- Por Jorge Wamburg -
Ainda o propinoduto Havelange-Teixeira-Fifa: essa foi de fazer inveja ao mais sagaz dos mensaleiros do PT que vão ser julgados pelo Supremo – a partir do dia 2 de agosto. A desculpa do hoje presidente da Fifa, Joseph Blatter, pra ter ficado de bico calado quando o então presidente João Havelange e o na época presidente da CBF Ricardo Teixeira foram “propinados” pela extinta ISL em nos anos 90 foi que – acreditem! – “Suborno não era crime!”. Pois essa desculpa pode custar o cargo também ao Blatter, como já custou a Havelange e a Teixeira os que tinham na Fifa, no COI, e No Comitê Organizador da Copa de 2014 e na CBF.
De acordo com o noticiário dessa semana, há uma forte reação na Europa contra a permanência de Blatter no comando da Fifa até 2015, quando haverá eleição para a sua sucessão. E não é só no esporte que estão pedindo a cabeça do suíço: parlamentares europeus já iniciaram um movimento de “Fora Blatter”, inclusive no seu próprio país, onde foram revelados todos os detalhes do escândalo pela justiça, depois de um mal explicado acordo com Havelange e Teixeira para evitar que seus nomes viessem a público. Dizem que vai ser difícil ele segurar a barra até 2015, e talvez também tenha que renunciar antes, tal como Havelange e Teixeira, pra sair de fininho de cena e não levar um processo pelo lombo.
È que, mesmo a Fifa sendo uma entidade privada, tal como a CBF, quando a justiça quer dá um jeito de arranjar um artigo qualquer e enquadrar o cara, nem que seja só pra fazer média com o respeitável público. E Blatter, que de bobo não tem nada, já viu que não vai dar pra continuar dando uma de Pilatos e lavando as mãos ao estilo Lula. A diferença é que enquanto o careca de São Bernardo se desculpava dizendo sobre o Mensalão do PT “Eu não sabia de nada”, o careca de Genebra diz “Eu sabia de tudo, mas não podia fazer nada”. Acaba dando no mesmo, porque ninguém acredita em nenhum dos dois.
Agora, olhem só o que ainda vem por aí: Havelange, apesar dos seus 95 anos e de ter deixado a presidência da Fifa há mais de uma década para Blatter, ainda não escapou de algum tipo de sanção, pelo menos moral. É que ele ainda é presidente de honra da Fifa, cargo honorífico, mas em conseqüência do qual talvez tenha que dar explicações sobre a propina que recebeu da ISL. Que, pelo que já divulgado, foi pra garantir à empresa suíça (mais tarde falida), os direitos de comercialização da Copa de 94 nos Estados Unidos., quando o brasileiro era o presidente executivo e o suíço o secretário-geral da Fifa. E em reais, foi negócio de R$ 45 milhões pra ele e Teixeira.
Na época, um dos depósitos da propina, equivalente a R$ 2 milhões, caiu na conta da Fifa, em vez de na de Havelange. Mas Blatter não fingiu que não viu como mais tarde, quando o caso foi parar na justiça suíça e já era presidente da Fifa, ainda pagou “fiança” ao tribunal para que manter em sigilo os nomes de Havelange e Teixeira. A desculpa oficial é de chorar – ou de rir: “Não poderia ter tomado ciência de um delito que não existia”, justiça-se, alegando que, na época essa prática não era crime previsto nas leis suíças, ao contrário do que ocorre hoje.
Sobre a situação de Havelange, agora que tudo foi revelado, Blatter ainda garante que não pode fazer nada, pois só o Congresso da entidade, “pode decidir sobre seu futuro”.
Mas se vocês pensam que é só, tem coisa muito pior. E vem do Zé Maria Marin, sucessor do Teixeira na CBF. Ele confirmou que Ricardo Teixeira continua trabalhando pra CBF lá de Miami, onde se exilou pra fugir do escândalo, depois de renunciar ao cargo, à presidência do Comitê Organizador Local da Copa de 2014 e ao Conselho da Fifa. Pois o Marin, que dobrou o próprio salário de R$ 98 mil pra quase 200 paus logo depois que assumiu, saiu-se com essa: “o que foi divulgado não tem nenhuma relação entre Ricardo Teixeira e a CBF. Ele continua prestando os mesmos serviços...” Melhor seria ter ficado calado, pra não dizer uma besteira dessas. Quais serão os serviços que Teixeira presta? Digamos, tipo aqueles que prestou pra ISL?
Besteirol do Correio
Não posso deixar passar essa: esta semana, na matéria do Correio Brasiliense sobre o caso do jogador de basquete aqui de Brasília que ficou gravemente ferido quando a tabela caiu sobre ele ao dar uma enterrada, o repórter saiu-se com essa (página 6/7, edição de 14/7):
“A única conclusão da Polícia Civil é que o acidente não foi premeditado”. Caraca! E o pior é que o editor da matéria e o do Caderno de Esportes engoliram.
terça-feira, 17 de julho de 2012
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Havelange, Teixeira e as reeleições
- Por Jorge Wamburg -
Duas notícias de ontem no jornal: a justiça suíça divulgou os documentos do inquérito sobre subornos pagos pela ISL a dirigentes esportivos e confirmou que João Havelange e Ricardo Teixeira receberam gordas – e bota gordas nisso! - (propinas da empresa suíça, hoje, falida); e a Comissão de Desporto e Turismo da Câmara aprovou um projeto proibindo mais de uma reeleição de dirigentes de clubes e federações.
Vejo uma relação entre esses dois fatos porque se esse projeto acabar se tornando lei, aberrações como os casos de Havelange e Teixeira ficarão mais difíceis de acontecer, embora não impossíveis, porque , como diz o ditado, a ocasião faz o ladrão.
Mas, pelo menos, dirigentes como eles terão menos tempo para meter a mão em dinheiro sujo – ou se apropriar de dinheiro limpo – como aconteceu nesse episódio da ISL (International, Sports and Leisure), empresa de marketing que tinha exclusividade na comercialização da Copa do Mundo e participação nos direitos de TV, e, mesmo assim, faliu, com um ROMBO de US$ 300 milhões e um ROUBO incalculável! E pouco antes andou de contrato com Flamengo e Grêmio, que levaram baitas prejuízos, mas nunca divulgaram quem levou grana por lá pra assinar esses contratos.
