segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Lamentável São Silvestre de 2012


A Corrida de São Silvestre virou agora uma prova de Rua como outra qualquer. 
Perdeu de vez o charme - que já tinham conseguido quase acabar com a mudança da largada na virada do ano para o final da tarde, anos atrás - com a realização de manhã cedo, este ano.  

Procurei uma explicação para a mudança e só encontrei uma vaga menção a “razões logísticas” da organização, sem entrar em detalhes. Mas desconfio que foi a Globo, detentora da exclusividade da transmissão, que impôs o novo horário, para não atrapalhar a programação do 31 de dezembro, principalmente o show da virada do ano.

Li declarações de atletas elogiando o novo horário, principalmente os quenianos, que acabaram mais uma vez sendo os vencedores. E também do técnico brasileiro que prepara a maioria deles aqui no Brasil, Moacir Marconi. A alegação é que esse tipo de prova é sempre disputado pela manhã, que o organismo responde melhor ao esforço no início do dia e que, por isso, não é preciso um treinamento especial, já que seus atletas estão acostumados a correr pela manhã o ano inteiro pelo mundo afora.

Mas isso não é uma unanimidade. Claro que os quenianos são os maiores beneficiados, como ficou claro na corrida de hoje. Mas há quem discorde e é justamente o brasileiro Giovani dos Santos, que foi 4º colocado nesta São Silvestre de 2012. Vencedor da Volta da Pampulha há três semanas, seu técnico, Henrique Viana, reclamou: “A prova perde com esta mudança. No aspecto de performance, o atleta vai muito melhor no fim da tarde ou à noite. Há uma desvalorização da São Silvestre”.

O fato é que pelo jeito, o horário matutino vai tornar mais difícil ainda uma vitória brasileira nos próximos e a quebra da hegemonia queniana. Mas, para mim, o pior mesmo é mais uma tradição que a gente perdeu, de saudar o Ano Novo, acompanhando a São Silvestre pela TV e, eventualmente, comemorando vitórias brasileiras dos atletas e das atletas brasileiras, que há muito tempo não fazem a festa na capital paulista.

E por mais que a turma da Globo se esforce, não dá pra torcer por queniano (a), gente!

Agora, só falta, pelas mesmas “razões logísticas”, passarem a corrida para o dia 30 ou apenas gravarem para exigir o teipe no horário que mais convier à Globo.
E para marcar mais ainda essa corrida de 2012, tivemos a morte do cadeirante Israel Cruz Jackson de Barros, que se chocou com um muro do Pacaembu, ao perder o controle de sua cadeira de rodas na descida de uma ladeira.
O paratleta Israel Cruz Jackson de Barros momentos após a largada na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta (Foto: Ricardo Biserra/VC no G1). 
Foi uma fatalidade, mas contribuiu para tornar São Silvestre de 2012 ainda mais lamentável!

domingo, 30 de dezembro de 2012

O que nos aguarda em 2013

 - Por Jorge Wamburg - 
2012 se despede dentro de algumas horas e 2013 chega ao futebol brasileiro com boas e más previsões. 

No primeiro caso, estão os clubes que representarão o país na Taça Libertadores da América, com boas chances de conquistar mais um título para o Brasil: Fluminense, Atlético Mineiro, São Paulo, Grêmio e Corinthians. O primeiro, com a credencial de campeão brasileiro de 2102 e o último como último campeão da Libertadores e o prestígio do bicampeonato mundial conquistado em Tóquio este mês, são os dois favoritos, enquanto os outros tentarão surpreender.

No segundo caso, o das más previsões, estão clubes que, apesar de grandes, como Vasco, Botafogo, Flamengo e Palmeiras, enfrentam dificuldades até para montar os times que disputarão os campeonatos estaduais. Também acho nebuloso o futuro da seleção brasileira sob o comando de Felipão e Parreira em substituição a Mano Meneses, que foi sacado pela CBF justamente quando começava a acertar a mão (sem trocadilho).

Não me incluo entre os admiradores de Felipão. Muito ao contrário, apesar de seu passado de glórias e do Mundial que conquistou com a seleção, não vejo nenhuma novidade tática ou técnica nos times que dirige, mas apenas velhos esquemas que deram certo no passado, mas hoje estão superados, como aconteceu com o Palmeiras, rebaixado para a série B este ano e que ficou sob seu comando a maior parte do tempo.

Penso o mesmo com relação a  Parreira. Por isso, acho que a seleção que será formada para disputar a Copa das Confederações pode acabar em fiasco, até porque também o técnico terá pouco tempo para trabalhar e montar o time para a competição, que será realizada em seis capitais brasileiras, entre 15 e 30 de junho de 2013, e será um evento-teste para a Copa do Mundo. A escolha de Felipão – e de Parreira – contrariou o bom senso e só se justifica pelos nomes e não pelos resultados, pois Felipão vinha muito mal e Parreira já estava até aposentado do futebol.

