pontos, enquanto a líder Espanha soma 1611 e a Colômbia tem 1102. Com essa classificação, o Brasil desceu duas posições em relação ao último “ranking” e fica na frente da Suíça, o 15º (983 pontos) por uns míseros 18 pontos.

Como tudo que a Fifa faz, essa é apenas mais uma merda. Que entidadezinha escrota! Esse ranking é bom pra servir de papel higiênico, porque não tem validade técnica nenhuma e lógica, muito menos. E sabem por que? Porque só valem os pontos de competições oficiais e como o Brasil não está disputando as eliminatórias da Copa de 2014, porque tem vaga garantida como país-sede, vai ficando pra trás, porque a Colômbia, por exemplo, ganhou do Uruguai (4 a 0) e do Chile (3 a 1) em jogos das eliminatórias sul-americanas.

Assim, as últimas vitórias do Brasil em amistosos sobre a Argentina (2 a 1), China (8 a 0) e África do Sul (1 a 0), não adiantaram nada pra melhorar a nossa posição. E vamos continuar caindo, à medida que os outros forem jogando pelas vagas no Mundial que vamos sediar daqui a dois anos.

É ou não é um critério ridículo? Até parece que é feito de propósito pra sacanear a seleção brasileira. Não é que o time do Mano seja grande coisa, pelo menos até agora, mas melhor do que a maioria dos 13 que estão na nossa frente, lá isso é.

Pior do que o “ranking” da Fifa, só o voto do Lewandowski no Supremo pra absolver o Zé Dirceu do Mensalão. Por essas e outras – como também a absolvição do Genoíno – é que o ministro, agora, passa a ser conhecido como Ricardo LEVIANOdowski.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Demitida do COB diz que só cumpriu ordens em Londres

 - Por Jorge Wamburg -
Bem que eu estava achando muito mal contada essa história de que dez funcionários do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) teriam “roubado” informações confidenciais das Olimpíadas de Londres, aproveitando-se de estarem trabalhando lá,  justamente para...colher informações sobre o evento.

A pressa do COB em demitir todos sumariamente e tirar o seu da reta, dizendo que o Comitê brasileiro não tem nada com isso, pois eles agiram por conta própria, tava cheirando mal. Eu já estava achando que alguém lá de cima sabia, ou mandou, ou as duas coisas juntas. Se não foi o Nuzman, presidente do COB e do Comitê Organizador da Rio 2016, deve ter sido algum dos seus aspones, pois havia 200 – eu escrevi – D U Z E N T O S S... – enviados do COB “trabalhando” em Londres durante as Olimpíadas.

O meu faro não me enganou. Um dos demitidos – mais exatamente uma – tinha 12 anos de COB – e resolveu não ficar calada, no que fez muito bem. Divulgou no blog do jornalista Juca Kfouri carta que mandou ao Nuzman, deixando claro que foi bode expiatório da merda feita pelo COB, ou pelos próprios ingleses, que lhe deram senha e acesso ao sistema para copiar dados, ou seja, não roubou nada e foi até instruída a copiar informações que são de domínio público sobre Londres 2012, durante o trabalho na capital inglesa, para futuro aproveitamento na Rio 2016.

Agora quem fica mal na parada é o COB – leia-se Nuzman - que vai ter que se explicar. Afinal, até o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, se apressou em pedir desculpas aos ingleses, num momento de bajulação explícita que é típica de sua vida política, como bom “comunista” que é.  Sempre foi um puxa-saco de primeira hora, que vivia rezando quando era presidente da Câmara só pra ficar bem com a galera que não gosta do seu partido, o PC do B.

Mas vamos ao que interessa: reproduzo a seguir a carta da ex-funcionária do COB, Renata Santiago, e vocês tirem suas conclusões. Eu já tirei as minhas: os ingleses também não nunca foram flor que se cheire – lembram-se do covarde assassinato do brasileiro Jean Charles pela polícia de Londres? – e podem ter armado essa pra cima dos brasileiros pra encobrir alguma sujeira interna. Tudo é possível.