Vale lembrar que esse caso já vinha rolando há muito tempo e foi o motivo da súbita renúncia de Teixeira à presidência da CBF, do Comitê Organizador da Copa de 2014 e do Comitê Executivo da Fifa, para viver um exílio dourado em Miami e assim sair de cena e escapar de qualquer problema no Brasil, principalmente das incômodas matérias da imprensa. Já Havelange está muito idoso – 95 anos - para temer qualquer coisa e, ao contrário do ex-genro que ele colocou na presidência da CBF em 1989, fica por aqui mesmo, mas teve que renunciar ao lugar que ocupava há 48 anos no Comitê Olímpico Internacional (COI), para não passar a vergonha de ser afastado pelos seus pares quando o suborno fosse confirmado pela justiça suíça, como aconteceu agora.
Esses casos são emblemáticos e mostram a necessidade da transformação em lei do projeto aprovado pela Comissão de Turismo da Câmara, da qual, aliás, fazem parte entre outros, os ex-jogadores Romário, Delei e Darnley, que, tenho certeza, devem ter votado a favor do projeto. Digo que esses casos são emblemáticos porque mostram como é perniciosa não apenas para o esporte em si, mas para a moralidade pública em geral, a perpetuação de dirigentes esportivos em seus cargos. Até um sujeito como Havelange, que parecia acima do bem e do mal e havia chegado a uma idade quase centenária com uma aura de respeitabilidade por sua carreira no esporte, acabou corrompido e recebeu 1,5 milhão de francos suíços (US$ 1,5 milhão) de propina da ISL, em março de 1997.
Chega a ser inacreditável que um homem como Havelange, naquela idade (82 anos em 97), já muito rico mesmo antes de entrar no esporte por sua atividade como empresário, tenha jogado seu nome na lama e sido corrompido. Quanto a Ricardo Teixeira, que recebeu 12,7 milhões de francos suíços (US$ 12,44 milhões) de propina da ISL, entre 1992 e 1997, segundo o inquérito suíço, não há o que estranhar. Sua gestão sempre foi marcada por denúncias de mau uso de dinheiro da CBF, mordomias para dirigentes de federações em troca de votos nas suas seguidas eleições e outras irregularidades.
Mas tudo isso só acontece justamente pela sensação de impunidade que o poder em entidades como a CBF, a Fifa, e os clubes de futebol dá aos seus ocupantes. Teixeira, por exemplo, é um daqueles casos em que Nelson Rodrigues dizia que, quando o sujeito ia a um estádio de futebol ,perguntava ao torcedor do lado: “Quem é a bola?” Até, que em 1989, Havelange, então mais poderoso do que nunca no futebol brasileiro e já presidente da Fifa, disse: “Você vai ser presidente da CBF”; “Eu, mas por que?”; “Porque é meu genro, e preciso de alguém de confiança lá”. E assim foi feita a vontade de Havelange pelos presidentes de federações que formam o colégio eleitoral da CBF. Deu no que deu: Teixeira acabou com o casamento com a filha de Havelange e ficou na CBF até abril deste ano, quando teve que sair pela porta dos fundos e fugir pra Miami, depois de 24 anos de mandato.
Já Havelange se apossou da CBF no final dos anos 50, ganhou as Copas de 58, 62 e 70 e só saiu em 74, quando derrotou o inglês Stanley Rous na disputa pela presidência da Fifa, com uma mensagem anticontinuista, já que Rous estava no cargo há 18 anos. Resultado: Havelange ficou 24 anos no lugar, sempre se reelegendo por conta de compromissos com países de pouca tradição da África e da Ásia para receberem vantagens da Fifa. Era um ícone do futebol brasileiro, com o tricampeonato mundial de 58/62/70 na conta de sua gestão na antiga CBD e a gestão na Fifa, onde só o lado positivo do crescimento do futebol pelo mundo aparecia e as mazelas eram jogadas pra baixo do tapete, principalmente por uma imprensa cúmplice e subserviente. E continuaria assim pelo resto de sua vida, com aquela cara amarrada que lhe dava um aspecto austero e de grande benfeitor da humanidade, se não fosse a BBC de Londres descobrir a sujeira da ISL e denunciar o escândalo.
Havelange a, agora, é só mais um corrupto no mundo do futebol, na mesma vala comum de tantos por aí. Eu por exemplo, acho que poucos se salvam, principalmente nos clubes de futebol. Se é que alguém se salva. As mamatas, as mordomias, as propinas, tudo quanto é safadeza rola solta e sem controle. Eu conheço pessoalmente um presidente de clube que assumiu o cargo como desconhecido advogado de origem portuguesa, que chegava ao clube de fusca e, quando saiu, dez anos depois, foi embora de Mercedes Benz e era dono de uma ilha na Baía de Guanabara! Esse mesmo presidente foi derrubado por um grupo de oposição com uma campanha contra o continuísmo e em defesa da moralidade no clube. Só um dos presidentes que vieram depois dele ficou 18 anos no cargo! Outro, quase emplacou três mandatos (nove anos) e quase levou o clube à falência.
E há muito mais exemplos. Em Minas, em São Paulo, pelo Brasil inteiro, eles só largam o cargo se der uma merda muito grande. Porque no mundo das propinas, sempre sobra pra subornar os conselhos fiscais e dirigentes de futebol, supervisores de clube, o diabo! Pra ninguém dar com a língua nos dentes. Rola propina em tudo, de venda de jogadores a contratos de publicidade, obras, concessão de cantina, o que vier. Ninguém deixa nada passar sem levar algum ou tirar vantagem seja, financeira, seja política (esportiva ou mesmo partidária, já que muitos fazem do clube trampolim para carreira política). Assim se explica tanta venda de jogador que não aparece no balanço do clube e nunca melhora o caixa de nenhum deles. Ninguém presta contas de nada. E, engraçado, que o Ministério Público, sempre metendo o nariz na vida dos outros, deixa tudo pra lá. Humm!