Na verdade, os melhores técnicos do país no momento são Abel Braga e Tite, e um dos dois deveria ter sido o escolhido. A escolha de Felipão veio  com um ranço de passado e tem tudo para dar errado, mas vou torcer para que os fatos provem o contrário na Copa das Confederações. Até lá, vou  ficar sempre com um pé atrás. É bom não esquecer que só faltam seis meses para esta Copa e não temos time definido, pois Felipão, naturalmente, não vai querer apenas assinar embaixo do que Mano vinha fazendo.

Enfim, só resta aguardar 2013 e desejar que todos tenham um ano melhor do que 2012. Inclusive Felipão.

sábado, 22 de dezembro de 2012

“A violência é tão americana quanto a torta de Maçã”


“A violência é tão americana quanto a torta de Maçã”Stokely Carmichael
 - Por Jorge Wamburg - 
Noite de insônia, recorro ao controle remoto da TV. Primeiro, uma partida de futebol americano, um dos esportes (se é que se pode chamar aquilo de esporte) mais boçais que existem, só superado pelo vale-tudo apelidado de MMA e outras siglas. É só aquele empurra–empurra, agarra-agarra, mergulhos nas pernas do adversário e outras agressões, em que a bola é o menos importante: o que importa é parar o cara que está com ela, custe o que custar, literalmente: ossos quebrados, pancadaria, o diabo. Só falta sacar o revólver ou uma faca para abater o rival em pleno campo, para delírio da torcida, que urra e baba de satisfação o tempo todo.
Foi então que me lembrei da frase de Stokely Carmichael, um ativista negro nos Estados Unidos dos anos 60/70, nascido em 1941 em Trinidad y Tobago e que morreu em 1998, e percebi que o futebol americano é uma paixão nacional porque exprime fisicamente exatamente a outra grande paixão daquele país: a violência contra o próximo, perpetrada por toda e qualquer forma, mas principalmente contra os mais fracos e os estrangeiros de um modo geral, dentro e fora dos EUA, numa forma pervertida de afirmação da supremacia nacional pela força e pelas armas.
Então, enquanto procurava outro canal, entendi que a violência está enraizada na cultura e na vida americana desde suas origens, na revolução contra os colonizadores ingleses,  e essa cultura vem sendo disseminada e propagada pelo mundo há décadas, primeiro pelo cinema, depois pela televisão e agora pela internet, mas tudo se somando para construir o caldo cultural que levou um maluco a matar a própria mãe e 27 crianças numa escola, para em seguida se suicidar.
Depois da tragédia, que chocou os próprios americanos, mas foi apenas mais uma de uma interminável sequência de atos semelhantes ao longo dos anos naquele país, o presidente Barack Obama fala em discutir a liberdade da compra e venda de armas que impera no país desde que ele existe. Ora, logo o Obama, que mandou executar Bin Laden no Afeganistão por um comando de militares assassinos, como vingança pelo 11 de setembro, e depois foi para a televisão se gabar e ainda dizer que mandou jogar o corpo no mar!
Isso seria chocante se antecessores de Obama não tivessem também uma longa história de crimes impunes contra a humanidade, como o bêbado Bush 2, mentindo para o mundo que o Iraque tinha armas nucleares para justificar a invasão do país e a execução do antigo aliado Saddam Hussein, com a cumplicidade da ONU e de países árabes inimigos de Saddam e aliados dos Estados Unidos, como a Arábia Saudita, o principal deles, graças ao comércio do petróleo com os norte-americanos.
Aliás, por falar em antigo aliado, é bom não esquecer que Bin Laden também foi um bom e fiel aliado dos Estados Unidos quando o país usou os muçulmanos para expulsar os russos comunistas do Afeganistão, que na época, ainda na Guerra Fria, eram o inimigo da vez a derrotar na disputa pelo poder mundial. Mas isso foi antes de Bin Laden virar o inimigo nº 1, depois de mandar jogar aviões americanos sequestrados por seus seguidores contra o World Trade Center e o Pentágono.
Antes dos Bush (o pai foi o primeiro a invadir o Iraque), tivemos Johnson e Nixon, líderes da matança no Sudeste Asiático, até o pontapé no rabo dado pelos norte-vietnamitas que tomaram Saigon dos americanos e puseram fim à guerra do Vietnam. Mas é bom não esquecer que quem começou essa guerra foi o “santinho” Kennedy, que tinha em seu currículo também o patrocínio da fracassada invasão da Baía dos Porcos para derrubar Fidel Castro em Cuba. Mas de todos, ninguém foi pior do que Truman, que deu a ordem para os bombardeios atômicos a Hiroshima e Nagasaki, preferindo matar traiçoeiramente mais de 150 mil civis japoneses do que perder mais soldados para acabar com a Segunda Guerra Mundial. Isso choca, mas é bom não esquecer que a Segundo Guerra foi marcada pelas atrocidades de lado a lado, e não apenas dos nazistas, como costuma mostrar até hoje a propaganda americana. Um dos exemplos mais cruéis foi o bombardeio da cidade alemã de Dresden, que matou quase 100 mil pessoas numa só noite com bombas incendiárias.
Enquanto pensava em tudo isso, sintonizei o National Geographic, um dos muitos canais que fazem a propaganda do “American Way of Life” disfarçada de documentários. E assisti a um programa incrível, que tinha como tema os “Preparadores”, malucos americanos que se preparam para o fim do mundo ou catástrofes ambientais, como terremotos, tsunamis, etc.
O que me espantou nesse documentário,não foram as maluquices e excentricidades dessa gente, mas a liberdade absurda com que portam e usam armas quer só se vê em filmes de guerras. São fuzis, metralhadoras e outras armas moderníssimas, mantidas dentro de casa e usadas livremente até por adolescentes para “treinar” contra possíveis inimigos.  E não é uma ou duas armas, mas dúzias que cada um tem e utiliza como bem quer. Perto deles, os traficantes do Rio de Janeiro são uns pobres coitados que parecem usar armas de brinquedo. Um casal, dono de uma loja de aparelhos de som, chega a trabalhar com pistolas à mostra na cintura, atendendo os fregueses. Imaginem se um deles reclamar do troco!Tem um milionário que ensina à filha adolescente a atirar facas e comprou manequins que, quando atingidos por tiros, que ela também pratica, parecem abrir feridas e jorrar sangue. Outro sujeito, que emigrou de Israel para os Estados Unidos há dez anos, agora é candidato a vereador em uma cidadezinha da Califórnia e quer convencer todo mundo a usar armas na cinta para se defender de um “iminente” ataque terrorista.
Numa terra dessas, um maluco como o que cometeu o último massacre escolar nos Estados Unidos é apenas mais um entre milhares que, podem, a qualquer momento, se tornar assassinos de massas indefessas. Porque a violência, como disse Stokely Carmichael, é tão americana quanto a torta de maçã.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ESPORTE ON-LINE
Por Jorge Wamburg

