segunda-feira, 25 de junho de 2012

Futebol da Eurocopa é de segunda categoria


 - Por Jorge Wamburg - 
Essa Eurocopa, apesar de todo o carnaval que o Sportv está fazendo pra valorizar a cobertura, não tem nada demais nem de menos.  
Os narradores, comentarista, repórteres e apresentadores parecem marinheiros de primeira viagem, deslumbrados com tudo que vêem por lá, mas, mesmo assim, não dá pra enganar o telespectador: o futebol que as seleções do Velho Mundo estão apresentando não tem nenhuma novidade, não revelou nenhum craque e não mostra nada melhor do que se vê por aqui, na nossa Ameriquinha do Sul.

O que eu vi até agora – e não acredito que vá melhorar nas semifinais e na final – é só correria e chutão de qualquer maneira, às vezes até em direção ao gol. Com uma exceção, a Espanha, que joga como a Barcelona e acaba ficando chata, de tanto trocar passe pra lá e pra cá, até achar uma brecha pra chutar a gol. Mas os nossos jornalistas parecem encantados com essa merda e insistem em valorizar tal coisa e dizer que o futebol brasileiro é que é uma bosta, que a Eurocopa é só jogão e outras baboseiras.

Claro que os caras foram pra lá com os bolsos cheios de diárias em dólares, estão comendo do bom e do melhor em hotéis cinco estrelas e não podem desvalorizar a cobertura pra não se queimarem com a direção da empresa. Por isso, têm que elogiar tudo que vêem. Mas cá pra nós, o que a TV mostra é muito diferente do que eles falam, lá isso é. Não passa de um futebol de segunda categoria.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Advogado do Fla inventou exame de Ronaldinho

 - Por Jorge Wamburg - 
O Flamengo, mais uma vez, cai no ridículo, no caso Ronaldinho Gaúcho  
Depois de ser humilhado publicamente com a rescisão do contrato por atrasos de pagamentos, decretada pela Justiça do Trabalho, e ter negado o pedido para cassar a liminar que impediria o jogador de atuar pelo Atlético MG, agora é o chefe do Departamento Médico que desmente o diretor Jurídico e garante que não há qualquer exame de sangue do Ronaldinho comprovando a existência de álcool no seu organismo. Quer dizer: o diretor Jurídico, Rafael de Piro, foi pego na mentira pelo próprio colega e teve que admitir que estava errado, ou mal informado, o que é a mesma coisa.

Aliás, não é o primeiro papelão que o Piro faz no caso. E o pior é que a presidente Patrícia Amorim fica igualmente desmoralizada com a série de gafes cometidas por ele, tanto que já nem aparece mais em público, com medo de ser questionada sobre o assunto. O fato é que mesmo descontando-se o possível exagero do valor de R$ 40 milhões cobrado do clube por Ronaldinho, o Flamengo deve mesmo – confessadamente, pelo mesmo Piro – pelo menos “de R$ 4 a 5 milhões”.  É claro que todo advogado sempre exagera nas contas quando entra com uma ação trabalhista para poder tirar o máximo da parte contrária, por acordo ou decisão da justiça.  Isso é tão velho quando a própria justiça do trabalho e qualquer advogado sabe que funciona assim. Mas, cá pra nós, o show de incompetência do advogado do Flamengo é pior do que o do time do Joel Santana em campo. Eu não sei onde ele se formou, mas não pode ter sido na minha faculdade.

Além de réu confesso na ação de atraso nos pagamentos, o Piro chutou um monte besteiras que nada têm a ver com o processo, e que só deixaram a situação ainda pior para o clube, ao divulgar o caso da mulher no quarto do Ronaldinho – ou vice-versa do hotel onde o Flamengo estava concentrado – dizer que ele ia treinar bêbado e que havia um exame de sangue comprovando isso. Quer dizer, sabiam e toleravam, deixaram rolar, porque não tinham moral pra enquadrar o cara. Além de perder o processo, ainda desmoraliza de vez a diretoria do clube.

Agora, o advogado teve que botar o galho dentro na questão do exame de sangue, com o desmentido do médico José Luis Runco, um profissional de tão alto nível que não sei como consegue trabalhar no meio daquela esculhambação administrativa da Gávea. Eu conheço pessoalmente o Runco há quase 30 anos, do tempo em que ele começou no esporte como médico dos remadores do Vasco. Hoje, além do Flamengo, é o médico da seleção brasileira de futebol e seu prestígio no esporte está à altura de sua competência.  E sai ainda mais engrandecido do episódio Ronaldinho porque não hesitou em desmentir a história do exame de sangue inventada pelo Piro, que além de incompetente, passa recibo como mentiroso.
Com isso, não estou defendendo o Ronaldinho, que pra mim também não vale o dinheiro que os clubes gastam com ele, como o Flamengo e agora o Atlético MG.
O problema é que um caso como esse é a prova da irresponsabilidade com que os dirigentes tratam o dinheiro dos clubes. E isso acontece porque o dinheiro não sai do bolso deles e ninguém cobra nada, os conselhos fiscais passam recibo de tudo, porque são coniventes com as diretorias e fazem parte das mesmas curriolas políticas.
Os clubes não prestam contas do dinheiro torrado com irresponsáveis como o Ronaldinho, a contabilidade é uma caixa preta e balanço financeiro nunca é publicado.
Um escândalo, que devia dar cadeia, mas fica por isso mesmo porque estamos no Brasil do Mensalão, da Delta e todo mundo sabe que roubalheira não dá em nada, quando se rouba muito dinheiro.  Cadeia é só pra ladrão de galinha.