Por isso é que o projeto de uma reeleição só é tão importante. Acho até que está sendo até generoso; diante desse quadro grotesco, devia era proibir reeleição. Mas, admitindo que uma reeleição já melhora as coisas, é preciso, porém, que algum deputado proponha uma emenda para incluir também as Confederações , como a CBF, que estão fora porque não recebem recursos públicos. Só os clubes e as federações, que mamam na Timemania, vão ser atingidos e, assim, os Teixeira e Marin da vida (vice - que assumiu no lugar de Teixeira) poderão continuar com suas façanhas. Em tempo: José Maria Marin logo que assumiu, aumentou seu poóprio salário de R$ 98 mil para R$ 166 mil e continua pagando o salário de quase R$ 100 mil a Ricardo Teixeira como consultor da CBF)
É bom que se diga: a CBF é uma entidade privada, mas ela representa uma verdadeira instituição nacional, de certa forma um patrimônio do país que cinco vezes campeão do mundo de futebol. Portanto, em nome dos princípios constitucionais da moralidade pública e da eficiência administrativa ela também precisa sofrer alguma limitação por parte da nossa legislação. E pode começar por um freio nas reeleições, para evitar que novos Ricardos Teixeiras apareçam pra mandar – e se aproveitar – no nosso futebol. Quem sabe, a partir daí, se possa impor algum tipo de obrigação de prestar contas do dinheiro que rola por lá ao torcedor brasileiro – em outras palavras, a nós todos – que, no final, é quem banca tudo isso indiretamen
quarta-feira, 11 de julho de 2012
O Juiz ladrão
- Por Jorge Wamburg -
Foi em 1978, quando eu morava no Rio de Janeiro, onde nasci e fui criado. Um dia, aliás, uma noite, cheguei em casa do trabalho no Jornal do Brasil, onde era repórter da Editoria de Esportes, e de repente, comecei a sentir dores fortíssimas na barriga. Eram as dores mais fortes que já tinha sentido, que me faziam rolar e gritar na cama, deixando Luzia, minha mulher, desesperada e sem saber o que fazer.
Meu carro estava na garagem, mas ela não dirigia. Então pediu socorro aos vizinhos. Vieram dois que moravam no nosso andar e tiveram que me carregar até o carro de um deles, porque eu não conseguia andar. Me levaram para o Hospital São Lucas, em Copacabana, que tinha atendia pelo meu plano de saúde e fui imediatamente internado para exames, além, é claro medicado com analgésicos para aliviar a dor.
O diagnóstico veio horas depois: cálculo renal encravado na uretra. A solução talvez fosse cirúrgica, mas o urologista que me atendeu resolveu dar tempo à natureza, para que eu expelisse a pedra – que não tinha mais do que dois milímetros – naturalmente. Fiquei internado num apartamento com camas para dois pacientes à espera de que meu organismo colaborasse pra não entrar na faca. Que nada!. Depois de 48 horas de espera, a pedra não saiu e veio a palavra final: tem que operar. E assim foi. Correu tudo bem, tiraram a pedra e eu fui para casa no início da semana seguinte.
Até aí, nada de mais, nem de menos. Cálculo renal é uma cirurgia banal, geralmente sem complicações e que hoje costuma ser feita a laser, como aconteceu na segunda que me aconteceu, já aqui em Brasília, muitos anos depois. Ao contrário da primeira, que foi com o tradicional bisturi, já que o laser nem existia na época. Mas o curioso dessa história aconteceu quando eu estava internado no São Lucas. Um dia, chegou outro paciente para o mesmo apartamento onde eu estava. O nome dele era Hélio, era juiz de futebol profissional, da Federação Carioca e havia sofrido um acidente de trabalho: rompeu ligamentos do tornozelo quando bandeirava uma partida do campeonato do Rio de Janeiro.
Lógico que eu, jornalista esportivo, e o Hélio, logo começamos a bater-papo sobre futebol.
Uma hora, chega visita pra ele. Era um colega de trabalho, também juiz de futebol, só que, ao contrário do Hélio, era o número 1 do país, do quadro da Fifa, no auge da carreira.
Nem precisava porque, obviamente eu conhecia o cara, mas fomos apresentados pelo Hélio e a conversa rolou animada. O visitante era também líder da classe e estava lá para fazer uma visita oficial ao Hélio, em nome dos colegas.
Lá pelas tantas, ele (visitante) me perguntou se eu era casado. Respondi que sim. Perguntou se eu tinha filho. Um, respondi. O nome? Wladimir.
O juizão perguntou qual o time do garoto, que na época, tinha nove anos de idade. É Vasco, falei com orgulho. O homem, então, pegou um papel na mesinha do Hélio, escreveu alguma coisa e me entregou, dizendo: “Leve para o Wladimir”. Era um autógrafo, com a seguinte dedicatória:
“Para o Wladimir, um abraço do
Juiz Ladrão
Arnaldo Cezar Coelho”
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Futebol da Eurocopa é de segunda categoria
- Por Jorge Wamburg -
Essa Eurocopa, apesar de todo o carnaval que o Sportv está fazendo pra valorizar a cobertura, não tem nada demais nem de menos.
Os narradores, comentarista, repórteres e apresentadores parecem marinheiros de primeira viagem, deslumbrados com tudo que vêem por lá, mas, mesmo assim, não dá pra enganar o telespectador: o futebol que as seleções do Velho Mundo estão apresentando não tem nenhuma novidade, não revelou nenhum craque e não mostra nada melhor do que se vê por aqui, na nossa Ameriquinha do Sul.
O que eu vi até agora – e não acredito que vá melhorar nas semifinais e na final – é só correria e chutão de qualquer maneira, às vezes até em direção ao gol. Com uma exceção, a Espanha, que joga como a Barcelona e acaba ficando chata, de tanto trocar passe pra lá e pra cá, até achar uma brecha pra chutar a gol. Mas os nossos jornalistas parecem encantados com essa merda e insistem em valorizar tal coisa e dizer que o futebol brasileiro é que é uma bosta, que a Eurocopa é só jogão e outras baboseiras.