Corinthians foi Cássio e mais 
o resto  do time
O Corinthians ganhou o jogo e o título por uma simples razão: tem um goleiro melhor do que o do Chelsea. Se não fosse o Cássio, com aquele cabelão anos 80, a vaca podia ter ido pro brejo. Ele estava numa noite fora do comum, até pela sorte de pegar aquele frango que ia entrando por baixo dele pelo rabo. Merece o bicho em dobro. Foi ele

Mesmo tendo mais chances claras de gol, como essa de que falei e aquela defesa do Cássio desviando a bola que ia entrar com a ponta dos dedos, o Chelsea foi um time sem brilho, que no início do segundo tempo já parecia cansado e ficou assistindo o Corinthians jogar, só começando a correr depois que levou o gol.  Aí, era tarde demais. O Corinthians caiu na defesa e garantiu o resultado até o fim. Nem dá pra discutir o gol anulado do Fernando Torres porque foi impedimento mesmo.

O Chelsea não merecia mesmo o título, com um técnico burro como o paraguaio Rafa Benitez, que só botou o Oscar em campo, como já estava claro que ia fazer, depois que estava perdendo, talvez pra queimar um jogador de quem ele não gosta. Aliás, o tal de Benitez tem uma cara de pateta e não de admirar que seja mesmo uma besta quadrada.

Agora, também não vamos entrar no oba-oba dos caras da TV, como o Milton Leite e o Villaron, do Sportv, que a toda hora diziam que tavam vendo um jogão, de alto nível e outras besteiras. Jogão coisa nenhuma, Foi um jogo até chato algumas vezes, devido ao estilo cauteloso do Corinthians e à falta de categoria do Chelsea, que nunca mostrou um futebol de campeão. Mereceu, por isso, a chinelada que levou.

Quero deixar claro que o futebol do Corinthians não é encantador, muito ao contrário. Seu corte é a marcação e foi assim que ganhou o campeonato brasileiro do ano passado. É o chamado futebol de resultado. Faz um gol ou dois e cai na defesa, que o time arma bem e tem bons jogadores, contando com um ótimo meio campo. Lá na frente, perde mais gols do que faz, mas depois que faz é difícil o adversário virar o placar.

Agora é esperar pela próxima Libertadores, pra ver se vamos chegar lá de novo, com Fluminense, Atlético Mineiro, São Paulo, Grêmio ou Palmeiras. É óbvio que o Palmeiras, rebaixado pra segundona, mas campeão da Copa do Brasil, é o que parece ter menos possibilidades, mas também ninguém garante que os outros vão arrebentar contra argentinos, uruguaios, colombianos, equatorianos, chilenos e sei lá quem mais da Libertadores.

O bom é que a festa do Corinthians já acabou e vem aí Natal e Ano Novo. O futebol, em 2012, já encheu o saco. Que venha 2013, com os velhos e bons campeonatos regionais pra gente matar a saudade. Depois brasileiro de novo e Copa das Confederações. Vamos botar futebol pelo ladrão.


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