Eis a carta da Renata Santiago:      

“Prezado Dr. Nuzman,

Antes de mais nada gostaria de agradecer por ter tido a oportunidade de trabalhar com o senhor durante todos estes quase 12 anos.

Tenho plena consciência de que me dediquei ao máximo e sempre cumpri minhas tarefas, e muito além das minhas tarefas, com excelência.

Nunca, em momento algum, os meus colegas, chefes ou os seus clientes se queixaram do meu trabalho, pelo contrário, sempre elogiaram e sempre mostraram satisfação devido ao meu comportamento impecável e ao meu desempenho profissional.

Em relação ao ocorrido em Londres com os secondees Rio 2016, não sei até que ponto a informação correta e completa chegou até o senhor.

Não falo por nenhum deles, mas falo por mim, que sempre trabalhei com um cargo de confiança e nunca lhe decepcionei.

No entanto, na terça-feira, dia 18 de setembro, fui chamada para assinar minha carta de demissão e a explicação que me deram foi que a ordem veio de cima, de nosso presidente, para demitirem a todos os secondees pela acusação de violação de informações confidenciais e comerciais por parte do LOCOG.

Eu era uma das secondees, trabalhei em Londres desde o dia 11 de junho até o dia 15 de agosto no Centro de Serviços aos CONs, na Vila Olímpica.

Ao longo das primeiras semanas, fui instruída a acessar o sistema do LOCOG para estudar alguns documentos necessários para a realização do meu trabalho lá em Londres, já que eu era uma dos NOC Services Team Member.

Outras vezes, acessei o sistema para visualizar e tentar aprender como eles planejaram, desenvolveram e iriam executar o projeto para a Área de NOC/NPC Relations and Services, sempre pensando em adquirir mais conhecimento e poder desenvolver melhor a minha Área de NOC/NPC Relations and Services no Rio 2016.

Afinal de contas nós fomos enviados ali para observar, aprender e reunir informações que nos dessem a capacidade de melhorar nosso planejamento.

Hora nenhuma me apropriei de informações confidenciais ou comerciais.

Sabemos bem que estas informações confidenciais ou comerciais não estariam ao acesso de todos nós secondees da Rio 2016, que recebemos login e senha do próprio LOCOG.

Todas as informações (arquivos eletrônicos, documentos impressos, fotos) reunidas e trazidas ao Rio 2016 por mim, ratifico, não eram confidenciais e muito menos comerciais e foram fruto de um trabalho árduo visando uma melhor organização para os nossos Jogos, sem nenhuma pretensão diferente desta.

Estou muito decepcionada e profundamente triste de ter sido envolvida e nivelada aos demais que realmente podem haver apropriado-se de muitas informações confidenciais e/ou comerciais de suas áreas e de outras.

Não consigo realizar que o senhor tenha acreditado que eu fosse ou que eu seja capaz de cometer atos fraudulentos e criminosos já que sempre demonstrei-lhe minha honestidade e fidelidade e às instituições das quais o senhor é ou foi presidente como o Comitê Olímpico Brasileiro, o Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos Rio 2007, a Organização Desportiva Sul-americana e, por fim, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Nunca estive nesses projetos por motivos financeiros e sim por um ideal. Por acreditar no senhor e no seu discurso sobre Movimento Olímpico e Paralímpico.

Não foram apenas 12 dias, foram 12 anos.

E doze anos de muito amor, muita abdicação, muita determinação, muita dedicação, muito profissionalismo e muito caráter.

Despeço-me com a certeza de que sempre fiz mais que o melhor e com a toda a integridade para levar adiante o seu sonho, o sonho de trazer e entregar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro, que passou a ser o meu também e que me foi tirado abrupta e injustamente.

Atenciosamente,
Renata Santiago”