Claro que os caras foram pra lá com os bolsos cheios de diárias em dólares, estão comendo do bom e do melhor em hotéis cinco estrelas e não podem desvalorizar a cobertura pra não se queimarem com a direção da empresa. Por isso, têm que elogiar tudo que vêem. Mas cá pra nós, o que a TV mostra é muito diferente do que eles falam, lá isso é. Não passa de um futebol de segunda categoria.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Advogado do Fla inventou exame de Ronaldinho
- Por Jorge Wamburg -
Aliás, não é o primeiro papelão que o Piro faz no caso. E o pior é que a presidente Patrícia Amorim fica igualmente desmoralizada com a série de gafes cometidas por ele, tanto que já nem aparece mais em público, com medo de ser questionada sobre o assunto. O fato é que mesmo descontando-se o possível exagero do valor de R$ 40 milhões cobrado do clube por Ronaldinho, o Flamengo deve mesmo – confessadamente, pelo mesmo Piro – pelo menos “de R$ 4 a 5 milhões”. É claro que todo advogado sempre exagera nas contas quando entra com uma ação trabalhista para poder tirar o máximo da parte contrária, por acordo ou decisão da justiça. Isso é tão velho quando a própria justiça do trabalho e qualquer advogado sabe que funciona assim. Mas, cá pra nós, o show de incompetência do advogado do Flamengo é pior do que o do time do Joel Santana em campo. Eu não sei onde ele se formou, mas não pode ter sido na minha faculdade.
Além de réu confesso na ação de atraso nos pagamentos, o Piro chutou um monte besteiras que nada têm a ver com o processo, e que só deixaram a situação ainda pior para o clube, ao divulgar o caso da mulher no quarto do Ronaldinho – ou vice-versa do hotel onde o Flamengo estava concentrado – dizer que ele ia treinar bêbado e que havia um exame de sangue comprovando isso. Quer dizer, sabiam e toleravam, deixaram rolar, porque não tinham moral pra enquadrar o cara. Além de perder o processo, ainda desmoraliza de vez a diretoria do clube.
Agora, o advogado teve que botar o galho dentro na questão do exame de sangue, com o desmentido do médico José Luis Runco, um profissional de tão alto nível que não sei como consegue trabalhar no meio daquela esculhambação administrativa da Gávea. Eu conheço pessoalmente o Runco há quase 30 anos, do tempo em que ele começou no esporte como médico dos remadores do Vasco. Hoje, além do Flamengo, é o médico da seleção brasileira de futebol e seu prestígio no esporte está à altura de sua competência. E sai ainda mais engrandecido do episódio Ronaldinho porque não hesitou em desmentir a história do exame de sangue inventada pelo Piro, que além de incompetente, passa recibo como mentiroso.
Com isso, não estou defendendo o Ronaldinho, que pra mim também não vale o dinheiro que os clubes gastam com ele, como o Flamengo e agora o Atlético MG.
O problema é que um caso como esse é a prova da irresponsabilidade com que os dirigentes tratam o dinheiro dos clubes. E isso acontece porque o dinheiro não sai do bolso deles e ninguém cobra nada, os conselhos fiscais passam recibo de tudo, porque são coniventes com as diretorias e fazem parte das mesmas curriolas políticas.
Os clubes não prestam contas do dinheiro torrado com irresponsáveis como o Ronaldinho, a contabilidade é uma caixa preta e balanço financeiro nunca é publicado.
Um escândalo, que devia dar cadeia, mas fica por isso mesmo porque estamos no Brasil do Mensalão, da Delta e todo mundo sabe que roubalheira não dá em nada, quando se rouba muito dinheiro. Cadeia é só pra ladrão de galinha.
O Flamengo, mais uma vez, cai no ridículo, no caso Ronaldinho Gaúcho
Depois de ser humilhado publicamente com a rescisão do contrato por atrasos de pagamentos, decretada pela Justiça do Trabalho, e ter negado o pedido para cassar a liminar que impediria o jogador de atuar pelo Atlético MG, agora é o chefe do Departamento Médico que desmente o diretor Jurídico e garante que não há qualquer exame de sangue do Ronaldinho comprovando a existência de álcool no seu organismo. Quer dizer: o diretor Jurídico, Rafael de Piro, foi pego na mentira pelo próprio colega e teve que admitir que estava errado, ou mal informado, o que é a mesma coisa.Aliás, não é o primeiro papelão que o Piro faz no caso. E o pior é que a presidente Patrícia Amorim fica igualmente desmoralizada com a série de gafes cometidas por ele, tanto que já nem aparece mais em público, com medo de ser questionada sobre o assunto. O fato é que mesmo descontando-se o possível exagero do valor de R$ 40 milhões cobrado do clube por Ronaldinho, o Flamengo deve mesmo – confessadamente, pelo mesmo Piro – pelo menos “de R$ 4 a 5 milhões”. É claro que todo advogado sempre exagera nas contas quando entra com uma ação trabalhista para poder tirar o máximo da parte contrária, por acordo ou decisão da justiça. Isso é tão velho quando a própria justiça do trabalho e qualquer advogado sabe que funciona assim. Mas, cá pra nós, o show de incompetência do advogado do Flamengo é pior do que o do time do Joel Santana em campo. Eu não sei onde ele se formou, mas não pode ter sido na minha faculdade.
Além de réu confesso na ação de atraso nos pagamentos, o Piro chutou um monte besteiras que nada têm a ver com o processo, e que só deixaram a situação ainda pior para o clube, ao divulgar o caso da mulher no quarto do Ronaldinho – ou vice-versa do hotel onde o Flamengo estava concentrado – dizer que ele ia treinar bêbado e que havia um exame de sangue comprovando isso. Quer dizer, sabiam e toleravam, deixaram rolar, porque não tinham moral pra enquadrar o cara. Além de perder o processo, ainda desmoraliza de vez a diretoria do clube.
