terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Dívidas dos clubes não tem jeito, Toninho!


 - Por Jorge Wamburg - 
Eu acho uma temeridade a idéia do novo secretário nacional de Futebol e Defesa do Estatuto do Torcedor (é o nome oficial do cargo), Toninho Nascimento, empossado há duas semanas, de oferecer aos clubes de futebol uma (nova) renegociação de suas milionárias dívidas com o governo em troca de “transparência e modernização de suas gestões.

Como jornalista e editor de esportes do Globo por quase 20 anos, emprego que deixou para assumir a secretaria, Toninho sabe tanto quanto eu e todo mundo que conhece futebol que dirigente de clube não tem palavra, não cumpre acordos, não honra compromissos nem com o próprio clube e muito menos com o governo.

Se os dirigentes toparem a proposta, vai ser apenas mais uma forma de empurrar as dívidas com a barriga, pois logo vão deixar de pagá-las, mesmo que sejam a perder de vista, como parece ser a ideia do Toninho. Já houve tentativas anteriores e todas fracassaram por causa disso: quando a situação aperta, eles saem de cena e passam o problema para o sucessor, com medo de terem que responder com seu patrimônio pessoal pelo calote ao governo.

Foto: Agência Brasil.
Por isso, acredito nas boas intenções do Toninho, mas não no sucesso da sua ideia  E nem acredito que o governo vá topar essa proposta, que seria mais um prêmio aos caloteiros com dinheiro publico. Afinal, não é à toa que há clubes devendo centenas de milhões à previdência social: trata-se de uma soma de incompetência com roubalheira desenfreada do dinheiro dos clubes que eles administram. Misturar seus negócios particulares com a administração dos clubes é uma rotina, para obter vantagens junto a banco e ao próprio poder público para suas empresas e de seus parentes e/ou amigos.

Também não é à toa que dirigentes gostam de se perpetuar nos cargos. Eles usam toda a mordomia e infraestrutura dos clubes em proveito próprio, viajam a passeio ou para negócios particulares com dinheiro dos clubes, bancando inclusive família e amigos e ainda se apropriam de dinheiro das transferências de jogadores, que nunca são feitas pelo valor que é declarado em público. Nesse caso, a propina rola solta, numa cumplicidade ignóbil entre empresários, dirigentes, procuradores e os próprios jogadores, que para botar o seu no bolso subornam os cartolas para liberar suas transferências.

É por isso que jogador muda tanto de clube hoje em dia, e não só pela tal da globalização. Todo mundo leva o seu e fica tudo bem. Isso virou um negócio de quadrilha e daqui a pouco o cara está de volta com a maior cara de pau, alegando que está com saudades da mamãe..Pra isso, lá fora a propina rola do mesmo jeito e os manda-chuvas dos Shaktar Donetski da vida também embolsam suas propinas do mesmo jeito que os daqui pra soltar os caras.

Por tudo isso, o Toninho Nascimento vai quebrar a cara com a sua proposta de renegociação de dívidas em troca de honestidade nos clubes. Ninguém vai abrir mão de embolsar esses dólares , euros e reais que entram tão fácil em suas contas bancárias. Se os clubes estão quebrados, é problema deles. O governo não pode é botar dinheiro nesse negócio, como já botou no futebol para bancar a Copa de 2014 e a Copa das Confederações. Dinheiro nosso, torrado sem dó nem piedade nessas obras faraônicas, enquanto a população continua morrendo nas filas dos hospitais públicos de todo o país, que não fazem parte do tal”Legado” que a Copa vai deixar.

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