Agora, o advogado teve que botar o galho dentro na questão do exame de sangue, com o desmentido do médico José Luis Runco, um profissional de tão alto nível que não sei como consegue trabalhar no meio daquela esculhambação administrativa da Gávea. Eu conheço pessoalmente o Runco há quase 30 anos, do tempo em que ele começou no esporte como médico dos remadores do Vasco. Hoje, além do Flamengo, é o médico da seleção brasileira de futebol e seu prestígio no esporte está à altura de sua competência. E sai ainda mais engrandecido do episódio Ronaldinho porque não hesitou em desmentir a história do exame de sangue inventada pelo Piro, que além de incompetente, passa recibo como mentiroso.
Com isso, não estou defendendo o Ronaldinho, que pra mim também não vale o dinheiro que os clubes gastam com ele, como o Flamengo e agora o Atlético MG.
O problema é que um caso como esse é a prova da irresponsabilidade com que os dirigentes tratam o dinheiro dos clubes. E isso acontece porque o dinheiro não sai do bolso deles e ninguém cobra nada, os conselhos fiscais passam recibo de tudo, porque são coniventes com as diretorias e fazem parte das mesmas curriolas políticas.
Os clubes não prestam contas do dinheiro torrado com irresponsáveis como o Ronaldinho, a contabilidade é uma caixa preta e balanço financeiro nunca é publicado.
Um escândalo, que devia dar cadeia, mas fica por isso mesmo porque estamos no Brasil do Mensalão, da Delta e todo mundo sabe que roubalheira não dá em nada, quando se rouba muito dinheiro. Cadeia é só pra ladrão de galinha.
domingo, 27 de maio de 2012
Seleção: devagar com o andor
- Por Jorge Wamburg -
Eu não quero ser espírito de porco e espinafrar a seleção, depois de uma vitória por 3 a 1 contra a Dinamarca que está sendo elogiada por todo mundo, a começar pelo técnico Mano Menezes.
Mas cá pra nós, mesmo não querendo, não tem outro jeito. O que eu acho é que a gente anda tão acostumado com o futebol de quinta categoria jogado pela seleção do Mano que qualquer melhorazinha é saudada como o supra-sumo da essência do extrato do pó do melhor futebol do mundo, que algum dia, lá pelos idos do século passado, a nossa seleção jogava.
Porque, cá pra nós, se o primeiro tempo foi surpreendentemente bom e deu até pra gente achar que, finalmente, tínhamos um bom time com a camisa amarela, depois de meter 3 a 0 numa apavorada Dinamarca, o segundo tempo foi de lascar. Nós paramos de jogar e quem jogou bola foi a mesma Dinamarca, que até merecia um resultado melhor. O problema é que os dinamarqueses, além de azarados, são mesmo ruins até de chute a gol e perderam oportunidades daquelas dignas do Inacreditável Futebol Clube.
Acho que a seleção teve algumas coisas positivas, como o Hulk, que não é nenhum craque mas tem sorte e sabe chutar a gol. É um cara importante pra determinados jogos chatos em que enfrentarmos times fechados na defesa, mas ninguém espere dele jogadas de alto nível técnico, que sua praia é outra. O negócio dele é na base da raça e da porrada – na bola – que mata qualquer goleiro. Ainda mais quando o da Dinamarca está num dia de amigo do atacante e chega atrasado nas bolas que vão pro gol, como aconteceu em dois do Hulk.
Portanto, vamos devagar com o andor que o santo é de barro. Vamos ver o próximo amistoso, contra os Estados Unidos, que ontem sapecou 5 a 1 na Escócia, e os outros jogos da excursão, pra ver se essa seleção vai ter mesmo garrafa vazia pra vender nas Olimpíadas de Londres.
Eu não quero ser espírito de porco e espinafrar a seleção, depois de uma vitória por 3 a 1 contra a Dinamarca que está sendo elogiada por todo mundo, a começar pelo técnico Mano Menezes.
Mas cá pra nós, mesmo não querendo, não tem outro jeito. O que eu acho é que a gente anda tão acostumado com o futebol de quinta categoria jogado pela seleção do Mano que qualquer melhorazinha é saudada como o supra-sumo da essência do extrato do pó do melhor futebol do mundo, que algum dia, lá pelos idos do século passado, a nossa seleção jogava.
Porque, cá pra nós, se o primeiro tempo foi surpreendentemente bom e deu até pra gente achar que, finalmente, tínhamos um bom time com a camisa amarela, depois de meter 3 a 0 numa apavorada Dinamarca, o segundo tempo foi de lascar. Nós paramos de jogar e quem jogou bola foi a mesma Dinamarca, que até merecia um resultado melhor. O problema é que os dinamarqueses, além de azarados, são mesmo ruins até de chute a gol e perderam oportunidades daquelas dignas do Inacreditável Futebol Clube.
Acho que a seleção teve algumas coisas positivas, como o Hulk, que não é nenhum craque mas tem sorte e sabe chutar a gol. É um cara importante pra determinados jogos chatos em que enfrentarmos times fechados na defesa, mas ninguém espere dele jogadas de alto nível técnico, que sua praia é outra. O negócio dele é na base da raça e da porrada – na bola – que mata qualquer goleiro. Ainda mais quando o da Dinamarca está num dia de amigo do atacante e chega atrasado nas bolas que vão pro gol, como aconteceu em dois do Hulk.
Portanto, vamos devagar com o andor que o santo é de barro. Vamos ver o próximo amistoso, contra os Estados Unidos, que ontem sapecou 5 a 1 na Escócia, e os outros jogos da excursão, pra ver se essa seleção vai ter mesmo garrafa vazia pra vender nas Olimpíadas de Londres.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Governo diz que obras dos estádios da Copa não estão atrasadas
- Por Jorge Wamburg -
O último levantamento sobre as obras nos 12 Estádios da Copa de 2014 foi divulgado pelo Ministério do Esporte no dia 3 de abril, no Portal da Copa, o site oficial do governo brasileiro sobre o evento que será realizado no Brasil.
Segundo o documento, “a 800 dias de a bola rolar para o Mundial de 2014”, todas as obras estavam dentro do cronograma de trabalho estabelecido. Os percentuais de cada uma têm como base informações de representantes das cidades-sede.
Mineirão – Belo Horizonte
Foto: Sylvio Coutinho
A arquibancada inferior, setor com aproximadamente 23 mil cadeiras, já é visível. Na esplanada, espaço de 80 mil metros no entorno do estádio, 54% das peças pré-moldadas foram instaladas. A obra soma 1.850 operários em atividade, atingiu 55% de execução e tem três gruas para transportar materiais da parte externa para a interna. O novo Mineirão contará com 64 mil assentos, restaurante com vista para o campo e 80 camarotes. O estacionamento terá 2.521 vagas para carros, sendo 1.534 cobertas. A previsão é de que seja entregue em 21 de dezembro de 2012. Simulações de fluxo feitas por software especializado prevêem a evacuação completa do estádio em até 8 minutos.
Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha
Arena Pantanal - Cuiabá
Arena da Baixada – Curitiba
Castelão - Fortaleza
Arena das Dunas - Natal
Arena Amazônia - Manaus
Arena Pernambuco - Recife
Beira-Rio – Porto Alegre
Maracanã – Rio de Janeiro
Fonte Nova - Salvador
Arena de Itaquera – São Paulo
O último levantamento sobre as obras nos 12 Estádios da Copa de 2014 foi divulgado pelo Ministério do Esporte no dia 3 de abril, no Portal da Copa, o site oficial do governo brasileiro sobre o evento que será realizado no Brasil.
Segundo o documento, “a 800 dias de a bola rolar para o Mundial de 2014”, todas as obras estavam dentro do cronograma de trabalho estabelecido. Os percentuais de cada uma têm como base informações de representantes das cidades-sede.
Mineirão – Belo Horizonte
Foto: Sylvio Coutinho
A arquibancada inferior, setor com aproximadamente 23 mil cadeiras, já é visível. Na esplanada, espaço de 80 mil metros no entorno do estádio, 54% das peças pré-moldadas foram instaladas. A obra soma 1.850 operários em atividade, atingiu 55% de execução e tem três gruas para transportar materiais da parte externa para a interna. O novo Mineirão contará com 64 mil assentos, restaurante com vista para o campo e 80 camarotes. O estacionamento terá 2.521 vagas para carros, sendo 1.534 cobertas. A previsão é de que seja entregue em 21 de dezembro de 2012. Simulações de fluxo feitas por software especializado prevêem a evacuação completa do estádio em até 8 minutos.
Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha
Foto: Mary Leal
As obras chegaram a 54% de execução, com as vigas da arquibancada intermediária, o segundo pavimento, os blocos de esplanada e a arquibancada inferior terminados. A arena, que teve a cobertura licitada, receberá a abertura da Copa das Confederações, em 2013, e sete jogos da Copa de 2014, incluindo um da Seleção Brasileira, na primeira fase, uma partida das quartas de final e a disputa de terceiro e quarto lugares.Arena Pantanal - Cuiabá
Foto: Uol Esporte
Palco de quatro jogos da Copa do Mundo de 2014, a Arena Pantanal começa a ganhar forma com a construção das arquibancadas inferiores e superiores. A previsão é de que até o fim de abril os setores Norte e Oeste estejam com as partes de concreto e metal montadas, assim como a primeira laje contínua, unindo os dois lados. A obra conta com 650 operários e já alcançou 43% do total previsto.Arena da Baixada – Curitiba
Foto: FIFA/Divulgação
O estádio do Atlético-PR tem 52% das obras de adaptação para receber quatro partidas da Copa do Mundo Fifa Brasil 2014 executadas. Das novas intervenções, que incluem parte da arena, centro de imprensa e estacionamento, 11% estão concluídas. O projeto de adaptação às exigências da FIFA inclui a finalização do setor de arquibancadas paralelo ao gramado, a remodelação da cobertura e a ampliação da capacidade para 42 mil pessoas.Castelão - Fortaleza
Foto: Secopa
De acordo com o último relatório do consórcio construtor, 60,44% do projeto de reforma estão concluídos. Já estão sendo erguidos os primeiros pilares que vão dar sustentação à cobertura. Do total, serão 60 pórticos de aço que devem ser finalizados em abril. A conclusão da terceira etapa deve ser antecipada de setembro para julho e, de maio a setembro, será feita a montagem da cobertura. Em setembro está previsto, ainda, o início da instalação das cadeiras.Arena das Dunas - Natal
Foto: Tiago Falqueira
As obras de construção da Arena das Dunas, que receberá quatro partidas da Copa do Mundo, superaram 20,56% de execução. A fase de fundações está avançada e a de superestrutura teve início. O número de operários chegou a 600. A arena potiguar terá capacidade para 45 mil pessoas. A previsão é de que o trabalho seja finalizado em dezembro de 2013.Arena Amazônia - Manaus
Foto: Danilo Mello
A Arena Amazônia, com 38% das obras concluídas, será palco de quatro confrontos previstos para a fase de grupos do Mundial. Os duelos serão válidos pelos grupos A, D, E e G. Em 25 de junho de 2014, a seleção cabeça de chave do grupo E, normalmente uma das grandes equipes do torneio, estará em campo. O estádio terá capacidade de 43.710 lugares. A conclusão das obras está prevista para junho de 2013, a um custo estimado de R$ 533,2 milhões, de acordo com a Matriz de Responsabilidade.Arena Pernambuco - Recife
Foto: Bobby Fabisak
Sede de cinco jogos da Copa do Mundo da FIFA 2014 e candidata a receber confrontos da Copa das Confederações, a Arena Pernambuco, que está sendo construída em São Lourenço da Mata, superou, em março, 32% das obras concluídas. As fundações estão quase finalizadas, com 95% da execução realizada. O estádio está orçado, segundo a Matriz de Responsabilidade, em R$ 500 milhões e terá capacidade para 46 mil pessoas, com 4,7 mil vagas de estacionamento.Beira-Rio – Porto Alegre
Foto: Angular Fotografias
Com as obras retomadas em março, teve início a demolição dos vestiários de visitantes e da arbitragem, ao lado do Portão 4 do Beira-Rio. Para a reforma, que estava 20% concluída antes da retomada, a capacidade da arena será diminuída em dias de jogo. Passará de 42 mil para 36 mil lugares. Um trecho da arquibancada abaixo das cadeiras perpétuas (antiga social) ficará interditado. No pico das obras, serão 1,5 mil operários trabalhando.Maracanã – Rio de Janeiro
Foto: Consórcio Maracanã Rio 2014
A reforma no Estádio Mário Filho, o Maracanã, atingiu 39% de avanço físico. A arquibancada inferior está em fase de construção da estrutura, aterro da área e instalação de pré-moldados. A finalização do fechamento do anel da arquibancada está prevista para setembro. Na parte da cobertura, foi iniciada a perfuração de 60 pilares para instalação da ancoragem. A construção das 110 unidades de camarotes já foi iniciada, com a preparação da laje.Fonte Nova - Salvador
Foto: Folhapress
Sede de seis jogos da Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 e candidata a receber partidas da Copa das Confederações, em 2013, a Arena Fonte Nova está com as obras 55% concluídas. O estádio terá capacidade para 50 mil espectadores com assentos cobertos, 90 camarotes, 2,5 mil assentos VIP, restaurante panorâmico com vista para o estádio e para o Dique do Tororó e cerca de duas mil vagas de estacionamento.Arena de Itaquera – São Paulo
Foto: Divulgação/Odebrecht
Sede da abertura da Copa, o estádio do Corinthians tem 30% das obras executadas. Já foram cravadas 3.368 estacas, concretados 569 blocos, instalados 140 pilares e assentados 388 degraus, além de 96 vigas jacaré e 778 lajes. Em março, o número de funcionários chegou a 1.664, e, durante o pico, alcançará dois mil. Um convênio foi assinado para receber 300 egressos do sistema carcerário em obras da construtora no estado, incluindo a da arena em Itaquera.
domingo, 20 de maio de 2012
Lei da Copa: criminosa herança de Lula
- Por Jorge Wamburg -
Dilma Rousseff deve sancionar nesta semana o projeto da Lei Geral da Copa, aprovado pelo Senado há quinze dias, e que, na ocasião classifiquei de crime de lesa-pátria, pelo seu conteúdo altamente danoso aos interesses do país para beneficiar a Fifa e seus chefões.
Volto ao assunto para mostrar, com base no relatório da senadora Ana Amélia Lemos (PT/RS), a falta de escrúpulos dos autores desse projeto – assinado por Dilma Rousseff para cumprir o criminoso compromisso firmado por Lula com a Fifa em 2007. Um presente que ele deu aos gringos, em autentico ato de prevaricação que deveria ter-lhe custado o cargo com um processo de impeachment.
Como disse o senador Álvaro Dias (PDT/PR), durante os debates do projeto no plenário do Senado, Lula agiu como um ditador, ao assinar compromisso com uma entidade privada internacional para mudar a legislação do país e atender as exigências da Fifa, com isenções fiscais absurdas, entre outros privilégios financeiros e, pior ainda, mudanças até na legislação penal, para criar – pasmem! - tribunais de exceção destinados a julgar e botar na cadeia quem desrespeitar a exclusividade de venda das bugigangas da Copa que ela patrocinar. Fora, é claro, a supressão do artigo do Estatuto do Torcedor que proíbe venda de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol, para que os turistas possam tomar seus porres sem problemas com a cerveja de um dos patrocinadores durante os jogos da Copa.
Não fosse o Brasil o curral petista de hoje, Lula deveria ter sido processado por crime de responsabilidade por esse abuso de poder. Ele se comportou, segundo Álvaro Dias, como ditador de uma republiqueta de bananas qualquer, ficando de cócoras ou de joelhos para a Fifa, na ânsia de agradá-la para ganhar o direito de promover a Copa. Digo eu: de cócoras ou de joelhos é uma benevolência do senador quanto à posição do ex-barbudo de São Bernardo no episódio.
Se acham que estou exagerando, vou reproduzir um trecho do parecer da senadora Ana Amélia sobre o projeto, em que ela, evidentemente constrangida, porque é uma jornalista respeitada e honesta explica porque não pode acatar emendas que pretendiam retirar do texto a supressão do Artigo 13A do Estatuto do Torcedor, que proibia bebida nos estádios: é a Cláusula nº 8 das garantias dadas pelo governo Lula à Fifa. Para lavar as mãos, Ana Amélia transcreveu um parágrafo dessa garantia, que demonstra a inacreditável submissão do governo Lula à Fifa, numa demonstração descaso com os demais poderes da República e a própria soberania nacional.
“(...) Afirmamos e garantimos também à Fifa, e asseguramos , que não existirão restrições legais ou proibições sobre a venda , publicidade ou distribuição de produtos das Afiliadas Comerciais, inclusive alimentos e bebidas, nos estádios ou em outros locais durante as competições e que não haverá restrições legais sobre a exploração dos Direitos de Mídia, direitos de Marketing, marcas e outros direitos de propriedade intelectual e comercial(...)”
Não sei se vocês tiveram vontade de vomitar ao ler essa aberração, mas eu tive!
Conforme relata a senadora Ana Amélia Lemos no seu parecer, “em 15 de setembro de 2007, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro do Esporte, Orlando Silva, enviaram à Fifa ofício assumindo garantias legislativas e legais, às quais o Brasil se comprometia como candidato à sede da Copa do Mundo de 2014”.
Mas Lula e Orlando não agiram sozinhos: a Cláusula nº 8, que trata da Proteção e Exploração de Direitos Comerciais, foi subscrita também pelos então ministros da Justiça, Tarso Genro; do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge; da Cultura, João Luiz Silva Ferreira (Juca Ferreira) e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Machado Rezende.
Isso é Formação de Quadrilha, crime previsto no Código Penal Brasileiro!
Vejam bem: eles se uniram num compromisso criminoso de favorecimento à Fifa. Quatro anos antes de ser enviado ao Congresso – já pelo governo Dilma – o projeto da Lei Geral da Copa eles afirmam, garantem e asseguram (termos da Cláusula 8) que não existem nem existirão “restrições legais ou proibições sobre a venda, publicidade ou distribuição de produtos das afiliadas comerciais, inclusive alimentos e bebidas, nos estádios ou em outros locais durante as competições e que não haverá restrições legais sobre a exploração dos Direitos de Mídia (...)”.
Como poderiam dar tais garantias, passando por cima do Congresso e do Judiciário, o primeiro encarregado de elaborar a legislação e o segundo do controle da legalidade no país? Só o fizeram na certeza da impunidade, como de fato aconteceu. E isso só foi possível porque tal compromisso sempre foi mantido em sigilo, escondido do Congresso, do Judiciário da imprensa e da opinião pública em geral. Somente Lula e seus cinco ministros sabiam exatamente o que eram as tais garantias, que não apareceram na Matriz de Responsabilidades assinada com governos estaduais e prefeituras das cidades-sedes da Copa com o governo federal (leia-se governo Lula) para definir as áreas de atuação de cada um (financiamentos, obras de mobilidade urbana e estádios).
O documento assinado por eles em 15 de junho de 2007 foi o segredo mais bem guardado do país durante cinco anos, sem nenhum vazamento até agora, quando a senadora Ana Amélia leu a Cláusula 8 no Senado. Isso explica porque Dilma demorou tanto a mandar o projeto da Lei Geral ao Congresso, e só fez depois de seguidas reclamações públicas do presidente da Fifa, Joseph Blatter, e seu principal acólito, Jeröme Välcke, aquele que ameaçou um pontapé no traseiro do Brasil por causa da demora na aprovação do projeto. Dilma, certamente hesitou em colocar sua assinatura naquela, mas não teve como resistir à pressão e de Lula, sob o argumento de que o Brasil não poderia deixar de honrar um compromisso internacional assumido pelo ex-presidente.
Foi o que disse ao Senado a senadora Ana Amélia Lemos: “Se hoje viéssemos a proibir a venda de bebidas por meio de lei federal, no caso o Estatuto de Defesa do Torcedor, por esta proposição (o projeto da Lei Geral da Copa), o que estaria em jogo seria a imagem do país. O Brasil assumiu, por meio de seu Presidente, um compromisso pela liberação da venda de bebidas. A mudança de posição da Fifa em 2009 passa a incluir a liberação de bebidas alcoólicas entre as bebidas que devem ter venda liberada”.
Por hoje é só. Mas tem muito mais nesse projeto, já quase lei, que precisa ser colocado em pratos limpos. E vou continuar remexendo nessa sujeira.
sábado, 19 de maio de 2012
Que vergonha, Marin!
- Por Jorge Wamburg -
A deterioração moral da CBF não acabou com a saída de Ricardo Teixeira. Seu sucessor não teve o menor escrúpulo de passar a mão na grana de entidade para encher o próprio bolso, dobrando o próprio salário, como revela neste sábado (19) reportagem da Folha de São Paulo, da qual reproduzo o resumo que está na edição online do jornal (www.folha.com).
O presidente da CBF, José Maria Marin, aumentou, em menos de dois meses no cargo, o seu próprio salário e o dos principais integrantes da cúpula da entidade. Ele recebe R$ 160 mil mensais desde abril -- seu antecessor, Ricardo Teixeira, ganhava R$ 98 mil.
Essas informações estão na reportagem assinada por Sérgio Rangel. A íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.
O texto publicado neste sábado também informa que, com o cargo de assessor especial da presidência, Marco Polo Del Nero, dirigente da Federação Paulista de Futebol, ganha um salário da CBF: R$ 130 mil por mês.
ENTIDADE DIZ NÃO FALAR SOBRE RENDIMENTOS
Via assessoria de imprensa, a CBF informou que não comentaria o valor dos salários dos seus profissionais. A entidade se limitou a declarar que não existe equiparação salarial entre os diretores. José Maria Marin está fora do Brasil. Ele assiste hoje a decisão da Copa dos Campeões na Alemanha.
Diante disso, só me resta dizer, parafraseando o Boris Casoy:
ISTO É UMA VERGONHA!
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Lei da Copa: quem não estiver satisfeito, dane-se!
- Por Jorge Wamburg -
O Senado vai sacramentar logo mais o crime de lesa-pátria chamado Lei Geral da Copa, perpetrado pelo governo Lula e chancelado pela sua sucessora para cumprir os compromissos que ele assumiu coma Fifa, em 2007, para garantir a sede da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, trazendo como lambuja a Copa das Confederações de 2013.
Foto: José Cruz/ABr.
Não vou me alongar mais no assunto, porque já demonstrei aqui não só a inconstitucionalidade dessa aberração jurídica, que dá à Fifa o poder de um governo paralelo nas 12 cidades-sedes da Copa, até para mandar prender e mandar soltar quem vender uma flâmula na rua sem a sua autorização.Hoje, só quero falar da cara de pau do puxa-saco-mor do governo no Senado, o líder Eduardo Braga (PMDB/), que justificou a iminente aprovação da lei com o argumento de que o Brasil apresentou uma “garantia máster” perante a Fifa e, na época, nenhuma frente parlamentar questionou os compromissos firmados de “forma pública e transparente. Então, nós não podemos agora quebrar contrato ou retardar a aprovação da Lei Geral da Copa, tendo em vista que já estamos a praticamente a dois anos da realização do evento”.
Esse argumento é tão falso quanto outras mentiras que ele usou pra justificar a aprovação da Lei no Senado conforme foi votada na Câmara, sem nenhuma emenda que tire do texto o que a Fifa mandou o governo botar. E desafio que me provem que, quando o Lula fez esse arrego com a Fifa, alguém, nesse país e no resto do mundo, ficou sabendo que entre os “compromissos” assumidos por ele estava a permissão da venda de cerveja que patrocina a Copa no estádios; que ia ser alterado o Código Penal pra botar na cadeia quem vender alguma merda patenteada pela Fifa; que ia ser cria uma zona de exclusão nos arredores dos estádios da Copa onde o comércio só vai poder vender o que a Fifa autorizar; que o governo vai ter que indenizar a Fifa por qualquer prejuízo que ela tenha,seja ou não responsável pelo dano; que qualquer gringo maconheiro ou cheirador de pó vai poder entrar no país só com o ingresso na mão, sem precisar de passaporte, identidade ou o cacete, como se exige da gente pra viajar pro exterior; e que quem não estiver satisfeito, DANE-SE!
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